{"id":5876,"date":"2008-03-31T16:06:12","date_gmt":"2008-03-31T19:06:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/31\/yustrich-de-goleiro-a-tecnico-durao\/"},"modified":"2008-03-31T16:06:12","modified_gmt":"2008-03-31T19:06:12","slug":"yustrich-de-goleiro-a-tecnico-durao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5876","title":{"rendered":"Yustrich, de goleiro a t\u00e9cnico dur\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dorival Knipel come\u00e7ou no futebol aos 18 anos como goleiro do Flamengo, onde jogou at\u00e9 1944. Ganhou o apelido de Yustrich por sua semelhan\u00e7a f\u00edsica com Juan Elias Yustrich, famoso goleiro argentino, do Boca Juniors. Neste per\u00edodo conquistou os t\u00edtulos cariocas de 1939 e o tricampeonato de 1942 a 1944. Em 1944 foi para o Vasco da Gama, transferindo-se depois para o Am\u00e9rica, tamb\u00e9m do Rio de Janeiro.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 1950, j\u00e1 era t\u00e9cnico de futebol, com fama de disciplinador e dur\u00e3o: n\u00e3o permitia que atletas sob seu comando fumassem, deixassem a barba por fazer e usassem cabelo comprido. N\u00e3o tolerava atrasos e falta de empenho nos treinamentos.<br \/>\nArrogante e de temperamento explosivo, gostava de exibir sua valentia. Era chamado de Hom\u00e3o por causa de sua alardeada macheza e pelos seus quase 1,90 m de altura e seu f\u00edsico avantajado ou, segundo um cronista esportivo, paquid\u00e9rmico. Envolvia-se em constantes atritos com jogadores, colegas, dirigentes e a imprensa.<\/p>\n<p>Em Portugal<\/p>\n<p>Em 1953, foi expulso do Atl\u00e9tico Mineiro pelos pr\u00f3prios jogadores, descontentes de verem alguns colegas preteridos pelo t\u00e9cnico. Em 1955, estava no Futebol Clube do Porto, de Portugal , para faz\u00ea-lo campe\u00e3o em 1956, ap\u00f3s um jejum de 16 anos. No mesmo ano, o Porto venceu a Ta\u00e7a Portugal e pela primeira vez fazia a chamada dobradinha, ao conquistar no mesmo ano os dois maiores t\u00edtulos daquele pa\u00eds.<br \/>\nMesmo com essas conquistas, Yustrich era antipatizado por alguns de seus jogadores, entre eles Hernani Silva, o \u00eddolo do time. Em 1958, o Porto goleou o Oriental por 5 a 0 e Yustrich mandou os seus jogadores agradecerem ao p\u00fablico o apoio que lhes tinha sido dado. Hernani foi o \u00fanico a n\u00e3o cumprir a ordem porque n\u00e3o estava para \u00abalimentar as palha\u00e7adas do treinador\u00bb, Foi o suficiente para se iniciar uma discuss\u00e3o \u00e1spera que culminou com um troca de socos. No final da temporada, Yustrich foi dispensado.<br \/>\nSuspeita-se que a sa\u00edda de Yustrich tenha sido exigida pela PIDE, a temida pol\u00edcia secreta do ent\u00e3o ditador Oliveira Salazar. O regime salarazista tinha seu clube preferido, o Sporting, de Lisboa, e n\u00e3o via com bons olhos o sucesso do Porto, conduzido por um brasileiro.<\/p>\n<p>De volta ao Brasil e ao Atl\u00e9tico<\/p>\n<p>Em 1959, dirigiu o Vasco da Gama. Em 1964, estava no modesto Sider\u00fargica, da cidade mineira de Sabar\u00e1 e conquistou o t\u00edtulo estadual, quebrando a hegemonia dos grandes clubes. O Sider\u00fargica havia arrebatado um t\u00edtulo estadual pela \u00faltima vez em 1937. Do Sider\u00fargica, foi para outro time do interior, o Villa Nova, de Nova Lima.<br \/>\nEm seguida, foi dirigir novamente o Atl\u00e9tico Mineiro e foi respons\u00e1vel por uma das melhores fases do Galo, v\u00e1rias vezes campe\u00e3o mineiro sob sua dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nYustrich se tornou t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o brasileira por uma \u00fanica partida e de uma maneira peculiar. Em dezembro de 1968, o Atl\u00e9tico foi convidado a representar o Brasil num amistoso contra a antiga Iugosl\u00e1via. Vestindo a camiseta canarinho, o Atl\u00e9tico venceu por 3&#215;2.<br \/>\nEm 1969, na prepara\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira para a copa de 1970, ent\u00e3o dirigida por Jo\u00e3o Saldanha, foi programada uma partida contra a sele\u00e7\u00e3o mineira., no Est\u00e1dio do Mineir\u00e3o. Mas quem entrou em campo, vestindo a camiseta vermelha da Federa\u00e7\u00e3o Mineira, foi o Atl\u00e9tico, que venceu a sele\u00e7\u00e3o que se tornaria campe\u00e3 do mundo por 2 a 1. Ao final da partida,. Yustrich obrigou seus jogadores a darem a volta ol\u00edmpica no gramado, usando a camisa alvinegra do Atl\u00e9tico que vestiam por baixo da vermelha da Sele\u00e7\u00e3o de Minas. O Mineir\u00e3o quase veio abaixo. Isto lhe valeu a inimizade de Jo\u00e3o Saldanha.<br \/>\nNo Atl\u00e9tico Mineiro, Yustrich deu uma aten\u00e7\u00e3o especial a um jovem jogador vindo do Rio, de nome Dario, que se consagraria com o maior artilheiro do Galo at\u00e9 ent\u00e3o. Com treinamentos especiais, Yustrich deu ao jovem Dario as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a autoconfian\u00e7a que lhe faltavam, fato que o pr\u00f3prio jogador reconhece publicamente.<br \/>\nNo entanto, com o jogador uruguaio Cincunegui, Yustrich teve desentendimentos que culminaram com seu afastamento do Atl\u00e9tico. Criticado pelo treinador por haver retardado por uma semana seu retorno de f\u00e9rias, o uruguaio e Yustrich passaram a ter discuss\u00f5es cada vez mais fortes. A certa altura, Cincunegui teria apontado um rev\u00f3lver para Yustrich.<\/p>\n<p>No Flamengo: incidente com Saldanha<\/p>\n<p>Em 1970, Yustrich foi para o Flamengo cercado de grandes expectativas e come\u00e7ou o ano arrasador. Em fevereiro, pelo Torneio de Ver\u00e3o, a vit\u00f3ria de 6&#215;1 sobre o Independiente da Argentina, com cinco gols no primeiro tempo, deixou a torcida empolgada com o novo treinador. Mas os resultados seguintes decepcionaram. Com apenas oito vit\u00f3rias em 25 partidas no primeiro semestre de 1971, a diretoria rubro-negra atribuiu a m\u00e1 fase do clube aos m\u00e9todos r\u00edgidos de Yustrich e optou por demiti-lo.<br \/>\nMas o fato mais marcante de sua passagem pelo Flamengo foi vivido fora de campo. Convencido de que seria convocado para comandar a sele\u00e7\u00e3o brasileira, caso Jo\u00e3o Saldanha, que estava em baixa, fosse demitido, Yustrich come\u00e7ou a carregar nas cr\u00edticas ao treinador.<br \/>\nSaldanha, que andava irritado com Yustrich desde o jogo-treino no Mineir\u00e3o, entrou armado de rev\u00f3lver na concentra\u00e7\u00e3o do Flamengo, mas Yustrich n\u00e3o estava no local. Este gesto colocou Saldanha na berlinda e bastou um empate da sele\u00e7\u00e3o com o modesto time do Bangu, para que fosse demitido. Foi substitu\u00eddo por Zagallo.<\/p>\n<p>Final de carreira<\/p>\n<p>Depois do Flamengo, treinou o Corinthians e o Coritiba. Em 1977, estava novamente no futebol mineiro, desta feita no Cruzeiro, onde, j\u00e1 de in\u00edcio, tomou uma medida que desagradou aos jogadores: proibiu o jogo de sinuca na concentra\u00e7\u00e3o. Mas naquele ano o Cruzeiro sagrou-se campe\u00e3o mineiro.<br \/>\nDo Cruzeiro, Yustrich foi dispensado por conta de uma discuss\u00e3o em torno de um fato banal. Ap\u00f3s um jogo em Arax\u00e1, um jogador deu a camisa para um garoto que invadira o gramado. Yustrich mandou o roupeiro buscar a pe\u00e7a. O presidente do clube n\u00e3o permitiu. Armou-se o bate-boca e o treinador foi demitido ali mesmo \u00e0 vista de todos.<br \/>\nEste incidente teria sido apenas o pretexto para dispensar um treinador j\u00e1 desgastado. Yustrich tentara tirar o zagueiro Brito, campe\u00e3o mundial em 1970, da equipe titular, por ter o h\u00e1bito de fumar. N\u00e3o conseguiu, por\u00e9m, vencer a oposi\u00e7\u00e3o dos outros jogadores e da diretoria. Da\u00ed, como forma de mostrar seu descontentamento, substitu\u00eda Brito durante as partidas sempre que tinha oportunidade. O craque se irritou a tal ponto que, ao ser substitu\u00eddo pela en\u00e9sima vez, jogou a camiseta suada no rosto do treinador diante do p\u00fablico.<br \/>\nYustrich encerrou no Cruzeiro sua carreira de treinador. Retirou-se para o mais completo anonimato e s\u00f3 foi not\u00edcia novamente com sua morte, em 1990. Este isolamento \u00e9 a raz\u00e3o de serem hoje incompletas e distorcidas as informa\u00e7\u00f5es sobre ele, aliado ao fato de nutrir antipatia pela imprensa, a ponto de proibir rep\u00f3rteres de entrevistar seus jogadores e at\u00e9 de ficar nas proximidades dos vesti\u00e1rios. Alguns cronistas esportivos chegam a atribuir a ele a nacionalidade argentina, numa evidente confus\u00e3o com seu hom\u00f4nimo do Boca Juniors, tamb\u00e9m j\u00e1 falecido.<\/p>\n<p>Dorival Knipel nasceu em Corumb\u00e1 a 28 de Setembro de 1917 e ganhou o apelido de Yustrich pelas semelhan\u00e7as f\u00edsicas com Juan Elias Yustrich, famoso guarda redes argentino do Boca Juniors. Dorival Yustrich notabilizou-se por ser um t\u00e9cnico exigente, disciplinador e arrogante. Na d\u00e9cada de 1950, j\u00e1 como treinador com fama de disciplinador, n\u00e3o permitia que os seus atletas fumassem, deixassem a barba por fazer e usassem cabelo comprido. N\u00e3o tolerava atrasos e falta de empenho nos treinos. No Brasil, ganhou a alcunha de &#8220;Dur\u00e3o&#8221; porque, al\u00e9m da arrog\u00e2ncia que exibia, tinha uma complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica que impunha respeito. Envolvia-se em constantes atritos com jogadores, colegas, dirigentes e at\u00e9 com a imprensa. Ainda no Brasil, em 1953, foi expulso do Atl\u00e9tico Mineiro pelos pr\u00f3prios jogadores, descontentes pela forma como Yustrich tratava alguns atletas.<br \/>\nCompletamente surrealista a foto em cima, publicada no jornal A BOLA em 1958, em que Yustrich, j\u00e1 como treinador do FC Porto, salta do banco para insultar um \u00e1rbitro acabando por espezinhar Hern\u00e2ni (um \u00eddolo do FC Porto na altura) que tinha acabado de ser expulso. Mas os atritos entre Yustrich e Hern\u00e2ni j\u00e1 vinham de longe. Em 1958, o FC Porto goleou o Oriental por 5-0 e Yustrich mandou os jogadores agradecerem ao p\u00fablico o apoio que lhes tinha sido dado. Hern\u00e2ni foi o \u00fanico a n\u00e3o cumprir a ordem porque n\u00e3o estava para &#8220;alimentar as palha\u00e7adas do treinador&#8221;, foi o suficiente para se iniciar uma discuss\u00e3o que culminou com um troca de socos. No final da temporada Yustrich foi dispensado.<br \/>\nApesar do mau feitio, foi Dorival Yustrich que levou o FC Porto ao t\u00edtulo nacional (1955\/56) ap\u00f3s um jejum de 16 anos.&#8221;O FC Porto \u00e9 um elefante adormecido que n\u00e3o sabe a for\u00e7a que tem&#8221; comentou Yustrich depois de ser campe\u00e3o.<br \/>\nYustrich terminou no Cruzeiro a sua carreira de treinador. Retirou-se para o mais completo anonimato e s\u00f3 foi not\u00edcia novamente em 1990, ano do seu falecimento.<br \/>\nA verdade \u00e9 que para o FC Porto voltar aos \u00eaxitos, depois de um jejum de 16 anos, foi necess\u00e1rio contratar&#8230;um louco!!!<\/p>\n<p>Depois  deste artigo sobre o   \u201chom\u00e3o\u201d, apelido dado ao forte t\u00e9cnico Yustrich, segue uma leve ilustra\u00e7\u00e3o pin\u00e7ada em um Blog sobre as caracter\u00edsticas do referido t\u00e9cnico. Logicamente faz parte do folclore e n\u00e3o teria nunca aplica\u00e7\u00e3o na vida real.<\/p>\n<p>&#8211; Um  gerente  de cria\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia de propaganda que era muito amigo e pouco chefe, n\u00e3o trazia para a empresa um resultado muito bom.. Pensou-se  que o oposto tamb\u00e9m poderia   ser complicado, mas resolveram arriscar. Foi  sugerido um novo gerente  de cria\u00e7\u00e3o do tipo do Yustrich. Como seria a coisa?<\/p>\n<p>E vem   aquela menininha rec\u00e9m-formada apresentando o layout&#8230;.. e o chefe Yustrich responde  aos berros: \u201c Voc\u00ea tem coragem de me trazer esta m&#8230;.? Precisa suar a camisa, minha filha! Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais na casinha da mam\u00e3e n\u00e3o! Ou aprende a trabalhar, ou vai pra rua, porra!\u201d E tome bofet\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensando bem, sabe que poderia funcionar? rs<\/p>\n<p>Fontes : Wikip\u00e9dia e Blogs<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dorival Knipel come\u00e7ou no futebol aos 18 anos como goleiro do Flamengo, onde jogou at\u00e9 1944. Ganhou o apelido de Yustrich por sua semelhan\u00e7a f\u00edsica com Juan Elias Yustrich, famoso goleiro argentino, do Boca Juniors. Neste per\u00edodo conquistou os t\u00edtulos cariocas de 1939 e o tricampeonato de 1942 a 1944. 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