{"id":5873,"date":"2008-03-30T09:08:33","date_gmt":"2008-03-30T12:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/30\/o-gol-uruguaio-nao-tinha-porta\/"},"modified":"2008-03-30T09:08:33","modified_gmt":"2008-03-30T12:08:33","slug":"o-gol-uruguaio-nao-tinha-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5873","title":{"rendered":"O gol uruguaio n\u00e3o tinha porta"},"content":{"rendered":"<p>Num ponto os torcedores brasileiros eram un\u00e2nimes: Zizinho foi o maior jogador do futebol brasileiro em sua \u00e9poca. Durante mais de dez anos defendeu a sele\u00e7\u00e3o brasileira. Sentiu muitas emo\u00e7\u00f5es e poucas decep\u00e7\u00f5es. Mas, aquela de 1950 fez o mestre chorar. Fl\u00e1vio Costa formou uma equipe cheia de craques acostumados a ganhar t\u00edtulos importantes. Naquela final, contra os uruguaios, seria mais um.<\/p>\n<p>Se Zizinho pudesse tirava do calend\u00e1rio do futebol brasileiro aquele 16 de julho de 1950. Embora reconhecendo o quanto \u00e9 doloroso recordar, principalmente para aqueles que viveram o dram\u00e1tico momento, o Mestre Ziza comentou a decis\u00e3o contra os uruguaios \u2013<\/p>\n<p>\u201cEstamos \u00e1s v\u00e9speras do \u00faltimo compromisso do Brasil. Na intransit\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o, a balb\u00fardia era geral. Ningu\u00e9m entendia ningu\u00e9m. Industrias queriam fotografias dos futuros campe\u00f5es segurando seus produtos. Abra\u00e7os e mais abra\u00e7os de felicita\u00e7\u00f5es antecipadas. Todo o pensamento do Brasil se concentrava em S\u00e3o Janu\u00e1rio. O est\u00e1dio do Vasco n\u00e3o era de ningu\u00e9m, era de todos. Para tr\u00eas que saiam, dez entravam. Perto de Mario Am\u00e9rico, eu n\u00e3o compartilhava da alegria geral. Alguma coisa me deixava apreensivo. Mentalmente, me perguntava \u2013 pra que serve a concentra\u00e7\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Visivelmente emocionado Zizinho continuou falando sobre a decis\u00e3o de 1950, no maracan\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 no vesti\u00e1rio do maracan\u00e3, tivemos noticias de que faixas haviam sido preparadas. Cartazes com dizeres alusivos a conquista do campeonato do mundo pelos brasileiros. Mais tarde vim a saber de que at\u00e9 edi\u00e7\u00f5es de jornais haviam sido preparadas antecipadamente para sair logo ap\u00f3s o termino do jogo com manchetes anunciando nossa brilhante vit\u00f3ria. Bebi \u00e1gua, fizemos uma fila indiana e subimos os degraus de acesso ao gramado. Fomos recebidos de forma entusi\u00e1stica. O povo, tamb\u00e9m, todo otimista, olhava para nosso selecionado como campe\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>E foi a partir dai que as coisas come\u00e7aram a se complicar para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEndossando meu pensamento, o time demonstrava que n\u00e3o se encontrava em seus melhores dias. N\u00e3o parecia aquela sele\u00e7\u00e3o que enfrentara a Su\u00e9cia e a Espanha. Os passe n\u00e3o tinham a mesma precis\u00e3o. Os chutes n\u00e3o pareciam possuir a mesma pot\u00eancia. Senti que, aos vinte minutos, o torcedor j\u00e1 n\u00e3o se sentia \u00e0 vontade. Mas, como o empate servia&#8230; O jogo foi se arrastando at\u00e9 que terminou o primeiro tempo sem gols. Somos recebidos nos vesti\u00e1rios como vencedores. Era s\u00f3 voltar para mais quarenta e cinco minutos e depois beber champanha na Ta\u00e7a Jules Rimet. E logo no inicio do segundo tempo veio o gol de Fria\u00e7a. O Maracan\u00e3, superlotado, explodiu em um del\u00edrio nunca visto. As bombas estouravam sobre nossas cabe\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Zizinho gostaria de n\u00e3o continuar, mas com um sorriso triste ele falou sobre o dia em que Gighia calou o Brasil interiro.<\/p>\n<p>\u201cSem entender o que aconteceu vi os uruguaios empatarem o jogo. A torcida que estava mal acostumado com as vit\u00f3rias de 7&#215;1 contra a Su\u00e9cia e 6&#215;1 contra a Espanha, aquele empate n\u00e3o estava no programa. Somente quando tomamos o segundo gol \u00e9 que passamos a compreender toda extens\u00e3o do drama que come\u00e7\u00e1vamos a viver. Nosso time partir todo para o ataque. E o bombardeio ao gol de Maspoli come\u00e7ou. Os minutos se passavam, a bola batia nas costas de um, batia na trave, passava raspando a meta de Maspoli que tamb\u00e9m fazia defesas milagrosas. Houve um momento que vislumbrei o gol de empate. Ademir correu ao lado de Obdulio Varella, ganhou na corrida e no momento no chute foi derrubado. E com ele caiu nossa melhor chance de gol. A falta foi cobrada para fora. No \u00faltimo minuto, um escanteio cobrado por Chico com a bola caindo no meio da \u00e1rea. N\u00e3o me recordo quem chutou, o certo \u00e9 que a bola bateu nas contas de um uruguaio e caiu nas m\u00e3os de Maspoli. O gol dos uruguaios estava fechado. Os chutes dos Brasileiros encontravam a porta fechada. Quando o juiz deu o \u00faltimo apito, veio \u00e0 senten\u00e7a: os futuros campe\u00f5es de mundo n\u00e3o passavam de eternos e desacreditados vice-campe\u00f5es \u201c.<\/p>\n<p>O mestre Zizinho ser\u00e1 sempre lembrado como um dos craques mais talentosos do nosso futebol. E aquele 16 de julho de 1950 ser\u00e1, para sempre, o dia de finados para a hist\u00f3ria do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Ultima hora de dezembro de 1952.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num ponto os torcedores brasileiros eram un\u00e2nimes: Zizinho foi o maior jogador do futebol brasileiro em sua \u00e9poca. 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