{"id":5870,"date":"2008-03-28T11:13:37","date_gmt":"2008-03-28T14:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/28\/quando-os-craques-visitavam-riberirao-preto\/"},"modified":"2008-03-28T11:13:37","modified_gmt":"2008-03-28T14:13:37","slug":"quando-os-craques-visitavam-riberirao-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5870","title":{"rendered":"Quando os craques visitavam Ribeir\u00e3o Preto"},"content":{"rendered":"<p>Ribeir\u00e3o-pretanos acostumados com Botafogo e Comercial na ent\u00e3o 1\u00aa Divis\u00e3o do futebol paulista, lembram que jogos como o de hoje n\u00e3o agu\u00e7am tanto a rivalidade do torcedor local.<br \/>\n\u201cBom era quando o Corinthians enfrentava o Comercial e n\u00f3s \u00edamos a Palma Travassos torcer contra. Ou vice-versa. Botafogo e Palmeiras e os comercialinos engrossavam a torcida palmeirense\u201d, disse o vendedor Afr\u00e2nio Daniel Teixeira, 54 anos.<br \/>\nEmbora tor\u00e7a pelo Palmeiras, disse que n\u00e3o vai ao campo por total desinteresse.<br \/>\n\u201cA minha liga\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com o futebol \u00e9 Ribeir\u00e3o Preto\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Pel\u00e9 nos visitou 16 anos, para encarar Botafogo e Comercial<br \/>\nPel\u00e9, o atleta do s\u00e9culo, durante 16 anos, com raras interrup\u00e7\u00f5es, visitou Ribeir\u00e3o Preto para enfrentar Comercial e Botafogo. Sua primeira apari\u00e7\u00e3o foi em 1958, com 18 anos de idade, j\u00e1 campe\u00e3o mundial na Su\u00e9cia.<br \/>\nNeste longo per\u00edodo em que esteve entre n\u00f3s, at\u00e9 sua despedida, em julho de 74, num jogo contra o Comercial, Pel\u00e9 hospedou-se em apenas dois hot\u00e9is.<br \/>\nO primeiro deles foi o Umuarama (depois Bradesco) no centro da cidade, hoje o Vila Real. O segundo, foi o Umuarama Recreio, ao lado da USP.<br \/>\nPel\u00e9 era um enigma. Na v\u00e9spera dos jogos deixava o hotel prometendo regressar logo para uma conversa mais calma com os rep\u00f3rteres de plant\u00e3o. N\u00e3o voltava nunca. Ficava com as namoradas.<br \/>\nPel\u00e9 era t\u00e3o profissional, que numa fria noite de junho de 73, ao ser abordado por quatro rep\u00f3rteres, optou por dar entrevista exclusiva a cada um deles. Pel\u00e9, no bom sentido, sabia reconhecer a sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Da Guia, Gerson<br \/>\nOutros grandes craques tamb\u00e9m estiveram em Ribeir\u00e3o v\u00e1rios anos seguidos. Ademir da Guia, um dos maiores meias da hist\u00f3ria do Palmeiras, atraia uma pequena multid\u00e3o por onde caminhava.<br \/>\nRoberto Rivelino, o g\u00eanio do Corinthians, era \u00eddolo dos mais jovens. Onde o Corinthians se hospedasse, estabelecia-se o caos. No come\u00e7o dos anos 70, o goleiro Ado, campe\u00e3o do mundo no M\u00e9xico, era o preferido das meninas. Numa tarde, recebeu mais de cincoenta bilhetes ardorosos de f\u00e3s, levados por rep\u00f3rteres e funcion\u00e1rios do hotel.<br \/>\nOs mais antigos lembram-se de Gilmar, Id\u00e1rio, Roberto, Cl\u00e1udio. Os de meia idade n\u00e3o se esquecem de Lu\u00eds Pereira (Palmeiras), Dudu, Edu, C\u00e9sar e Leivinha.<br \/>\nMauro Ramos de Oliveira (Santos) e G\u00e9rson (S\u00e3o Paulo) estiveram entre n\u00f3s, bem como Garrincha e Paulo Borges (Corinthians).<br \/>\nGarrincha fez um jogo melanc\u00f3lico, numa quarta-feira \u00e0 noite, diante do Comercial, defendendo um combinado carioca.<br \/>\nO grande Garrincha n\u00e3o recebeu aplausos, nem vaias. O que se viu foi uma uma sofrida indiferen\u00e7a. Na noite de ter\u00e7a para quarta, Garrincha dormiu no apartamento 18 do Hotel Brasil, com mais tr\u00eas companheiros, sem jamais perder a toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Craque-f\u00e3<br \/>\nNesta \u00e9poca, a rela\u00e7\u00e3o entre torcedor e f\u00e3 era t\u00edmida. Apenas conversa. Aut\u00f3grafos eram raros. Com\u00e9rcio de camisa de clube n\u00e3o existia. S\u00f3 a aut\u00eantica, usada no jogo, dada espontaneamente. Ningu\u00e9m arrancava \u00e0 for\u00e7a a camisa de ningu\u00e9m.<br \/>\nQuando as delega\u00e7\u00f5es ficavam no Umuarama ou Bradesco, o centro \u201cbufava\u201d. O Ping\u00fcim e o Lanches Paulista transbordavam. N\u00e3o havia o Cal\u00e7ad\u00e3o. O movimento de carro era infernal. Formava-se corso em torno do hotel.<\/p>\n<p>O r\u00e1dio mandava<br \/>\nNo fim dos anos 60 e in\u00edcio dos 70, a televis\u00e3o engatinhava nas transmiss\u00f5es esportivas. Assistia-se, no m\u00e1ximo, teipes com um ou dois dias de atraso, transmitidos pela TV Cultura, com narra\u00e7\u00e3o de Valter Abra\u00e3o e depois Luiz Noriega.<br \/>\nO grande meio de comunica\u00e7\u00e3o era o r\u00e1dio. Radialistas como Pedro Lu\u00eds, Fiori Giglioti, Haroldo Fernandes, Alfredo Orlando, M\u00e1rio Moraes, Mauro Pinheiro, Ethel Rodrigues, Victor Moran e Luiz Augusto Maltoni eram t\u00e3o reverenciados quanto os grandes craques. O r\u00e1dio em Ribeir\u00e3o n\u00e3o era diferente. Forte e respeitado, dedicava ao futebol v\u00e1rias horas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Hotel Brasil<br \/>\nMas Ribeir\u00e3o Preto teve outro hotel antol\u00f3gico no que diz respeito \u00e0 hospedagem de delega\u00e7\u00f5es: o Brasil, na avenida Jer\u00f4nimo Gon\u00e7alves com a General Os\u00f3rio. Recebia como h\u00f3spedes os times do Interior, chamados \u201cpequenos\u201d. O hotel Aurora, que existe at\u00e9 hoje, igualmente hospedou v\u00e1rias delega\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPelos apartamentos e refeit\u00f3rios do Hotel Brasil passaram craques inesquec\u00edveis. A Ferrovi\u00e1ria de Araraquara trazia Bazani, Faustino, Ismael, Pimentel, Baiano, Dirceu, T\u00e9ia ou Galhardo.<br \/>\nO Guarani desfilava com Dimas, Bab\u00e1, Beluomini, Nelsinho, Careca, Amaral e Ben\u00ea.<br \/>\nA Ponte Preta tinha Dic\u00e1, Oscar, Valdir Perez, An\u00edbal, Esnel e Pitico. O XV de Piracicaba trazia o central Fernando, o volante Chic\u00e3o, Gat\u00e3o, Osvaldo ou o lend\u00e1rio presidente do clube, o engenheiro Romeu \u00cdtalo R\u00edpoli. Na d\u00e9cada de 60, em plena guerra fria Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica-Estados Unidos, o XV do presidente R\u00edpoli, disputou quinze amistosos em pa\u00edses da Cortina de Ferro, como Hungria, Iugosl\u00e1via e Checoeslov\u00e1quia. Uma fa\u00e7anha inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Mais times<br \/>\nA extinta Prudentina trazia para Ribeir\u00e3o o goleiro Glauco, o meia Lopes e Ademar Pantera. O Corinthians de Prudente tinha o meia-esquerda Z\u00e9 Amaro e o lateral Sabir\u00fa. O Taubat\u00e9 vinha com Mazolinha, Teck, Henrique, Almir e Machadinho.<br \/>\nO Noroeste de Bauru podia trazer Toninho Guerreiro, Davi (cunhado de Pel\u00e9), o goleiro Juli\u00e3o ou o atacante Baroninho.<br \/>\nA Portuguesa Santista vinha com Samaroni, Cl\u00f3vis, Aparecido, Pixu, Adelson, Marcos ou D\u00e9. O Am\u00e9rica de Rio Preto tinha Valtinho, Bertolino, Ambr\u00f3sio, Cuca e Dirceu.<br \/>\nO \u201cencardido\u201d Juventus atazanava nossos clubes com o central Buzzeto, Lanzoninho, Suingue ou o goleiro Bernardino.<br \/>\nA Portuguesa de Desportos era uma exce\u00e7\u00e3o. Hospedava-se no Palace Hotel, ao lado do Pedro II. Jogadores como Djalma Santos, Brand\u00e3ozinho, Julinho e o central Dit\u00e3o podiam ser vistos nos bancos da Pra\u00e7a XV.<br \/>\nMuitos dos jogadores citados j\u00e1 morreram. Com eles, o futebol de Ribeir\u00e3o tamb\u00e9m morreu um pouco. O Comercial est\u00e1 entre a 3\u00aa e  2\u00aa Divis\u00e3o h\u00e1 20 anos. O Botafogo tamb\u00e9m se apegou \u00e0 3\u00aa e 2\u00aa Divis\u00e3o. E o torcedor est\u00e1 perdendo a identidade com nossos clubes<br \/>\nJornal A Cidade de RP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ribeir\u00e3o-pretanos acostumados com Botafogo e Comercial na ent\u00e3o 1\u00aa Divis\u00e3o do futebol paulista, lembram que jogos como o de hoje n\u00e3o agu\u00e7am tanto a rivalidade do torcedor local. \u201cBom era quando o Corinthians enfrentava o Comercial e n\u00f3s \u00edamos a Palma Travassos torcer contra. Ou vice-versa. 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