{"id":5846,"date":"2008-03-10T16:11:23","date_gmt":"2008-03-10T19:11:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/10\/seus-titulos-e-glorias-fizeram-de-didi-o-maior-meia-do-futebol-brasileiro\/"},"modified":"2008-03-10T16:11:23","modified_gmt":"2008-03-10T19:11:23","slug":"seus-titulos-e-glorias-fizeram-de-didi-o-maior-meia-do-futebol-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5846","title":{"rendered":"Seus t\u00edtulos e gl\u00f3rias fizeram de Didi o maior meia do futebol brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu sempre tive muito carinho por ela. Porque se n\u00e3o a tratarmos com carinho, ela n\u00e3o obedece. Quando ela vinha, eu a dominava, ela obedecia. \u00c0s vezes ela ia por ali, e eu dizia: \u2018Vem c\u00e1, filhinha\u2019, e a trazia. Eu pegava de calo, de joanete, e ela estava ali, obediente. Eu a tratava com tanto carinho como trato minha mulher. Tinha por ela um carinho tremendo. Porque ela \u00e9 fogo. Se voc\u00ea a maltratar, quebra a perna. \u00c9 por isso que eu digo: \u2018Rapazes, vamos, respeitem. Esta \u00e9 uma menina que tem que ser tratada com muito amor&#8230;\u2019 Conforme o lugarzinho em que a tocarmos, ela toma um destino\u201d.<br \/>\n(Valdir Pereira, o Didi, sobre o trato com a bola)<\/p>\n<p> \u201cQuando eu jogava futebol, se pudesse, tinha sempre que p\u00f4r uma bolinha embaixo da cama. Quando eu acordava, tocava nela, e sentia, tinha sensibilidade, dava o toque inicial nela, dizendo: \u2018ela est\u00e1 a\u00ed\u2019\u201d.<br \/>\n(Valdir Pereira, o Didi, sobre a bola)<\/p>\n<p> \u201cEu n\u00e3o precisava correr. Quem precisava correr era a bola. Eu dava um passe de 40 metros, para que que eu vou correr quase 35 metros para poder dar um passe de 5, se eu posso dar um passe de 40\u201d.<br \/>\n(Valdir Pereira, o Didi, sobre a sua facilidade em fazer lan\u00e7amentos)<\/p>\n<p> \u201cEu tive uma satisfa\u00e7\u00e3o \u00edntima quando fiz o primeiro gol do Maracan\u00e3, em 1950. Eu passei duas noites sem dormir e sempre procurava passar perto do Maracan\u00e3. Pensava: \u2018Puxa, eu inaugurei esse neg\u00f3cio, isso a\u00ed vai ter uma placa\u2019. S\u00f3 o dia que destru\u00edrem esse est\u00e1dio que v\u00e3o esquecer do Didi, que fez o primeiro gol\u201d.<br \/>\n(Valdir Pereira, o Didi, sobre ter feito o primeiro gol do Maracan\u00e3)<\/p>\n<p> \u201cEu gostaria que a m\u00e1quina do tempo recuasse um pouquinho e desse a oportunidade para voc\u00eas que n\u00e3o me viram e n\u00e3o tiveram a felicidade de ver um N\u00edlton Santos, um Garrincha, um Pel\u00e9, um Didi, um Zizinho&#8230; Queria que a m\u00e1quina do tempo recuasse um pouquinho e fizesse um jogo entre 1958 e 1970&#8230; e seria o espet\u00e1culo da terra. Meio tempo Pel\u00e9 no time de 58, e meio tempo Pel\u00e9 no time de 70. Seria uma coisa fant\u00e1stica\u201d.<br \/>\n(Valdir Pereira, o Didi, sobre os grandes jogadores de sua \u00e9poca)<\/p>\n<p>N\u00e3o se podia desejar mais de um homem, ou por outra: n\u00e3o se podia desejar mais de um brasileiro. Ningu\u00e9m que jogasse com mais gana, mais garra, e, sobretudo, com mais seriedade. Nem sempre marcava gols. Mas estava, fatalmente, por tr\u00e1s dos tentos alheios. Era ele quem amaciava o caminho, quem desmontava a defesa inimiga com seus lan\u00e7amentos em profundidade. Com uma simples ginga de corpo, liquidava o marcador. E nas horas em que os companheiros pareciam aflitos, ele, com sua calma l\u00facida, o seu clarividente m\u00e9tier, prendia a bola e tratava de evitar um caos poss\u00edvel\u201d.<br \/>\n(Nelson Rodrigues, jornalista, escritor e dramaturgo, ap\u00f3s a vit\u00f3ria do Brasil contra a Su\u00e9cia na Final da Copa do Mundo de 1958)<\/p>\n<p> \u201cCom suas gingas maravilhosas, ele, em pleno jogo, dava a sensa\u00e7\u00e3o de que lhe pendia do peito n\u00e3o a camisa normal, mas um manto de cetim azul, com barra de arminho\u201d.<br \/>\n(Nelson Rodrigues, jornalista, escritor e dramaturgo, ap\u00f3s a vit\u00f3ria do Brasil contra a Su\u00e9cia na Final da Copa do Mundo de 1958)<\/p>\n<p> \u201cCom sua voz bonita, parecida com a do locutor Luiz Jatob\u00e1 e levemente pachola, ele caprichava na escolha das palavras. N\u00e3o chamava a bola de bola, mas de \u201cmenina\u201d. Orgulhava-se de nunca ter pisado nela com as travas da chuteira \u2013 era como se jogasse de polainas. Quando entrava em campo, observava como este ou aquele advers\u00e1rio suspirava de admira\u00e7\u00e3o e o namorava com os olhos. Didi decidia: \u201cEsse \u00e9 meu f\u00e3. \u00c9 para cima dele que eu vou\u201d. Reinava no gramado com seu porte alto, ereto, os olhos \u00e0 altura da linha do horizonte. Nunca punha a cabe\u00e7a na bola \u2013 a cabe\u00e7a fora feita para pensar, n\u00e3o para dar marradas. E, embora fosse um mestre do drible, s\u00f3 driblava em \u00faltimo recurso. Seu forte eram os passes de quarenta metros, de curva, que pareciam ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cabe\u00e7a do advers\u00e1rio e se desviavam, caindo de colher para o companheiro\u201d.<br \/>\n(Ruy Castro, jornalista e escritor)<\/p>\n<p> \u201cDidi d\u00e1 vida \u00e0 bola. Faz ela falar.\u201d<br \/>\n(Companheiros de Didi na Copa do Mundo de 1958)<\/p>\n<p> &#8220;Didi, do chute obl\u00edquo e dissimulado como o olhar de Capitu.&#8221; (Armando Nogueira, jornalista e escritor)<\/p>\n<p> &#8220;Se eu e N\u00edlton estiv\u00e9ssemos no Mundial da Inglaterra, n\u00e3o haveria aquele fiasco. Aquela gente ia ver quem tinha gasolina no tanque.&#8221;<br \/>\n(Didi, ex-meia da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, sobre N\u00edlton Santos e a Copa de 66)<\/p>\n<p> &#8220;O estilo era cadenciado, lento. Bola de p\u00e9 em p\u00e9 para n\u00e3o gastar energia. Afinal, se somadas, nossas idades passariam de mil anos!&#8221;<br \/>\n(Didi, sobre o estilo de jogo brasileiro na Copa do Chile, em 62)<\/p>\n<p> &#8220;Foi uma honra jogar com eles. Eram todos craques.&#8221;<br \/>\n(G\u00e9rson, ex-craque da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, prestando sua homenagem a Didi, N\u00edlton Santos, Garrincha e outros, com quem atuou no Botafogo)<\/p>\n<p> &#8220;Herdei do Mestre Ziza o bast\u00e3o de organizador de jogadas do futebol brasileiro&#8221;<br \/>\n(Didi, o maior meia da hist\u00f3ria do futebol brasileiro)<\/p>\n<p>Um dos maiores jogadores de todos os tempos. Habilidade e vis\u00e3o de jogo fora do comum, lan\u00e7amentos longos e gols espetaculares eram algumas caracter\u00edsticas desse que foi o maior meia do futebol brasileiro. Driblava apenas quando necess\u00e1rio, mas com extrema categoria e efici\u00eancia. Negro, alto, de porte esguio, n\u00e3o olhava para a bola, mantendo sempre a eleg\u00e2ncia, o que lhe valeu o apelido de \u201cPr\u00edncipe Et\u00edope\u201d. Jogador de meio-campo, era um meia original e moderno para o seu tempo, marcando e atacando com a mesma intensidade.<br \/>\nSua hist\u00f3ria como jogador profissional come\u00e7ou aos 16 anos, no Americano de Campos, em 1945. Teve passagens r\u00e1pidas pelo Len\u00e7oense, de S\u00e3o Paulo (1945) e pelo Madureira (1946). Se firmou como profissional no Fluminense, onde jogou e foi \u00eddolo de 1946 a 1956.  Pelo tricolor, marcou 92 gols em 274. Foi eleito o melhor meia da hist\u00f3ria do clube carioca. Descontente com o tratamento que o clube lhe dava, foi negociado com o Botafogo, onde jogou de 1956 a 1958. \u00c9 considerado unanimamente um dos maiores jogadores do alvinegro, ao lado de Garrincha e N\u00edlton Santos. No total, foram 313 jogos e 113 gols pelo Botafogo.<\/p>\n<p>Saiu do Botafogo para jogar e ganhar dinheiro no Real Madrid de Puskas e Di St\u00e9fano, onde jogou de 1959 a 1961. A passagem pelo exterior foi conturbada. O jogador n\u00e3o se adaptou e acusou os astros da equipe de boicotarem o seu futebol. Voltou da Espanha para o Botafogo, onde jogou entre 1961 e 1962. Teve ainda uma breve passagem pelo S\u00e3o Paulo em 1963. No ano seguinte, encerrou a carreira de jogador e iniciou a de treinador no Sporting Cristal, do Peru. Foi treinador da sele\u00e7\u00e3o peruana na Copa de 1970, na Turquia e na Ar\u00e1bia Saudita, al\u00e9m de times como o River Plate da Argentina, o Fluminense e o Botafogo.<\/p>\n<p>Didi foi um dos jogadores mais criativos de sua \u00e9poca. Criou a famosa \u201cfolha-seca\u201d, um jeito venenoso de bater faltas. A bola subia, despretensiosa. Ao chegar perto do gol, tomava outra dire\u00e7\u00e3o, caindo longe dos bra\u00e7os dos goleiros, lembrando o movimento de uma folha caindo de uma \u00e1rvore.<\/p>\n<p>Alguns fatos marcaram a vida desse magn\u00edfico jogador. Fez o gol inaugural do Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, em 1950, no jogou entre a sele\u00e7\u00e3o de novos do Rio e de S\u00e3o Paulo, com vit\u00f3ria dos paulistas por 2 a 1. Em 1957, depois de ganhar o campeonato carioca pelo Botafogo, atravessou a p\u00e9 a cidade do Rio de Janeiro, cumprindo uma promessa. Ainda em 1957, com uma \u201cfolha-seca\u201d, fez o gol da classifica\u00e7\u00e3o do Brasil nas eliminat\u00f3rias para a Copa do Mundo de 1958. Na final da Copa, mostrou lideran\u00e7a e comando ao buscar a bola nas redes brasileiras quando do primeiro gol sueco, levando-a at\u00e9 o meio-campo e iniciando ali a virada canarinho.<\/p>\n<p>Foi 4 vezes campe\u00e3o carioca: em 1951 pelo Fluminense e em 1957, 1961\/62 pelo Botafogo. Disputou 3 Copas do Mundo, em 1954, 1958 e 1962. Foi o pilar da conquista da Copa do Mundo de 1958. No mesmo time que tinha Pel\u00e9 e Garrincha, foi considerado o maior jogador da Copa. Foi ainda Bi-Campe\u00e3o Mundial pela Sele\u00e7\u00e3o, em 1962. Jogou 74 partidas pela Sele\u00e7\u00e3o, marcando 21 gols. Est\u00e1 na sele\u00e7\u00e3o de todos os tempos de Fluminense e Botafogo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2000, foi homenageado com uma placa no Maracan\u00e3 (por ter feito o gol inaugural), na cerim\u00f4nia de inaugura\u00e7\u00e3o da primeira etapa da reforma do est\u00e1dio. Ainda neste ano, no dia 24 de janeiro, ao lado de George Best, Van Basten e Zico, entrou para o International Football Hall of Champions, o Hall da Fama da FIFA, onde j\u00e1 est\u00e3o jogadores como Pel\u00e9, Beckenbauer e Cruyff. Com seu jeito peculiar de bater na bola, lan\u00e7amentos perfeitos e dribles desconcertantes, foi inesquec\u00edvel. Seus t\u00edtulos e gl\u00f3rias fizeram de Didi o maior meia do futebol brasileiro.<br \/>\nFonte:Grandes Craques da Hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu sempre tive muito carinho por ela. 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