{"id":5024,"date":"2009-02-06T22:53:04","date_gmt":"2009-02-07T00:53:04","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5024"},"modified":"2014-07-04T18:35:29","modified_gmt":"2014-07-04T21:35:29","slug":"historia-da-divisao-do-acesso-de-sao-paulo-cap-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=5024","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Campeonato de Acesso Paulista &#8211; Cap. I"},"content":{"rendered":"<p>Estamos nos propondo a recontar, \u00e9 isso mesmo, recontar a hist\u00f3ria do campeonato de acesso que em algum momento do passado j\u00e1 foi ditada em prosa e verso pelo brilhante mestre Delphin Ferreira Rocha Netto (1913-2003).<br \/>\nO nosso trabalho contou com a colabora\u00e7\u00e3o desse magn\u00edfico cronista, que permitiu que pud\u00e9ssemos desfrutar de seu acervo. O Sr. Rocha Netto na qualidade de correspondente esportivo, viajava pelo nosso interior afora colhendo mat\u00e9ria para o velho \u201cEsporte Ilustrado\u201d ou para \u201cA Gazeta Esportiva\u201d.<br \/>\nEle foi um dos primeiros a contar \u201ccausos\u201d do futebol caipira e tinha uma maneira \u201csui generis\u201d de relatar os fatos, al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o permanente com a \u201cverdade\u201d dos mesmos.<br \/>\nOutro grande parceiro foi Nelcy Pauleto, que pacientemente coletou a maioria dos resultados da outrora chamada \u201csegundona\u201d. N\u00e3o poderia deixar de citar o nome de J\u00falio Diogo, grande batalhador para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria esportiva brasileira que muito auxiliou com seus arquivos de resultados.<br \/>\nOutros colaboradores foram aparecendo \u00e0 medida que evolu\u00edamos de ano para ano. Nosso trabalho se baseou na reuni\u00e3o de dados, obtidos da pesquisa em bibliotecas, jornais e arquivos p\u00fablicos, portanto, informa\u00e7\u00f5es colhidas em jornais da \u00e9poca.<br \/>\nNossa miss\u00e3o \u00e9 acima de tudo pela preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria esportiva, principalmente do nosso interior. Esse trabalho n\u00e3o \u00e9 conclusivo e estar\u00e1 sujeito a corre\u00e7\u00f5es e complementa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO campeonato de 1947 foi o primeiro da era do profissionalismo envolvendo clubes do interior e pode ser considerado como \u201cbal\u00e3o de ensaio\u201d para o primeiro campeonato de acesso que seria realizado em 1948. Esse campeonato foi tamb\u00e9m o primeiro da era profissional envolvendo clubes do interior e n\u00e3o contemplava o acesso.<br \/>\nA id\u00e9ia de um campeonato de acesso nasceu da necessidade de se acabar com o chamado \u201camadorismo marrom\u201d que vigorava entre as agremia\u00e7\u00f5es do interior.<br \/>\nNaquele tempo os clubes profissionais \u201ctiravam\u201d os melhores valores provenientes do interior, atrav\u00e9s de um dep\u00f3sito simb\u00f3lico na Federa\u00e7\u00e3o. \u201cAmadores\u201d estes que eram lapidados com muito carinho pelos seus clubes de origem.<br \/>\nPara por fim a esse disparate, o XV Piracicaba e mais 13 agremia\u00e7\u00f5es do interior resolveram, com a ajuda da Federa\u00e7\u00e3o Paulista, implantar o profissionalismo no interior. Assim os clubes \u201cprendiam\u201d seus atletas atrav\u00e9s de contratos, para poder se protegerem dos ataques dos clubes da capital e do Rio.<br \/>\nOs acertos para a implanta\u00e7\u00e3o do profissionalismo foram finalizados em 1946 e em 1947 foi realizado o campeonato que mencionamos acima.<br \/>\n\u00c9 importante frisar que uma das figuras que mais colaborou para a implanta\u00e7\u00e3o da lei do acesso foi Roberto Gomes Pedrosa (1914-1954), ex atleta e presidente da Federa\u00e7\u00e3o Paulista, precocemente falecido no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es como mandat\u00e1rio m\u00e1ximo do futebol em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nMas vamos ao Primeiro Campeonato Profissional envolvendo clubes do interior.<br \/>\nApesar de ser pouco lembrado, foi um campeonato muito importante para o XV de Piracicaba, pois serviu para a montagem da equipe que conquistaria o primeiro campeonato da Lei de Acesso de 1948.<br \/>\nO campeonato iniciou em meados de maio de 1947 e terminou em dezembro do mesmo ano. Como j\u00e1 foi dito anteriormente, foi disputado por 14 agremia\u00e7\u00f5es pelo sistema de turno e returno, todos contra todos.<br \/>\nA disputa foi ferrenha e emocionante, ora se alternava na lideran\u00e7a o XV, ou Taubat\u00e9, ora a Ponte Preta ou Batatais.<\/p>\n<p>O jogo decisivo:<br \/>\nDesfalcado de Rabeca e Strauss, o XV enfrentou pela \u00faltima rodada a agremia\u00e7\u00e3o da Palmeiras, da cidade de Franca, equipe j\u00e1 extinta. O jogo era pela \u00faltima rodada e o Taubat\u00e9 torcia por um trope\u00e7o do XV para tentar a conquista do campeonato<br \/>\nJogo: XV de Piracicaba 1 x 0 Palmeiras<br \/>\nData: 21\/12\/47<br \/>\nLocal: Franca<br \/>\n\u00c1rbitro: Ot\u00e1vio Richter<br \/>\nGol: Henrique aos 43\u2032 do 2\u00ba tempo<br \/>\nXV: Bertolucci; Elias e Idiarte; Cardoso, Changai e Adolfinho; Curtinho, Sato, Gat\u00e3o, Berto e Henrique. T\u00e9cnico: Humberto Cabelli<br \/>\nPalmeiras: Paulo; Zez\u00e3o e Joacir; Marreta, Cazeca e Tost\u00e3o; Nen\u00e9, Marinho, Cabelo, Pacu e L\u00f3gico. T\u00e9cnico: nd<\/p>\n<p>Campanha do Campe\u00e3o:<br \/>\n1\u00ba Turno 2\u00ba Turno<br \/>\n18\/05\/47: XV 2 x 0 Mogiana 07\/09\/47: XV 4 x 0 Botafogo<br \/>\n25\/05\/47: XV 6 x 2 S\u00e3o Bento 14\/09\/47: Mogiana 1 x 3 XV<br \/>\n01\/06\/47: Guarani 2 x 2 XV 21\/09\/47: XV 1 x 0 Barretos<br \/>\n08\/06\/47: XV 3 x 2 Sanjoanense 23\/09\/47: S\u00e3o Bento 4 x 1 XV<br \/>\n15\/06\/47: Rio Branco 0 x 5 XV 07\/10\/47: XV 3 x 0 Rio Branco<br \/>\n22\/06\/47: Batatais 1 x 1 XV 19\/10\/47: Sanjoanense 1 x 1 XV<br \/>\n06\/07\/47: XV 6 x 2 Palmeiras 26\/10\/47: XV 3 x 3 Internacional<br \/>\n13\/07\/47: Botafogo 0 x 3 XV 01\/11\/47: Ponte Preta 1 x 1 XV<br \/>\n20\/07\/47: XV 4 x 1 Ponte Preta 23\/11\/47: Francana 1 x 1 XV<br \/>\n27\/07\/47: Internacional 3 x 0 XV 30\/11\/47: XV 1 x 1 Batatais<br \/>\n10\/08\/47: XV 2 x 1 Taubat\u00e9 07\/12\/47: Taubat\u00e9 3 x 3 XV<br \/>\n17\/08\/47: Barretos 2 x 1 XV 14\/12\/47: XV 4 x 0 Guarani<br \/>\n24\/08\/47: XV 6 x 2 Francana 21\/12\/47: Palmeiras 0 x 1 XV<\/p>\n<p>Balan\u00e7o geral: Jogos: 26; Vit\u00f3rias: 14; Empates: 9, Derrotas: 3, Gols marcados: 68, Gols sofridos: 35, Saldo: 33<\/p>\n<p>Equipe base do campe\u00e3o:<br \/>\nBertolucci; Idiarte e M\u00e1rio Renzi; Cardoso, Straus e Adolfinho; Cardeal, Berto, Gat\u00e3o, Sato e Rabeca. Tamb\u00e9m jogaram: Picolino, Rubens, Henrique, Changai, Curtinho, Elias, Luis Foltran, T\u00e3o, Bita Pixe e Cardinalli. T\u00e9cnico: Humberto Cabelli<br \/>\nDestaques: Antonio Bertolucci, goleiro que mais tarde defenderia o S\u00e3o Paulo Futebol Clube. Idiarte Massariol, segundo Rocha Netto, \u00e9 o jogador s\u00edmbolo da hist\u00f3ria do XV. Vicente Naval Filho (1928-1995), o Gat\u00e3o, defenderia mais tarde o Corinthians e ap\u00f3s encerrar a carreira foi t\u00e9cnico. Sato, o jogador mais cerebral da equipe, seu \u201cesp\u00edrito amador\u201d, impediu de jogar nas grandes equipes. Hoje vive em Sorocaba como agr\u00f4nomo aposentado.<\/p>\n<p>Curiosidades:<br \/>\n\u2022 Artilheiro m\u00e1ximo do campeonato: Rivetti (Sanjoanense) com 20 gols;<br \/>\n\u2022 Outros goleadores: Hugo (Taubat\u00e9), Pedrinho (Mogiana) e Rabeca (XV) todos com 19 gols, Tonho Rosa (Batatais) com 18 gols, Perruche (Taubat\u00e9) com 17 gols, Ti\u00e3o (Taubat\u00e9) com 16 gols;<br \/>\n\u2022 Goleiros mais vazados:<br \/>\nNelson (Barretos): 40 gols, Magalh\u00e3es (Mogiana): 38 gols, Paulo (Palmeiras): 37 gols, Jos\u00e9 (Taubat\u00e9): 36 gols;<br \/>\n\u2022 Goleiros menos vazados:<br \/>\nBarone (Botafogo) com 29 gols, Jura (S\u00e3o Bento) com 30 gols e Costa (Rio Branco) com 31 gols; Ari (Sanjoanense): 32 gols;<br \/>\n\u2022 Maior goleada: Internacional (Limeira) 10 x 2 Palmeiras (Franca) em 8\/6\/1947;<br \/>\n\u2022 Equipes que se destacaram:<br \/>\nTaubat\u00e9: Zez\u00e3o; Bibide e Orestes; Dunga, Gute e Juju; Ti\u00e3o, Renato, Gerson, Hugo e Perruche;<br \/>\nPonte Preta: Fia; Alcides e Stalingrado, Nego, Oscar e Oliveira; Dami\u00e3o, Bruninho, Cacique, Vicente (Gaiola) e Armandinho. T\u00e9cnico: Jos\u00e9 Guillermo Agnelli (1912-1998);<br \/>\nBatatais: Jo\u00e3ozinho; Piolim e Antero; Moacir, Lu\u00eds Lopes e Itamar; Dema, Renatinho, Tonho Rosa, Dirceu e Carlito. T\u00e9cnico: Tito Rodrigues\/Conrado Ross de Marco;<br \/>\n\u2022 Mauro Ramos de Oliveira (1930-2002), capit\u00e3o da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira na conquista do bicampeonato no Chile, jogou nesse ano na Sanjoanense, transferindo-se no ano seguinte para o S\u00e3o Paulo;<br \/>\n\u2022 Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Silva, o Piromb\u00e1 (Barretos) fez parte daquela c\u00e9lebre equipe do Sport Recife que excursionou pelo sul do Brasil em 1942, faziam parte daquela equipe Ademir de Menezes (1922-1996) e Magri;<br \/>\n\u2022 Jos\u00e9 Chagas, o Eca (Francana), seria o treinador da Francana no acesso de 1977;<br \/>\n\u2022 M\u00e1rio Marcos Gaiola (Ponte Preta) seria campe\u00e3o em 1951 com o XV de Ja\u00fa;<br \/>\n\u2022 Antonio Justino Figueiredo Rosa (? -2001), o Tonho Rosa (Batatais), era o \u201ccraque fazendeiro\u201d, filho de uma fam\u00edlia de posses, passava o tempo \u201cbatendo uma bolinha\u201d. Foi considerado um dos melhores jogadores do interior e encerrou a carreira em 1957 na Francana, agremia\u00e7\u00e3o que defendeu na maior parte das vezes. Seu irm\u00e3o Lu\u00eds Cl\u00f3vis Rosa (1922-?) atuou muitas vezes com Tonho e chegou a ser cogitado como substituto de Le\u00f4nidas da Silva (1913-2004) quando da sua despedida no S\u00e3o Paulo;<br \/>\n\u2022 Antonio Rosol\u00e9m (1928-2005), o Rosal\u00e9m (Rio Branco), jogaria mais tarde pelo Corinthians onde seria campe\u00e3o paulista de 1950;<br \/>\n\u2022 Revela\u00e7\u00f5es do campeonato: Mauro (Sanjoanense), Piolim (Guarani), Gat\u00e3o (XV), Hugo (Taubat\u00e9) e Perruche (Taubat\u00e9).<\/p>\n<p>fila da esquerda p\/ direita: Bertolucci, Idiarte, M\u00e1rio Renzi, Cardoso, Straus e Adolfinho;<br \/>\nSegunda fila na mesma ordem: Cardeal, Berto, Gat\u00e3o, Sato, Rabeca, Picolino, Rubens, Henrique;<br \/>\n\u00daltima fila: T\u00e3o, Elias, Cardinalli, Luisinho, Changai, Pixe, Curtinho e Brito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos nos propondo a recontar, \u00e9 isso mesmo, recontar a hist\u00f3ria do campeonato de acesso que em algum momento do passado j\u00e1 foi ditada em prosa e verso pelo brilhante mestre Delphin Ferreira Rocha Netto (1913-2003). 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