{"id":4838,"date":"2009-09-04T12:21:58","date_gmt":"2009-09-04T15:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cacellain.com.br\/2009\/09\/04\/historias-das-arquibancadas\/"},"modified":"2009-09-04T12:21:58","modified_gmt":"2009-09-04T15:21:58","slug":"historias-das-arquibancadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=4838","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias das arquibancadas"},"content":{"rendered":"<p>Por Celso Unzelte<br \/>\nAs tr\u00eas hist\u00f3rias a seguir aconteceram nos jogos Palmeiras x Deportivo Cali (final da Libertadores de 99), Corinthians x Inter (decis\u00e3o da Copa do Brasil de 2009) e em um cl\u00e1ssico entre Remo e Paysandu. Mas poderiam ter acontecido em qualquer arquibancada.<\/p>\n<p>********************************************************************************<\/p>\n<p>A primeira me foi contada pelo amigo Walter Mazzuchelli, o popular Anjinho, velho companheiro na profiss\u00e3o e na vida desde os tempos de Placar. Foi presenciada por ele na noite de 16 de junho de 1999, quando o Palmeiras foi campe\u00e3o da Libertadores.<\/p>\n<p>Depois da vit\u00f3ria do Deportivo C\u00e1li, na Col\u00f4mbia, por 1 a 0, e dos 2 a 1 do Palmeiras naquela noite, no Parque Antarctica, a decis\u00e3o teve que ir para os p\u00eanaltis. Nas arquibancadas, uma fam\u00edlia de Sorocaba, interior de S\u00e3o Paulo, que havia viajado at\u00e9 a capital especialmente para assistir ao jogo, insistia para que um garoto de cerca de 10 anos ficasse de costas para o campo na hora em que Zinho se preparava para a primeira cobran\u00e7a do Palmeiras. \u201cEle n\u00e3o pode olhar para o campo, de jeito nenhum\u201d, explicava o pai, desesperado. \u201cToda vez que o Palmeiras cobra um p\u00eanalti e ele v\u00ea, a bola acaba n\u00e3o entrando.\u201d Ningu\u00e9m estava ligando muito para a supersti\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ver o chute de Zinho estourar no travess\u00e3o.<\/p>\n<p>Dali para a frente, n\u00e3o s\u00f3 o pai ou a fam\u00edlia, mas todos os palmeirenses que estavam em volta passaram a pedir pelo amor de Deus para que o garoto ficasse de costas para o campo. Foi um sacrifico segur\u00e1-lo de uma maneira que, mesmo esperneando, ele n\u00e3o visse todas as outras cobran\u00e7as, efetuadas por J\u00fanior Baiano, Roque J\u00fanior, Rog\u00e9rio e Euller. Mas valeu a pena: coincid\u00eancia ou n\u00e3o, naquela noite, deu Palmeiras, 4 a 3.<\/p>\n<p>********************************************************************************<\/p>\n<p>A segunda aconteceu comigo. No primeiro jogo da decis\u00e3o da Copa do Brasil, entre Corinthians e Inter, no Pacaembu, o torcedor corintiano assistia das arquibancadas, espremido entre uma jovem e uma senhora perto dos 80 anos. Naquela noite, o Corinthians chegou sem grande drama aos 2 a 0, mas a partir dali teve que fazer das tripas cora\u00e7\u00e3o para n\u00e3o sofrer nenhum gol em casa e, assim, viajar com uma boa vantagem para Porto Alegre, conforme reza o regulamento.<\/p>\n<p>A cada chute do Inter contra o gol de Felipe, o torcedor corintiano se contorcia. At\u00e9 que, sem querer, ro\u00e7ou seu bra\u00e7o no da mo\u00e7a que estava \u00e0 sua direita. E cismou que se n\u00e3o ro\u00e7asse o bra\u00e7o tamb\u00e9m na velhinha que estava \u00e0 esquerda, \u201cigualando\u201d, assim, as coisas, o Corinthians acabaria tomando um gol.<\/p>\n<p>Foto: GazetaPress<br \/>\n[img:felipe_615x375_gp.jpg,resized,vazio]<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, logo depois, foi a velhinha que ro\u00e7ou o bra\u00e7o no dele. E o rapaz se viu, ent\u00e3o, na obriga\u00e7\u00e3o de ro\u00e7ar o dele novamente no da mo\u00e7a, igualando as coisas mais uma vez. E assim foi durante o resto dos 90 minutos, tudo para que o Corinthians n\u00e3o tomasse um gol.<\/p>\n<p>O jogo, enfim, terminou com a vit\u00f3ria corintiana por 2 a 0, e s\u00f3 ent\u00e3o o rapaz p\u00f4de se desculpar, explicando \u00e0s duas que, se por acaso elas tivessem sentido todo aquele ro\u00e7a-ro\u00e7a durante a partida, havia sido por mera supersti\u00e7\u00e3o da parte dele. &#8220;Ah, que pena&#8230; Ent\u00e3o era s\u00f3 por causa disso?&#8221;, respondeu a velhinha, visivelmente decepcionada.<\/p>\n<p>********************************************************************************<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, uma hist\u00f3ria que vem do norte do Pa\u00eds, contada por Amaro Klautau, o simp\u00e1tico presidente do Clube do Remo, que esteve em S\u00e3o Paulo para o lan\u00e7amento do livro infantil Todo-Poderoso Tim\u00e3o em quadrinhos, do craque Ziraldo.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera de um cl\u00e1ssico entre Remo e Paysandu, dois caboclos do interior paraense, ambos torcedores do Remo, resolveram ir para Bel\u00e9m ver o jogo. Para isso, tiveram que cruzar um rio com uma embarca\u00e7\u00e3o rudimentar, daquelas com p\u00e9ssima veda\u00e7\u00e3o, que t\u00eam mais \u00e1gua dentro do que fora. Por isso, combinaram que enquanto um ia remando o outro ia tirando a \u00e1gua de dentro da canoa com uma cuia. E assim acabaram chegando.<\/p>\n<p>No est\u00e1dio, os dois se sentaram por engano no meio da torcida do Paysandu. Pior: na hora do gol do Remo, n\u00e3o se aguentaram e levantaram para gritar. Logo apareceu por tr\u00e1s deles um enorme torcedor do Paysandu, que disse para a multid\u00e3o: \u201cPessoal, esses dois s\u00e3o do Remo!\u201d<\/p>\n<p>Um deles, ent\u00e3o, tratou logo de tirar o corpo fora: &#8220;Eu n\u00e3o sou, n\u00e3o senhor, eu n\u00e3o sou. Eu sou \u00e9 o da cuia&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Jornalista e pesquisador, Celso \u00e9 professor de jornalismo e comentarista do canal ESPN Brasil, no qual participa do programa \u201cLoucos por Futebol\u201d. Tamb\u00e9m colabora com especiais para as revistas Placar e Quatro Rodas. Celso escreve semanalmente para o Yahoo! Esportes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Celso Unzelte As tr\u00eas hist\u00f3rias a seguir aconteceram nos jogos Palmeiras x Deportivo Cali (final da Libertadores de 99), Corinthians x Inter (decis\u00e3o da Copa do Brasil de 2009) e em um cl\u00e1ssico entre Remo e Paysandu. 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