{"id":4831,"date":"2009-07-28T18:13:15","date_gmt":"2009-07-28T21:13:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cacellain.com.br\/2009\/07\/28\/chutar-a-bola-com-efeito\/"},"modified":"2009-07-28T18:13:15","modified_gmt":"2009-07-28T21:13:15","slug":"chutar-a-bola-com-efeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=4831","title":{"rendered":"Chutar a bola com efeito"},"content":{"rendered":"<p>Chutar a bola com efeito (quando a bola faz uma curva) \u00e9 um grande truque para passar pela barreira que est\u00e1 l\u00e1 para impedir que a bola possa atingir o gol percorrendo uma linha reta.   Acredita-se que o inventor do chute com efeito foi o jogador Valdir Pereira, o Didi,  um dos maiores jogadores brasileiros das d\u00e9cadas de 40 e 50 do s\u00e9culo passado. Conta a lenda que num certo jogo, Didi estava com o p\u00e9 machucado e n\u00e3o podendo chutar normalmente, resolveu chutar com o lado do p\u00e9.  Bom, o que aconteceu, todos sabem&#8230; A bola fez uma trajet\u00f3ria curva, nunca vista antes  , pois a curva que a bola fazia lembrava o formato de uma folha seca.<br \/>\n[img:e_a_folha_seca.jpg,thumb,vazio]<br \/>\n O curso da bola deixou de ser previs\u00edvel e a bola passou a tra\u00e7ar uma curva invertida em rela\u00e7\u00e3o a que era tradicional. Al\u00e9m da curva invertida, a bola ca\u00eda como se a lei da gravidade se aplicasse a apenas um certo ponto. Na \u00e9poca, o grande comentarista Luis Mendes, com sua percep\u00e7\u00e3o agu\u00e7ada, batizou a novidade introduzida por Didi de \u201cFolha Seca\u201d.<br \/>\nOuvi num destes domingos o Luiz Mendes falando no programa &#8220;Enquanto a Bola n\u00e3o Rola&#8221;  da r\u00e1dio Globo:  ele estava deitado debaixo de uma \u00e1rvore e observou a folha caindo. Percebeu qua a ca\u00edda era em local ignorado. E deu assim o nome de Folha Seca para os chutes do Didi.<\/p>\n<p>\u201cFolha Seca\u201d exatamente por isso: um movimento imprevis\u00edvel de uma folha caindo no outono, que de repente deixava de obedecer ao balan\u00e7o do vento, e ca\u00eda.  Talvez o exemplar mais espetacular de um chute de longa dist\u00e2ncia de \u201cFolha Seca\u201d tenha sido o gol que Didi marcou na Copa da Fran\u00e7a em 1958.<br \/>\nDesde ent\u00e3o muito jogadores usam com maestria o chute de efeito.<\/p>\n<p>No futebol todos sabem o que tem que acontecer com a bola para que ela tenha efeito: ao ser chutada ao mesmo tempo que ela percorre uma trajet\u00f3ria, a bola deve girar em torno de si mesma. Por isso voc\u00ea tem que bater no lado da bola, n\u00e3o no centro dela.<br \/>\n[img:trajet__ria_da_bola_1.gif,thumb,vazio]<\/p>\n<p>1957, BRASIL 1 X 0 PERU: A FOLHA SECA<br \/>\n[img:o_gol_da_folha_seca.jpg,thumb,vazio]<br \/>\n Sem esse gol o Brasil n\u00e3o jogaria na Copa da Su\u00e9cia.<br \/>\nDidi n\u00e3o precisaria ter feito mais nada.<br \/>\nS\u00f3 esse gol&#8230;<\/p>\n<p>Um pequeno exemplo pode ser medido pelo que disse ap\u00f3s ver a Copa do Mundo de 1958 o franc\u00eas Gabriel Hanor, do jornal &#8220;L&#8217;Equipe&#8221; e da revista &#8220;France Football&#8221;: &#8220;Esse homem \u00e9, na verdade, uma p\u00e9rola negra muito rara e valiosa, que todo amante do bom futebol deve procurar ver e relembrar para todo o sempre. Afinal, n\u00e3o \u00e9 muito comum aparecer um jogador com tais virtudes, em qualquer parte que seja. E Didi \u00e9 a um s\u00f3 tempo artista, malabarista e jogador de futebol. Um passe seu de 50 metros equivale a meio gol. E quando chuta suas bolas fazem como o pr\u00f3prio mundo: giram, giram, giram&#8230; E tra\u00e7am irremediavelmente, uma par\u00e1bola fat\u00eddica para o melhor dos arqueiros&#8221;.<br \/>\n[img:recorda____es_da_copa_58.jpg,thumb,vazio]<\/p>\n<p>Hanor viu o artista, o malabarista. O brasileiro Armando Nogueira viu a genialidade: &#8220;Com uma perfeita no\u00e7\u00e3o espacial, o exuberante Didi tamb\u00e9m \u00e9 capaz de, com o seu profundo conhecimento do jogo, criar uma excepcional situa\u00e7\u00e3o de gol. Onde, antes, ela aparentemente n\u00e3o existia. E esta \u00e9, sem d\u00favida, a grande virtude que distingue o g\u00eanio do simples talento do futebol: a capacidade de antever a jogada.&#8221;<\/p>\n<p>O dramaturgo Nelson Rodrigues criou um apelido inesquec\u00edvel: &#8220;O Pr\u00edncipe Et\u00edope&#8221;, tal a eleg\u00e2ncia com que Didi criava uma jogada. Eleg\u00e2ncia esta, que levava para fora de campo. Que criou ci\u00fames com a primeira mulher, e o levou \u00e0 irresist\u00edvel cantora baiana Guiomar, paix\u00e3o de sua vida. Sim, por obra e gra\u00e7a do destino, Didi tinha o dom de ser elegante sem abrir m\u00e3o da firmeza em suas convic\u00e7\u00f5es. Chegou a ser esc\u00e2ndalo e ganhar p\u00e1gina de revistas o fim do primeiro casamento e a uni\u00e3o com Guiomar. Ele encarou a briga com a diretoria do Fluminense ao pedir que n\u00e3o descontassem de seu sal\u00e1rio a parte que tinha que ser descontada para a sua primeira mulher. Queria ele, Didi, dar o dinheiro. No Fluminense n\u00e3o conseguiu e acabou de armas e bagagens no Botafogo, na maior transa\u00e7\u00e3o do futebol brasileiro na \u00e9poca. L\u00e1, ele recebia o sal\u00e1rio e pagava religiosamente o que devia \u00e0 primeira mulher. Mas n\u00e3o era descontado no sal\u00e1rio. Personalidade forte, o novo e eterno amor com o Botafogo e a vida amorosa, animada e agitada com Guiomar, que lhe renderam dois belos frutos, as filhas Rebeca e Lia, marcaram uma grande fase de sua vida.<\/p>\n<p>futebol.incubadora.fapesp.br\/&#8230;\/ conceitos\/didi<br \/>\nhttp:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/prosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chutar a bola com efeito (quando a bola faz uma curva) \u00e9 um grande truque para passar pela barreira que est\u00e1 l\u00e1 para impedir que a bola possa atingir o gol percorrendo uma linha reta. 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