{"id":4758,"date":"2008-11-24T18:54:22","date_gmt":"2008-11-24T20:54:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cacellain.com.br\/2008\/11\/24\/60000-torcedores-foram-a-sao-januario-ver-vasco-1-x-0-arsenal-em-1949\/"},"modified":"2008-11-24T18:54:22","modified_gmt":"2008-11-24T20:54:22","slug":"60000-torcedores-foram-a-sao-januario-ver-vasco-1-x-0-arsenal-em-1949","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=4758","title":{"rendered":"60.000 torcedores foram a S\u00e3o Janu\u00e1rio ver Vasco 1 x 0 Arsenal em 1949"},"content":{"rendered":"<p>Vasco 1&#215;0 Arsenal (Amistoso 1949)<\/p>\n<p>Quebrada a invencibilidade inglesa<\/p>\n<p>Foto da equipe do Vasco no jogo Vasco 1&#215;0 Arsenal, amistoso em 1949. Em p\u00e9: Eli, Augusto, Jorge, Danilo, Barbosa e Sampaio. Agachados: Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Tuta.<br \/>\n[img:Vasco_de_1949.jpg,thumb,vazio]<\/p>\n<p>Foto da equipe do Arsenal no jogo Vasco 1&#215;0 Arsenal, amistoso em 1949. Em p\u00e9: Forbes, Daniel, Swindin, Barnes, Macauley e Smith. Agachados: McPherson, Logie, Rooke, Lishman e Vallance.<br \/>\n[img:Arsenal_de_1949.jpg,thumb,vazio]<\/p>\n<p>Na noite de 25 de maio de 1949, uma quarta-feira, S\u00e3o Janu\u00e1rio recebeu o maior p\u00fablico de sua hist\u00f3ria, no amistoso entre o Vasco e o Arsenal. Havia v\u00e1rios motivos para tanto interesse.<br \/>\nO famoso clube londrino, um dos mais tradicionais e populares da Inglaterra, fundado em 1886 e v\u00e1rias vezes campe\u00e3o ingl\u00eas, havia se sagrado mais uma vez campe\u00e3o na temporada de 1947\/48 e era exaltado como um dos melhores times do mundo. Nunca antes um clube t\u00e3o poderoso e respeitado do velho continente tinha feito uma excurs\u00e3o ao Brasil, quanto mais da Inglaterra, que tinha a aura de inventora do futebol. \u00c9 verdade que v\u00e1rias equipes inglesas j\u00e1 tinham visitado o Brasil, mas quase todas eram ou compostas de tripula\u00e7\u00f5es de navios ingleses (que no princ\u00edpio do s\u00e9culo XX costumavam aplicar goleadas hom\u00e9ricas nos times brasileiros), combinados amadores, ou, no m\u00e1ximo, clubes de segunda divis\u00e3o para baixo. O pr\u00f3prio Vasco, em 1948, j\u00e1 havia derrotado o Southampton, que na \u00e9poca disputava a segunda divis\u00e3o inglesa, por 2&#215;1, em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Mas nenhuma daquelas equipes chegava perto do calibre do Arsenal e n\u00e3o causaram a menor sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje em dia chega a ser dif\u00edcil imaginar a m\u00edstica que o futebol ingl\u00eas ainda conservava naquela \u00e9poca &#8211; em grande parte fomentada pela arrog\u00e2ncia dos pr\u00f3prios ingleses, que se consideravam os donos do futebol e t\u00e3o superiores aos advers\u00e1rios, que esnobavam as Copas do Mundo. Havia no Brasil um encantamento pelo futebol ingl\u00eas que Nelson Rodrigues atribu\u00eda sarcasticamente ao &#8220;complexo de vira-lata do brasileiro&#8221;. Essa admira\u00e7\u00e3o excessiva foi inicialmente refor\u00e7ada pelas atua\u00e7\u00f5es convincentes do Arsenal, que ap\u00f3s tr\u00eas partidas em gramados brasileiros permanecia invicto. Em S\u00e3o Paulo, o Corinthians saiu derrotado e o Palmeiras alcan\u00e7ou um empate a duras penas. No Rio, o Fluminense, refor\u00e7ado por alguns jogadores do Botafogo, foi goleado at\u00e9 com uma certa facilidade, numa partida em que o Arsenal mostrou que, al\u00e9m de uma defesa s\u00f3lida, tamb\u00e9m tinha poder de fogo.<\/p>\n<p>Ainda restava ao Arsenal enfrentar o Vasco e o Flamengo. Em S\u00e3o Paulo e no Rio, multid\u00f5es tinham lotado os est\u00e1dios nas apresenta\u00e7\u00f5es anteriores dos &#8220;Gunners&#8221;, e n\u00e3o poderia ser diferente em S\u00e3o Janu\u00e1rio, agora que passava a ser questionado se alguma equipe seria capaz de se desforrar, quebrando a invencibilidade inglesa. E se algum time no mundo tinha condi\u00e7\u00f5es de realizar tal fa\u00e7anha, esse time era o fabuloso Expresso da Vit\u00f3ria, que vivia a encher a torcida vasca\u00edna de orgulho. Ainda mais que o Vasco aproveitaria o amistoso para promover a estr\u00e9ia da sua mais recente contrata\u00e7\u00e3o, o extraordin\u00e1rio por\u00e9m temperamental Heleno de Freitas, de volta ao Brasil depois de uma temporada no Boca Juniors.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os comentaristas e analistas de futebol previam um duelo de esquemas t\u00e1ticos: O Arsenal ainda utilizava o mesmo sistema WM que havia sido criado l\u00e1 mesmo, em 1925, pelo seu afamado t\u00e9cnico Herbert Chapman, falecido prematuramente em 1934. J\u00e1 o futebol brasileiro, at\u00e9 os anos 40, era considerado taticamente atrasado, pois o WM nunca chegara a emplacar no Brasil. Foi Flavio Costa, t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o, e naquele momento tamb\u00e9m do Vasco, que come\u00e7ou a implantar uma variante do WM que recebeu o nome de &#8220;diagonal&#8221;.<\/p>\n<p>Por tudo isso, a partida entre Vasco e Arsenal foi cercada de uma expectativa enorme, adquirindo at\u00e9 um sabor de decis\u00e3o de mundial de clubes, pois, no ano anterior, o Vasco havia conquistado o t\u00edtulo de campe\u00e3o sul-americano invicto.<\/p>\n<p>A imprensa da \u00e9poca estimou o p\u00fablico que compareceu a S\u00e3o Janu\u00e1rio em torno de 60 mil. Nem em partidas da Sele\u00e7\u00e3o tinha-se visto o ent\u00e3o maior est\u00e1dio do Brasil t\u00e3o apinhado de gente.<br \/>\nCuriosamente, naquela partida contra o Arsenal, segundo o registro oficial, houve apenas pouco mais de 24 mil pagantes e s\u00f3cios, mas que proporcionaram a renda de Cr$ 1.146.150,00, recorde sul-americano na \u00e9poca.<\/p>\n<p>O Vasco entrou em campo com uma das forma\u00e7\u00f5es mais fortes da sua hist\u00f3ria: Barbosa, Augusto e Sampaio; Eli, Danilo e Jorge; Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Tuta. No decorrer da partida, o estreante Heleno e Mario substitu\u00edram respectivamente a Ipojucan e Tuta. Com a entrada de Heleno, o t\u00e9cnico Flavio Costa promovia uma altera\u00e7\u00e3o t\u00e1tica no ataque: Ademir foi exercer a fun\u00e7\u00e3o de ponta-de-lan\u00e7a pelo lado direito, Maneca foi armar o jogo pela meia-esquerda no lugar de Ipojucan, e a posi\u00e7\u00e3o de centroavante foi ocupada por Heleno.<\/p>\n<p>O Arsenal formou com Swindin, Barnes e Smith; Macauley, Daniel e Forbes; McPherson, Logie, Rooke, Lishman e Vallance. Ainda no primeiro tempo, o manager Tom Whittaker colocou Fields em substitui\u00e7\u00e3o a Daniel.<\/p>\n<p>O juiz foi o ingles Mr. Barrick, que teve atua\u00e7\u00e3o regular segundo a revista Esporte Ilustrado, auxiliado pelos brasileiros Mario Vianna e Alberto da Gama Malcher.<\/p>\n<p>Este trecho da reportagem publicada na revista Globo Sportivo descreve como foi o jogo e o lance do gol da vit\u00f3ria cruzmaltina, marcado por Nestor:<\/p>\n<p>O Vasco, depois da estr\u00e9ia, era o indicado como o mais capaz para uma vit\u00f3ria sobre os ingleses. Por isso, o jogo levou uma multid\u00e3o ao Est\u00e1dio de S\u00e3o Janu\u00e1rio. Nervosos, visivelmente emocionados pela sorte que esperava o seu clube favorito. O Vasco esteve bem, atacou mais e n\u00e3o se intimidou com o cartaz dos ingleses. Seus jogadores entraram em campo certos de que poderiam vencer o poderoso Arsenal, a melhor equipe da Inglaterra e uma das melhores do mundo.<\/p>\n<p>O Vasco come\u00e7ou melhor, mas o Arsenal equilibrou. Com as mudan\u00e7as de Tuta e Ipojucan por Mario e Heleno de Freitas, o Vasco ficou com a ofensiva com mais objetividade. Com o Vasco mandando em campo, terminou o primeiro em 0x0. O segundo tempo n\u00e3o mudou muito. O Vasco continuou melhor com o Arsenal procurando equilibrar o jogo no meio campo. Somente aos 33 minutos \u00e9 que o est\u00e1dio explodiu com o gol de Nestor. Um centro de Mario da esquerda que cruzou toda \u00e1rea inglesa sem que o goleiro Swindin conseguisse cortar. Nestor chutou de primeira n\u00e3o dando chance para a defesa inglesa. A vit\u00f3ria foi justa e foi comemorada com entusiasmo, principalmente porque quebrou a invencibilidade do Arsenal.<\/p>\n<p>Foto da comemora\u00e7\u00e3o do gol do Vasco no jogo Vasco 1&#215;0 Arsenal, amistoso em 1949. Nestor (camisa 7) sendo abra\u00e7ado por Heleno, enquanto Ademir, Maneca e Danilo se aproximam para comemorar a marca\u00e7\u00e3o do gol da vit\u00f3ria hist\u00f3rica sobre o decantado futebol ingl\u00eas.<br \/>\n[img:O_gol_do_Vasco.jpg,thumb,vazio]<\/p>\n<p>J\u00e1 a revista Esporte Ilustrado anotou o gol de Nestor aos 38 minutos. Na foto ao lado, publicada pela mesma revista, Nestor (camisa 7) est\u00e1 sendo abra\u00e7ado por Heleno, enquanto Ademir, Maneca e Danilo se aproximam para comemorar a marca\u00e7\u00e3o do tento, que acabou dando ao Vasco a vit\u00f3ria hist\u00f3rica sobre o decantado futebol ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Expresso da Vit\u00f3ria \u00e9 como \u00e9 conhecido o que \u00e9 considerado pela maioria o maior esquadr\u00e3o de futebol da hist\u00f3ria do Club de Regatas Vasco da Gama e um dos maiores do Brasil, que jogou entre 1942 e 1952. A denomina\u00e7\u00e3o teria surgido num programa musical da R\u00e1dio Nacional, onde um cantor, ao se apresentar, disse que dedicaria a m\u00fasica ao Vasco, chamado por ele de &#8220;Expresso da Vit\u00f3ria&#8221;, por atropelar seus advers\u00e1rios em campo.  O Expresso foi o primeiro time brasileiro a ganhar um t\u00edtulo internacional fora do Brasil, o Torneio dos Campe\u00f5es Sul-Americanos. Foram 11 t\u00edtulos em dez anos, sendo desses 5 Cariocas, dois vencidos de forma invicta. Foi tamb\u00e9m a base da sele\u00e7\u00e3o carioca, tricampe\u00e3 do Campeonato Brasileiro de Sele\u00e7\u00f5es Estaduais em 1943, 1944 e 1946 e a base da sele\u00e7\u00e3o brasileira vice-campe\u00e3o do mundo em 50, tendo no elenco da mesma oito jogadores vasca\u00ednos mais o t\u00e9cnico, Fl\u00e1vio Costa.<\/p>\n<p>Jogadores Ilustres<\/p>\n<p>Ademir &#8211; Ademir Marques de Menezes<br \/>\nAugusto &#8211; Augusto da Costa<br \/>\nBarbosa &#8211; Moacir Barbosa<br \/>\nBellini &#8211; Hilderaldo Luiz Bellini<br \/>\nDanilo &#8211; Danilo Alvim<br \/>\nEli &#8211; Ely do Amparo<br \/>\nIpojucan &#8211; Ipojucan Lins de Ara\u00fajo<br \/>\nJorge &#8211; Jorge Dias Sacramento<br \/>\nLel\u00e9 &#8211; Manuel Pessanha<br \/>\nManeca &#8211; Manoel Marinho Alves<br \/>\nSabar\u00e1 &#8211; Onofre Anacleto de Souza<\/p>\n<p>. Vasco x Arsenal foi baseado nos artigos publicados nas revistas Esporte Ilustrado de 02\/06\/1949 e Globo Sportivo de 27\/05\/1949.<br \/>\n.Expresso da Vit\u00f3ria teve como fonte Netvasco.com.br e wikip\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vasco 1&#215;0 Arsenal (Amistoso 1949) Quebrada a invencibilidade inglesa Foto da equipe do Vasco no jogo Vasco 1&#215;0 Arsenal, amistoso em 1949. Em p\u00e9: Eli, Augusto, Jorge, Danilo, Barbosa e Sampaio. Agachados: Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Tuta. [img:Vasco_de_1949.jpg,thumb,vazio] Foto da equipe do Arsenal no jogo Vasco 1&#215;0 Arsenal, amistoso em 1949. 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