{"id":4296,"date":"2009-11-18T20:14:37","date_gmt":"2009-11-18T23:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cacellain.com.br\/2009\/11\/18\/historia-resumida-de-arthur-friedenreich\/"},"modified":"2017-05-30T18:10:38","modified_gmt":"2017-05-30T21:10:38","slug":"historia-resumida-de-arthur-friedenreich","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=4296","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria resumida de Arthur Friedenreich"},"content":{"rendered":"<p>Arthur Friedenreich (S\u00e3o Paulo, 18 de julho de 1892 \u2014 S\u00e3o Paulo, 6 de setembro de 1969) foi um futebolista brasileiro. Apelidado &#8220;El Tigre&#8221; ou &#8220;Fried&#8221;, foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na \u00e9poca amadora, que durou at\u00e9 1933.<br \/>\nFriedenreich participou da excurs\u00e3o do Paulistano pela Europa em 1925 onde disputou dez jogos e voltou invicto. Teve importante participa\u00e7\u00e3o no campeonato sul-americano de sele\u00e7\u00f5es (atual Copa Am\u00e9rica) de 1919. Ele marcou o gol da vit\u00f3ria contra os uruguaios na decis\u00e3o e, ao lado de Neco, foi o artilheiro da competi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o feito, suas chuteiras ficaram em exposi\u00e7\u00e3o na vitrine de um loja de j\u00f3ias raras no Rio de Janeiro.<br \/>\nFilho de um comerciante alem\u00e3o e de uma lavadeira negra brasileira, Arthur Friedenreich nasceu no bairro da Luz em S\u00e3o Paulo e aprendeu a jogar bola com bexiga de boi. Poucos anos depois de Charles Miller chegar ao pa\u00eds, em 1894, trazendo o futebol como novidade, o Brasil revelou seu primeiro \u00eddolo. Hoje em dia, s\u00e3o poucos aqueles que viram Friedenreich brilhar nas d\u00e9cadas de 1910, 1920 e 1930.<br \/>\nJogador de futebol paulista, &#8220;Fried&#8221; come\u00e7a a jogar futebol ainda adolescente na cidade de S\u00e3o Paulo, nos clubes Germ\u00e2nia (atual Pinheiros), Mackenzie, Ypiranga e o Paulistano, que hoje s\u00e3o apenas clubes sociais e j\u00e1 n\u00e3o atuam no futebol profissional. Come\u00e7a a se destacar pela imagina\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica, estilo e pela capacidade de improvisar. O apelido de &#8220;El Tigre&#8221; foi dado pelos uruguaios ap\u00f3s a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O auge<br \/>\nA sua posi\u00e7\u00e3o de origem foi a de centroavante. &#8220;El Tigre&#8221; acabou introduzindo novas jogadas no ainda menino futebol brasileiro, na \u00e9poca ainda amador, como o drible curto, o chute de efeito e a finta de corpo. Foi campe\u00e3o paulista em diversas oportunidades pelo clube Paulistano. Tamb\u00e9m atuou pelo S\u00e3o Paulo Futebol Clube da Floresta, precursor do atual S\u00e3o Paulo Futebol Clube, conquistando mais um campeonato paulista em 1931. O time do S\u00e3o Paulo campe\u00e3o naquele ano ficou conhecido por &#8220;Esquadr\u00e3o de A\u00e7o&#8221;, e era formado por Nestor; Clod\u00f4 e Bart\u00f4; M\u00edlton, Bino e Fabio; Luizino, Siriri, Araken e Junqueirinha.<br \/>\nDepois de ter jogado em 1917 no Flamengo Friedenreich volta ao Rio na d\u00e9cada de 30 para de novo jogar pelo Flamengo. Clube onde ele afirmava ter orgulho de jogar e onde fez seu gol mil at\u00e9 o 1.046.<br \/>\nEra considerado pelos cronistas da \u00e9poca um jogador inteligente dentro de campo. Friedenreich talvez tenha sido o jogador mais objetivo e um dos mais corajosos de sua \u00e9poca. Parecia conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um gol.<br \/>\nNos dias atuais, ainda \u00e9 considerado um dos maiores centroavantes que o Brasil j\u00e1 teve. No ano de 1925, voltou da Europa como um dos &#8220;melhores do mundo&#8221;, depois de vencer, pelo Paulistano, nove dos dez jogos disputados. Um de seus mais incr\u00edveis feitos, ocorrido em 1928, foi a marca de sete gols numa \u00fanica partida contra o Uni\u00e3o da Lapa, batendo o recorde da \u00e9poca. Ele jogava pelo Paulistano e o resultado final foi de 9 a 0, no dia 16 de setembro; a curiosidade fica por conta do p\u00eanalti perdido por Fried. Encerrou a carreira no Flamengo, em julho de 1935, aos 43 anos de idade. Depois de abandonar os gramados, viveu na pobreza um bom tempo at\u00e9 morrer em 6 de setembro de 1969, em uma casa cedida pelo S\u00e3o Paulo FC.<\/p>\n<p>Sele\u00e7\u00e3o Brasileira<br \/>\nSua estr\u00e9ia na sele\u00e7\u00e3o se deu no ano de 1912 em um amistoso contra a sele\u00e7\u00e3o paulista, quando o escrete brasileiro venceu por 7 a 0 com dois gols de &#8220;Fried&#8221;. Sua despedida aconteceu em 1935, em um jogo contra o River Plate no dia 23 de fevereiro, no qual o Brasil ganhou por 2 a 1. Friendenreich fez pela sele\u00e7\u00e3o principal 23 jogos e marcou 12 gols. J\u00e1 na sele\u00e7\u00e3o de veteranos, em 1935, disputou 2 jogos e marcou 2 gols. No ano de 1914 ganhou o primeiro t\u00edtulo do Brasil na hist\u00f3ria: a Copa Rocca, ta\u00e7a amistosa realizada para melhorar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre Brasil e Argentina. Outras conquistas importantes que conseguiu foram os sul-americanos de 1919, marcando o gol do t\u00edtulo na prorroga\u00e7\u00e3o contra os uruguaios, e 1922, primeiras conquistas relevantes da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>Curiosidades<br \/>\nOutra caracter\u00edstica marcante da personalidade de Friedenreich era seu car\u00e1ter questionador. Em 1932, engajou-se na Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, doando trof\u00e9us, medalhas e pr\u00eamios em benef\u00edcio da causa.<br \/>\nO fato de ser descendente de alem\u00e3es ajudou Friedenreich na carreira. Mulato, s\u00f3 assim ele p\u00f4de jogar nos grandes clubes frequentados pelos brancos da elite.<br \/>\nUma excurs\u00e3o do Paulistano \u00e0 Europa em 1925, deu a ele a chance de participar de um marco hist\u00f3rico do futebol do pa\u00eds. No dia 15 de mar\u00e7o, pela primeira vez, um time brasileiro jogava no exterior. Ele comandou a goleada de 7 a 2 na Fran\u00e7a, que deu in\u00edcio a uma s\u00e9rie de outras vit\u00f3rias. E \u00e9 apelidado de &#8220;roi du football&#8221; (rei do futebol).<br \/>\nTamb\u00e9m foi contra a profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol no pa\u00eds. A partir dos anos 30, o futebol passou a caminhar rumo ao profissionalismo. A id\u00e9ia n\u00e3o agradou Friedenreich, que recusou proposta do Flamengo, seu \u00faltimo clube, de continuar atuando, e abandonou os gramados ap\u00f3s fazer sua \u00faltima partida no dia 21 de julho de 1935.<br \/>\nUma atitude infeliz do presidente da Liga Paulista, Elp\u00eddio de Paiva Azevedo, causou uma das maiores decep\u00e7\u00f5es de Friendenreich na carreira. Ao saber que a comiss\u00e3o t\u00e9cnica da Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria nenhum paulista, o dirigente impediu a ida dos jogadores do estado para a Copa do Mundo, no Uruguai em 1930. Assim, &#8220;El Tigre&#8221; encerrou a carreira sem sentir o sabor de disputar um Mundial.<br \/>\nA pol\u00eamica em rela\u00e7\u00e3o aos gols de &#8220;El Tigre&#8221; se deve \u00e0 soma de um erro com uma falta de crit\u00e9rio por parte do Jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney. Acontece que o &#8220;velho Oscar&#8221;, pai de Fried, come\u00e7ou a anotar em pequenos cadernos todos os gols marcados pelo filho desde que come\u00e7ou a atuar. Em 1918, o atacante confiou a tarefa a um colega do Paulistano, o center-forward (centroavante) M\u00e1rio de Andrada, que seguiu a trajet\u00f3ria do craque por mais 17 anos, registrando detalhes das partidas at\u00e9 o encerramento da carreira de Fried, em 21 de julho de 1935, quando ele vestiu a camisa do Clube de Regatas do Flamengo (mas n\u00e3o marcou gols) num 2 a 2 contra o Fluminense. A lenda ganhou consist\u00eancia em 1962. Naquele ano, M\u00e1rio de Andrada disse a De Vaney que tinha as fichas de todos os jogos de Fried, podendo provar que o craque atuara em 1.329 partidas, marcando 1.239 gols. Andrada, por\u00e9m, morreu antes de mostrar as fichas a De Vaney. Mesmo sem nunca comprovar esses dados, De Vaney resolveu divulg\u00e1-los, mas erroneamente inverteu o n\u00famero de gols para 1.329. A estat\u00edstica, no entanto, come\u00e7ou a rodar o mundo, e ainda por cima na forma errada. No livro Gigantes do Futebol Brasileiro, de Marcos de Castro e Jo\u00e3o M\u00e1ximo, de 1965, consta que Fried marcou 1.329 gols. Outros livros e at\u00e9 enciclop\u00e9dias referendaram o registro. A FIFA, entidade m\u00e1xima do futebol, chegou a &#8220;oficializar&#8221; os n\u00fameros, at\u00e9 que enfim, Alexandre da Costa conferiu os registros de todos os jogos de Fried em pelo menos dois jornais, &#8220;Correio Paulistano&#8221; e &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;, e chegou a dois n\u00fameros surpreendentes: 554 gols em 561 partidas. &#8220;N\u00e3o quis destruir o mito&#8221;, jura o autor de O Tigre do Futebol. &#8220;Adoro o Fried. Apenas quis esclarecer essa quest\u00e3o&#8221;. O problema \u00e9 que n\u00e3o esclareceu completamente. Em Fried Versus Pel\u00e9 (Orlando Duarte e Severino Filho), publicado semanas depois de O Tigre do Futebol, o jornalista Severino Filho chega a outros n\u00fameros: 558 gols em 562 partidas. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 levantamento estat\u00edstico que n\u00e3o possa ser melhorado&#8221;, escreve o autor de O Tigre do Futebol. \u00c9 verdade. Mesmo nos dias de hoje, com mais recursos dispon\u00edveis, as discrep\u00e2ncias prosseguem.<br \/>\nO choro &#8220;Um a Zero&#8221; &#8211; de Benedito Lacerda, Pixinguinha e Nelson \u00c2ngelo &#8211; foi composto em homenagem ao gol de Fried contra o Uruguai na final de 1919.<br \/>\nFriedenreich tem um parque na zona leste com seu nome.<br \/>\nFriedenreich tamb\u00e9m tem uma escola com seu nome no Rio de Janeiro, coincidentemente, essa escola fica localizada dentro do complexo esportivo do Maracan\u00e3, pr\u00f3ximo a entrada principal, a esquerda da est\u00e1tua de Bellini.<br \/>\n[editar] Clubes<br \/>\n1909 &#8211; Germ\u00e2nia<br \/>\n1910 &#8211; Ypiranga<br \/>\n1911 &#8211; Germ\u00e2nia<br \/>\n1912 &#8211; Mackenzie<br \/>\n1913 &#8211; Ypiranga<br \/>\n1913 &#8211; Americano<br \/>\n1913-1914 &#8211; Paulista<br \/>\n1914 &#8211; Atlas<br \/>\n1914-1915 &#8211; Ypiranga<br \/>\n1915-1916 &#8211; Paysandu<br \/>\n1916 &#8211; Paulistano<br \/>\n1917 &#8211; Ypiranga<br \/>\n1917 &#8211; Flamengo<br \/>\n1917-1929 &#8211; Paulistano<br \/>\n1929 &#8211; Internacional<br \/>\n1929 &#8211; Atl\u00e9tico Mineiro<br \/>\n1929 &#8211; Atl\u00e9tico Santista<br \/>\n1930 &#8211; Santos<br \/>\n1930-1933 &#8211; S\u00e3o Paulo (Floresta)<br \/>\n1933 &#8211; Dois de Julho (BA)<br \/>\n1934-1935 &#8211; S\u00e3o Paulo<br \/>\n1935 &#8211; Santos<br \/>\n1935 &#8211; Flamengo<br \/>\nT\u00edtulos<br \/>\nCampe\u00e3o Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929<br \/>\nCampe\u00e3o Paulista &#8211; S\u00e3o Paulo (Floresta) &#8211; 1931<br \/>\nCampe\u00e3o da Copa Rocca &#8211; Sele\u00e7\u00e3o Brasileira &#8211; 1914 &#8211; (Primeiro da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o)<br \/>\nCampe\u00e3o Sul &#8211; Americano (atual Copa Am\u00e9rica) &#8211; Sele\u00e7\u00e3o Brasileira &#8211; 1919 e 1922 (primeiros t\u00edtulos relevantes da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira)<br \/>\nArtilharia<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Mackenzie &#8211; 1912<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1914<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Ypiranga &#8211; 1917<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1918<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1919<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1921<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1927<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1928<br \/>\nCampeonato Paulista &#8211; Paulistano &#8211; 1929<br \/>\nGols<br \/>\nEntre 1909 e 1935:<\/p>\n<p>555 gols em 562 partidas; Alexandre da Costa (RSSSF (The Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation.) e RSSSF Brazil 2002)<br \/>\n554 gols em 561 partidas &#8211; Alexandre da Costa (Livro: &#8220;O Tigre do Futebol&#8221;)<br \/>\n558 gols em 562 partidas &#8211; Orlando Duarte e Severino Filho (Livro: &#8220;Fried versus Pel\u00e9&#8221;)<br \/>\nObs: Como se pode ver, o n\u00famero de gols varia. Realmente, \u00e9 muito dif\u00edcil ter a conta exata de gols e partidas de Friedenreich, em especial pelo fato de que na \u00e9poca os jornais davam mais destaque at\u00e9 \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de pombos que ao futebol. Sendo assim, muitos jogos nunca foram registrados ou, se foram, n\u00e3o possuem detalhes como o placar ou quem marcou os gols. O trabalho realizado por Alexandre da Costa pesquisando os jornais &#8220;Correio Paulistano&#8221; e &#8220;O Estado de S\u00e3o Paulo&#8221; chegou a 554 gols em 561 jogos. Contudo, em boa parte daquelas partidas constam apenas seus resultados, n\u00e3o quem fez os gols. O que n\u00e3o impede, de acordo somente com esses dados, que &#8220;El Tigre&#8221; tenha marcado bem mais gols que os encontrados pelo pesquisador. De qualquer forma, os n\u00fameros efetivamente registrados ficam em torno de 550 gols em 560 partidas, ou seja, a conta de mais de 1.329 gols (ou 1.239 como dizem outros), considerada pela FIFA como oficial, n\u00e3o \u00e9 levada mais a s\u00e9rio por boa parte da imprensa, embora ainda possua seus ferrenhos defensores. Os n\u00fameros hoje considerados como os corretos ainda concedem ao craque uma m\u00e9dia impressionante: 0,98 gols por partida, maior at\u00e9 que a de Pel\u00e9, que \u00e9 de de 0,93. O Memorial do S\u00e3o Paulo FC, informa que foram resgatados mais 2 gols de Friedenreich, em jogo amistoso realizado em S\u00e3o Carlos-SP para inaugura\u00e7\u00e3o da sua pra\u00e7a de esportes, contra o Ruy Barbosa FC, no dia 22 de mar\u00e7o de 1932 (conforme jornal Gazeta de 23 de maio de 1932, Folha da Noite de 23 de maio de 1932 e Estado de S\u00e3o Paulo de 24 de maio de 1932).<\/p>\n<p>Fonte: Wikip\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arthur Friedenreich (S\u00e3o Paulo, 18 de julho de 1892 \u2014 S\u00e3o Paulo, 6 de setembro de 1969) foi um futebolista brasileiro. Apelidado &#8220;El Tigre&#8221; ou &#8220;Fried&#8221;, foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na \u00e9poca amadora, que durou at\u00e9 1933. 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