{"id":41246,"date":"2012-10-06T14:27:32","date_gmt":"2012-10-06T17:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=41246"},"modified":"2012-10-06T14:35:40","modified_gmt":"2012-10-06T17:35:40","slug":"a-historia-do-primeiro-jogo-internacional-de-futebol-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=41246","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria do primeiro jogo internacional de futebol no RN"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?attachment_id=41251\" rel=\"attachment wp-att-41251\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41251\" title=\"americafc_antigo2-rn\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/americafc_antigo2-rn.gif\" alt=\"\" width=\"116\" height=\"101\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por \u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Rostand Medeiros<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma tranquila tarde de uma quinta feira, dia 27 de agosto de 1931, a capital potiguar, que na \u00e9poca era uma cidade que \u00a0possu\u00eda 40.000 habitantes, seguia a vida sem maiores novidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A monotonia foi quebrada pelo surgimento de um navio de guerra, na cor cinza, que se prostrou diante da barra do Rio Potengi. Este era o cruzador \u201cH.M.S. Dauntless\u201d que realizava a sua primeira visita ao Brasil e a capital potiguar havia sido escolhida como sua primeira parada em terras tupiniquins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada deste poderoso navio parou a cidade. Segundo informa\u00e7\u00f5es dos tripulantes<br \/>\ningleses, ao longo da margem do Rio Potengi se debru\u00e7avam mais de 5.000 natalenses, observando extasiados, no final da tarde, aquele barco de 144 metros de comprimento, que entrava vagarosamente no rio, ostentando a bandeira inglesa na sua proa. O \u201cDauntless\u201d era comandado pelo oficial da Marinha de Sua Majestade John Guy Potheroe Vivian, mais conhecido como capit\u00e3o J. G. P. Vivian, um veterano comandante naval, calvo, com 44 anos, alto e extremamente educado.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41248\" title=\"1dauntless-11\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1dauntless-111.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este foi recebido no cais pelo Vice C\u00f4nsul ingl\u00eas em Natal, o Sr. Eric Gordon, que apresentou o capit\u00e3o do \u201cDauntless\u201d ao ent\u00e3o comandante do Regimento Policial Militar, o tenente coronel Sandoval Cavalcanti de Albuquerque, que representava Herculino Cascardo, o ent\u00e3o Interventor Federal. Cascardo era um oficial da Marinha do Brasil, com apenas 31 anos de idade, que governava o Rio Grande do Norte desde julho daquele ano por indica\u00e7\u00e3o de Get\u00falio Vargas, seguindo a ordem vigente com a deflagra\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1930.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada do cruzador foi noticiada pelos jornais da \u00e9poca como sendo \u201cUma tranquila visita de cortesia de 400 oficiais e marinheiros da marinha de Sua Majestade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os ingleses o local que visitavam era conhecido como \u201cPort Natal\u201d. Eles acharam os edif\u00edcios da cidade bem constru\u00eddos e bastante modernos, mas as ruas eram muito<br \/>\nruins. Realmente nesta \u00e9poca Natal tinha poucas ruas cal\u00e7adas e como elesestavam chegando ao final de agosto, de um ano de chuvas regulares no litoral, as nossas art\u00e9rias deveriam estar em p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os marujos estrangeiros se espantaram com a grande quantidade de pessoas que frequentavam o porto para ver os h\u00e1bitos e a rotina dos membros do \u201cDauntless\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado,dia 29 de agosto, entre as duas e \u00e0s seis da tarde os tripulantes abriram seu cruzador a visita\u00e7\u00e3o e mais de 5.500 natalenses estiveram a bordo do \u201cDauntless\u201d. O estranho para os marujos foi mostrar o que havia no navio apenas por meio de gesticula\u00e7\u00f5es. Nesta noite os ingleses colocaram sua banda para tocar no conv\u00e9s e uma multid\u00e3o foi atra\u00edda pela m\u00fasica, passeando pelo cais do porto e aplaudindo entusiasticamente a sele\u00e7\u00e3o musical apresentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faltaram nesta visita recep\u00e7\u00f5es que movimentaram a capital potiguar, com um baile a bordo do cruzador e outras festividades. Entre estas foi organizada uma festa<br \/>\nm honra a visita dos ingleses no Aero Clube, considerado pelos visitantes como o principal local de encontro da sociedade de Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo os tripulantes do cruzador souberam que havia poucos cidad\u00e3os da terra de Sua<br \/>\nMajestade na cidade e que a maioria destes trabalhava junto a empresas que exportavam algod\u00e3o, a nossa principal mat\u00e9ria prima. Mas havia um com\u00e9rcio que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos marujos estrangeiros; o de peles de cobra e de lagarto para a fabrica\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ados femininos.\u00a0 Os homens do \u201cDauntless\u201d acharam que a popula\u00e7\u00e3o natalense mantinha um padr\u00e3o de vida muito baixo. Entretanto consideraram a cidade muito calma, onde e as pessoas ficavam na rua no m\u00e1ximo at\u00e9 as dez e meia da noite e depois tudo era sil\u00eancio. Mas em compensa\u00e7\u00e3o a cerveja era de boa qualidade, muito barata e abundante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dado interessante desta visita foi que os marujos ingleses informaram que n\u00e3o existiam cabar\u00e9s na cidade em 1931. Se a afirma\u00e7\u00e3o era correta, ocorreriam \u00a0muitas mudan\u00e7as em pouco mais de dez anos, quando Natal receberia milhares de militares americanos e iria conhecer \u00a0Maria Alves Barros, a famosa Maria Boa.<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o havia cabar\u00e9s, havia futebol e logo os ingleses se animaram para jogar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pouco tempo foi organizado para o domingo, dia 30, um jogo entre os membros do time do \u201cDauntless\u201d com os jogadores do Am\u00e9rica Futebol Clube, campe\u00e3o estadual do ano anterior e considerado a melhor equipe potiguar naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo a edi\u00e7\u00e3o matutina do jornal \u201cA Republica\u201d do dia 30 de setembro de 1931, anunciava o sensacional \u201cMatch\u201d que ocorreria naquela tarde. O jornal informava que a cidade se encontrava em grande euforia com aquele jogo. E n\u00e3o era para menos, pois iria se realizar o primeiro embate entre uma equipe de futebol potiguar e um time de outra na\u00e7\u00e3o.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41249\" title=\"1- escudo dautlens\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens.jpg\" alt=\"\" width=\"144\" height=\"144\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens.jpg 144w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens-96x96.jpg 96w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens-24x24.jpg 24w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens-36x36.jpg 36w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens-48x48.jpg 48w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-escudo-dautlens-64x64.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 144px) 100vw, 144px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O confronto\u00a0 seria realizado no Est\u00e1dio Juvenal Lamartine, ou campo do Tirol, tamb\u00e9m conhecido como campo da Liga de Desportos Terrestres. Um detalhe interessante \u00e9 que nenhum momento, as reportagens sobre o jogo indicam o nome do campo como \u201cStadium Juvenal Lamartine\u201d, batizado em honra a este conhecido governador potiguar. A raz\u00e3o foi a deposi\u00e7\u00e3o de Juvenal em 5 de novembro de 1930, como parte do processo revolucion\u00e1rio desencadeado em outubro do ano anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estaria presente ao espet\u00e1culo o Dr. Gentil Ferreira de Souza, ent\u00e3o delegado da \u00a0Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos, a extinta CBD (atual CBF) e futuro prefeito de Natal. Gentil Ferreira havia sido nomeado para este cargo por Renato Pacheco, presidente da CBD na \u00e9poca, conforme nota publicada na primeira p\u00e1gina da \u201cA Republica\u201d, edi\u00e7\u00e3o de 2 de julho de 1931.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haveria uma preliminar, que come\u00e7aria as escaldantes duas da tarde, onde Apar\u00edcio Martins estaria na arbitragem entre o time do For\u00e7a e Luz S. C. e um clube que possu\u00eda o estranho nome de \u201cMorte F.C.\u201d. Mas o que ningu\u00e9m queria perder era o jogo entre o campe\u00e3o local e aquele que foi propagado pelos jornais como o \u201cmelhor time de toda a armada brit\u00e2nica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos ingleses, no cruzador \u201cDauntless\u201d a pr\u00e1tica esportiva era t\u00e3o incentivada, que ele mais parecia um gin\u00e1sio ol\u00edmpico flutuante do que uma arma de guerra naval. Os dados apontam que al\u00e9m do futebol, a bordo havia equipes de cr\u00edquete, r\u00fagbi, polo aqu\u00e1tico e h\u00f3quei sobre a grama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O time de futebol do barco de guerra da Royal Navy (Marinha Real) utilizava uma combina\u00e7\u00e3o um tanto estranha para seu uniforme; camisa azul escura e cal\u00e7\u00e3o \u00a0kaki. O cal\u00e7\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o de todos na cidade, pois possu\u00eda a mesmacolora\u00e7\u00e3o utilizada pela for\u00e7a policial na \u00e9poca. Mas independente do que vestiam, os marujos deveriam se sentir extremamente superiores no trato com a bola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo dados fornecidos pelos pr\u00f3prios ingleses, O \u201cDauntless\u201d pertencia nesta \u00e9poca a Divis\u00e3o de Cruzadores do Atl\u00e2ntico e eles afirmavam serem os camp\u00f5es de futebol deste setor da marinha inglesa. Aquele era o terceiro cruzeiro do navio pelos mares Atl\u00e2nticos e, at\u00e9 aquela data, haviam realizado 23 paradas em diversos portos da Am\u00e9rica do Norte e Central, onde realizaram 37 jogos de futebol. Destes haviam vencido 22 partidas, tiveram 8 empates e sofreram 7 derrotas. A equipe do cruzador havia marcado incr\u00edveis 116 gols e sofrido apenas 29 tentos dos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como havia uma rivalidade muito grande entre as tripula\u00e7\u00f5es dos navios da marinha de Sua Majestade, para os homens do \u201cDauntless\u201d a vit\u00f3ria mais importante, pelo placar de 2 a 1, foi contra a equipe do cruzador ingl\u00eas \u201cH. M. S. Dheli\u201d, em um embate<br \/>\nocorrido durante uma parada em Nova York, Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u00e9poca a Marinha da Inglaterra era a maior do mundo em n\u00famero de navios de guerra, com diversas frotas atuando em todos os oceanos do planeta e o futebol era extremamente incentivado entre seu pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para organizar campeonatos entre as v\u00e1rias frotas, s\u00f3 com uma entidade pr\u00f3pria, no caso uma associa\u00e7\u00e3o. A Royal Navy Football Association havia sido criada em fevereiro de 1904 e tinha a sua sede na base naval de Portsmouth, uma das maiores daquela marinha. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de imaginar que naquela \u00e9poca, esta entidade futebol\u00edstica era maior e tinha uma atua\u00e7\u00e3o muito mais ampla que a pr\u00f3pria FIFA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora os marujos da terra de Sua Majestade se batiam pela primeira vez com sul-americanos, representados pelos brasileiros do Am\u00e9rica de Natal.\u00a0 O jogo foi marcado para as tr\u00eas e meia da tarde, com dois tempos de 45 minutos e o apito ficou a cargo do Dr. An\u00edbal Azevedo. Estariam presentes na tribuna de honra do campo o Interventor Cascardo, o capit\u00e3o Vivian, o C\u00f4nsul Gordon e outras autoridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jack Romaguera, diretor da Companhia For\u00e7a e Luz, respons\u00e1vel pelos transportes urbanos na capital potiguar, mandou aumentar o n\u00famero de bondes e \u00f4nibus paratrazer a maior quantidade de torcedores para apoiarem a equipe do Am\u00e9rica. Os pre\u00e7os dos ingressos para assistir o espet\u00e1culo seriam de 3.000 r\u00e9is a arquibancada. As senhoras, crian\u00e7as e o pessoal da \u201cgeral\u201d, pagariam 1.000 r\u00e9is e quem fosse de carro, era cobrado o valor de 2.000 r\u00e9is por pessoa. Aqui acredito que ainda n\u00e3o havia um muro lateral no campo e o pessoal mais abonado da cidade assistia o jogo de seus ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Seria entregue ao vencedor uma ta\u00e7a denominada \u201cEric Gordon\u201d, em honra ao Vice C\u00f4nsul ingl\u00eas, o grande incentivador da realiza\u00e7\u00e3o do jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coment\u00e1rio nos jornais foi que a ta\u00e7a havia sido adquirida pelo pr\u00f3prio Gordon, sendo definida como uma bela e car\u00edssima pe\u00e7a de decora\u00e7\u00e3o de sua resid\u00eancia em Petr\u00f3polis, mas diante de t\u00e3o importante acontecimento ele decidiu ceder o objeto para o campe\u00e3o da peleja desportiva. O belo trof\u00e9u havia sido comprado em uma visita recente que Gordon havia feito a Amsterdam, na Holanda e era considerada pelos jornalistas locais como \u201cUma beleza em bronze, confeccionada de maneira nobre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de todo o caracter\u00edstico cavalheirismo ingl\u00eas, a fanfarronice deles estava a toda e tinham a certeza da vit\u00f3ria. O time do cruzador \u201cDauntless\u201d entraria com o artilheiro naval Blake como \u201cgoalkeeper\u201d (goleiro), o timoneiro Kelleway e o sinaleiro Barrington eram os \u201cbacks\u201d (beques). J\u00e1 ao telegrafista Pay n\u00e3o era apontada a sua posi\u00e7\u00e3o no campo, mas comentavam ser competente no que fazia. O marinheiro Cartland era um bom \u201ccenter half\u201d (centro de meia), j\u00e1 o baixinho Castlelman era tido como \u201cligeiro\u201d e havia o ponta Giblin, que no navio exercia a fun\u00e7\u00e3o de cozinheiro. O artilheiro naval Hillier era considerado muito bom driblador, \u00f3timo cobrador de escanteios e era uma esp\u00e9cie de l\u00edder do time. J\u00e1 o mec\u00e2nico naval Robson e o marujo Hall eram os armadores. O marujo Lynch era um bom driblador sendo considerado o craque da equipe inglesa. J\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnico estava a cargo do tenente A. B. R. Sands.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o Am\u00e9rica Futebol Clube era um time ainda considerado amador, que se reunia de forma volunt\u00e1ria para jogar pelo amor ao desporto e a camisa. Na \u00e9poca, atrav\u00e9s dos jornais locais, os jogadores eram \u201cconvidados\u201d a comparecerem aos treinos e aos jogos. O jornal n\u00e3o fala em nenhum momento que seriam ofertados pr\u00eamios em dinheiro para os jogadores do Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escala\u00e7\u00e3o do time para o importante jogo era composta dos \u201cPlayers\u201d Milton (goleiro),Everardo de Barros Vasconcelos, Hemet\u00e9rio e Canuto (beques), Jeremias Pinheiro Junior, Jo\u00e3o Teixeira de Carvalho e Reynaldo Pra\u00e7a (linha m\u00e9dia), Glic\u00e9rio,Nen\u00e9m, Baltazar e Aci\u00f3li (atacantes). N\u00e3o foi divulgada aqueles que ficaram na \u201cgrade\u201d, como era conhecido aqui em Natal, o pessoal que estavam no banco de reservas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo os jornais do per\u00edodo percebemos que a imprensa natalense, proporcionalmente n\u00e3odava maiores detalhes sobre a equipe alvirrubra, ou sobre a sua prepara\u00e7\u00e3o, o espirito reinante no grupo e nem abordava maiores informa\u00e7\u00f5es sobre os jogadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente que os ingleses eram uma for\u00e7a respeit\u00e1vel, merecia destaque como visitantes e os nossos jornais pareciam n\u00e3o acreditar no time vermelho. Al\u00e9m disso, havia o caso do \u00faltimo jogo do campeonato brasileiro de sele\u00e7\u00f5es quando o time potiguar perdeu feio para a sele\u00e7\u00e3o cearense. O \u00a0campo, ou \u201cField\u201d, do Tirol lotou. Mas antes teve a preliminar e o time da \u201cMorte FC\u201d venceu o For\u00e7a e Luz S.C por \u00a03 tentos a 2, com os gols da equipe vencedora sendo marcados por Montenegro (2) e Toseli (1), em meio a muita correria. \u00c9 informado que a equipe com uma denomina\u00e7\u00e3o que evoca tanta negatividade tinha um uniforme totalmente preto. Foi ofertado ao time vencedor a ta\u00e7a \u201cJack Roamguera\u201d, entregue pelo pr\u00f3prio diretor da Companhia For\u00e7a e Luz, teoricamente \u201cdono\u201d do time perdedor. Mas n\u00e3o \u00e9 comentada a sua opini\u00e3o sobre a derrota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s tr\u00eas e meia da tarde entraram no campo os atletas do Am\u00e9rica e do \u201cDauntless\u201d e foram intensamente aplaudidos pela enorme assist\u00eancia. N\u00e3o encontrei indica\u00e7\u00f5es que a torcida abecedista se reuniu para torcer pelo \u201cTeam\u201d do navio de guerra ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro do campo a moeda foi jogada para o alto pelo juiz An\u00edbal Azevedo e coube ao representante do time americano escolher a \u201cBarra de baixo\u201d como o lado onde a equipe alvirrubra potiguar iniciaria a disputa. Com menos de dez minutos ocorre uma situa\u00e7\u00e3o extremamente positiva. Ap\u00f3s o segundo ataque realizado pela equipe potiguar, Aci\u00f3li marca o primeiro gol rubro.\u00a0 Aparentemente os marinheiros ingleses sentem a pancada, mas n\u00e3o desistem, bem como o time americano. Logo Hemet\u00e9rio sai l\u00e1 da defesa rubra e obriga o goleiro Blake a realizar uma boa defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?attachment_id=41250\" rel=\"attachment wp-att-41250\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-41250\" title=\"1-noticia jogo\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/1-noticia-jogo.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"132\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois Jeremias Pinheiro Junior, conhecido como Pinheir\u00e3o, rouba a bola de\u00a0 Robson, mec\u00e2nico naval e armador do time estrangeiro, passa para Nen\u00e9m, que toca rasteiro para Glic\u00e9rio, que em um bom arremate marca o segundo gol para a equipe potiguar, que ocasiona verdadeiro del\u00edrio da torcida presente. Com este novo tento, a imprensa informa que os ingleses vieram para cima com for\u00e7a total em dois ataques. No primeiro Canuto salva o Am\u00e9rica de levar um gol e Hillier chuta forte para fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O time estrangeiro domina a partida, mas o Am\u00e9rica reage. Analisando o material descritivo do jogo, esta fase foi um dos momentos mais din\u00e2micos de todo o embate. Hillier chuta duas vezes para fora, mas em um ataque ingl\u00eas, Aci\u00f3li marca uma penalidade m\u00e1xima. Tens\u00e3o nas arquibancadas enquanto o juiz An\u00edbal apita para o jogador ingl\u00eas correr para pelota e bater contra o gol de Milton.\u00a0 Em uma atitude atualmente impensada, em um verdadeiro gesto de cavalheirismo, o batedor ingl\u00eas dispara a bola propositadamente para longe da meta americana. Ele \u00e9 muito aplaudido pelo gesto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo o juiz assinalou o fim do primeiro tempo. A segunda fase do espet\u00e1culo come\u00e7ou com os ingleses vindo para cima com toda a for\u00e7a. O Am\u00e9rica responde com um escanteio, que foi desperdi\u00e7ado por Teixeira. Os ingleses voltam para as imedia\u00e7\u00f5es da grande \u00e1rea americana e, numa furada de Canuto, Lynch chuta forte e marca o primeiro gol dos marujos do \u201cDauntless\u201d. Aquele gol acorda a equipe rubra que parte a toda para o ataque, perigosamente adentrando o campo advers\u00e1rio pelo lado direito. Baltazar escapa e centra \u201cpor fora\u201d e Hemet\u00e9rio marca o terceiro gol americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos compreender que houve mudan\u00e7as no ataque do time potiguar e estes acuaram os ingleses. Entretanto, em nenhuma p\u00e1gina dos jornais pesquisados, foi encontrada alguma refer\u00eancia se a equipe americana possu\u00eda uma pessoa desempenhando a fun\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnico. Nova sa\u00edda e, apesar de uma rea\u00e7\u00e3o inglesa, o time potiguar n\u00e3o se deixa envolver e continua atacando e realizando boas investidas com Nen\u00e9m, Hemet\u00e9rio e Glic\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ent\u00e3o Cartland, em uma r\u00e1pida descida, faz um \u00f3timo passe a Hillier, que entrega a Lynch, que dribla Canuto e passa a Robson, que marca o segundo gol ingl\u00eas. A partida pega fogo. Os ingleses com a esdr\u00faxula combina\u00e7\u00e3o de azul escuro e kaki correm bastante para marcar o gol de empate. Mas a defesa rubra, principalmente com Canuto, Teixeira e Pinheir\u00e3o seguram o esfor\u00e7o ingl\u00eas de marcar um gol contra a trave do time potiguar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a seguran\u00e7a atr\u00e1s, o ataque americano parte em contra ataque, obrigando Blake a realizar dif\u00edcil defesa. Mas a sua meta seria novamente atacada, desta vez por Aci\u00f3li, que dispara para o gol advers\u00e1rio. Quando o defensor ingl\u00eas tenta interceptar, acaba provocando um gol contra. Era o quarto tento americano. A torcida local delira diante do marcador. Ocorre o quarto rein\u00edcio de partida por parte dos jogadores do \u201cDauntless\u201d e o jogo n\u00e3o para. Os ingleses investem pela direita, onde Reynaldo Pra\u00e7a evita um gol de Hills.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O time Rubro continua buscando o ataque e ocorre uma penalidade m\u00e1xima a favor do time americano. Nen\u00e9m, o comandante do ataque rubro vai para a marca do p\u00eanalti,\u00a0 mas, tal qual havia feito o advers\u00e1rio ingl\u00eas, ele joga a bola distante da metado time estrangeiro. Segundo o jornal \u201cA Republica\u201d, neste momento o p\u00fablico aplaudiu com forte intensidade o gesto do jogador americano.<\/p>\n<p>Logo o \u00e1rbitro apitou o final do jogo, com o Am\u00e9rica vencendo a equipe do Dauntless\u201d<br \/>\npor 4 a 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente os jornais foram extremamente econ\u00f4micos em trazer maiores relatos sobre o p\u00f3s-jogo. Sabemos que na parte da tarde ocorreu no cruzador um tradicional \u201cch\u00e1 das cinco\u201d, tipicamente ingl\u00eas, onde se reuniram os oficiais brit\u00e2nicos e as autoridades potiguares. Mas sobre o jogo nada foi comentado nas p\u00e1ginas dos jornais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ter\u00e7a feira, 2 de setembro, a equipe do \u201cDauntless\u201d se bateu com o time de futebol dotradicional Sport Club de Natal. Este clube de remo da capital potiguar, fundado em 1915, tinha nesta \u00e9poca uma equipe de futebol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por alguma raz\u00e3o sem explica\u00e7\u00e3o nos jornais, a peleja estava marcada para come\u00e7ar \u00e0s tr\u00eas e meia da tarde, mas s\u00f3 teve in\u00edcio as quatro e dez. Ficou definido que a partida teria dois tempos de 35 minutos, visto o Campo do Tirol n\u00e3o ter ilumina\u00e7\u00e3o e a partida terminou debaixo de forte pol\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o jornalista de \u201cA Republica\u201d o jogo foi considerado muito bom e terminou empatado em 2 a 2. Mas este mesmo periodista definiu como \u201cuma coisa imagin\u00e1ria\u201d o segundo gol do time ingl\u00eas. Em sua opini\u00e3o, em um lance de ataque dos jogadores do \u201cDauntless\u201d, a bola nem sequer passou da linha do gol do Sport. Mas o juiz que referendou o tento era membro da tripula\u00e7\u00e3o do cruzador.\u00a0 O mesmo marujo deixou de marcar um p\u00eanalti a favor do Sport Club de Natal e ainda apontou duas vezes a marca do p\u00eanalti a favor do time estrangeiro, uma delas convertida em gol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se ter uma ideia como era simples o nosso futebol nesta \u00e9poca, os jogadores americanos Milton, Pra\u00e7a, Pinheiro e Nen\u00e9m atuaram com a camisa rubro negra do Sport, sem que isso gerasse pol\u00eamicas nem constrangimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo o \u201cDauntless\u201d levantou ferros de Natal deixando uma boa lembran\u00e7a. Seu destino posterior foi Recife, onde sua chegada e perman\u00eancia, ao menos ao visualizarmos as p\u00e1ginas do \u201cDi\u00e1rio de Pernambuco\u201d, foi muito mais discreta e pouco chamou aten\u00e7\u00e3o. Mesmo assim os ingleses jogaram bola na capital pernambucana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe do \u201cDauntless\u201d preferiu se bater contra equipes de empresas inglesas com sucursais em Recife, onde inclusive havia uma numerosa col\u00f4nia de cidad\u00e3os do pa\u00eds de Sua Majestade. Os advers\u00e1rios foram as equipes do \u201cBritish Country Club\u201d, da\u201cTransport and Motor Traction Comporation\u201d e da \u201cTelephone Company\u201d, onde respectivamente venceram as duas primeiras equipes de 5\u00d70 e 6\u00d70 e empataram com<br \/>\na \u00faltima por 2\u00d72.<\/p>\n<p>Aparentemente, depois do ocorrido em Natal, a turma do cruzador evitou confrontos com equipes recifenses, como os tradicionais times do N\u00e1utico, Santa Cruz e Sport.<\/p>\n<p>Lendo as velhas p\u00e1ginas amareladas percebemos um forte senso de responsabilidade entre os jogadores do time rubro, onde prevalecia a ideia que eles n\u00e3o estavam apenas<br \/>\nrepresentando Natal, ou o Rio Grande do Norte, mas todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente que a equipe de futebol do \u201cDauntless\u201d n\u00e3o era um time profissional e alguns podem nem sequer consider\u00e1-lo uma equipe futebol\u00edstica na acep\u00e7\u00e3o da palavra. Mas para os s\u00faditos de Sua Majestade, o futebol sempre foi algo muito s\u00e9rio,mais ainda no interior de uma for\u00e7a naval respeitada e poderosa como era a Marinha Inglesa da \u00e9poca, onde o esporte era intensamente incentivado e desenvolvido. Neste sentido, esta vit\u00f3ria do Am\u00e9rica F.C., na primeira partida de futebol contra uma equipe estrangeira realizada no Rio Grande do Norte, n\u00e3o pode ser esquecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">fonte: <a href=\"http:\/\/tokdehistoria.wordpress.com\">http:\/\/tokdehistoria.wordpress.com<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por \u00a0Rostand Medeiros Em uma tranquila tarde de uma quinta feira, dia 27 de agosto de 1931, a capital potiguar, que na \u00e9poca era uma cidade que \u00a0possu\u00eda 40.000 habitantes, seguia a vida sem maiores novidades. 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