{"id":3820,"date":"2008-11-21T12:23:59","date_gmt":"2008-11-21T14:23:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cacellain.com.br\/2008\/11\/21\/a-historia-do-carrossel-holandes-mais-uma-vez-o-melhor-nao-venceu\/"},"modified":"2008-11-21T12:23:59","modified_gmt":"2008-11-21T14:23:59","slug":"a-historia-do-carrossel-holandes-mais-uma-vez-o-melhor-nao-venceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=3820","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do Carrossel Holandes &#8211; Mais uma vez o melhor n\u00e3o venceu!!!"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Sele\u00e7\u00e3o Holandesa de 1974 revolucionou a maneira de jogar futebol: Criou o futebol 100% <\/strong><\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>O COME\u00c7O DE TUDO <\/strong><\/font><\/p>\n<p>Desde a famosa sele\u00e7\u00e3o h\u00fangara de 1954 que a Europa n\u00e3o produzia uma equipe como aquela &#8211; l\u00e1 se iam 20 anos de futebol. Nem mesmo a bela sele\u00e7\u00e3o francesa de 1958 podia ser comparada a ela. E vinha de um pequeno pa\u00eds sem tradi\u00e7\u00e3o no mundo seleto e exigente do esporte &#8211; a Holanda. T\u00e3o bom era o time que, mesmo sem conquistar o t\u00edtulo da Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, entrou para a hist\u00f3ria como o Carrossel Holand\u00eas, que mudou muitas das concep\u00e7\u00f5es do jogo at\u00e9 aquela data e abriu novos caminhos para o espet\u00e1culo do futebol.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o foi a sele\u00e7\u00e3o da Holanda que come\u00e7ou a chamar a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00f4nica europ\u00e9ia, mas o time do Ajax, que na \u00e9poca j\u00e1 era tricampe\u00e3o de clubes, sendo que no \u00faltimo t\u00edtulo com uma eloq\u00fcente goleada sobre o Bayern Munich. O Ajax era a base da sele\u00e7\u00e3o holandesa; o Bayern era a base da sele\u00e7\u00e3o alem\u00e3. Muitos cronistas viram com perspic\u00e1cia que ali podia estar o pren\u00fancio do que seria a final da Copa de 1974. O Ajax tinha um jogador que a unanimidade daqueles cronistas considerava o novo fen\u00f4meno do futebol &#8211; Johan Cruyff. Sabia fazer de tudo, era uma esp\u00e9cie de homem-equipe. Tinha, tamb\u00e9m, um treinador chamado Rinus Michels, inteligente, sofisticado e ambicioso, que sonhava em revolucionar o futebol. Michels tinha em m\u00e3os, na sele\u00e7\u00e3o, um material capaz de ajud\u00e1-lo a realizar seus des\u00edgnios: Jongbloed, goleiro enorme, de meter medo nos atacantes; Suurbier, na \u00e9poca o melhor lateral-direito da Europa; Krol, zagueiro admir\u00e1vel em qualquer \u00e9poca; Van Hanegen e Neeskens, incans\u00e1veis no trabalho de liga\u00e7\u00e3o entre a defesa e ataque; na frente, dois pontas velozes e h\u00e1beis, Rep e Resenbrink; e no meio deles, Cruyff.<\/p>\n<p>[img:holanda74_1__1.jpg,resized,vazio]<br \/>\n<em>A Laranja Mec\u00e2nica, conhecida tamb\u00e9m como o Carrossel Holand\u00eas, da esquerda para a direita: Neeskens, Krol, Van Hanegen, Jansen, Suurbier, Rep, Rijsbergen, Resenbrink, Haan, Jongbloed e Cruyff <\/em><\/p>\n<p>Por qu\u00ea uma sele\u00e7\u00e3o de futebol de um pa\u00eds que ocupa pouqu\u00edssimo espa\u00e7o no globo terrestre, que teve duas participa\u00e7\u00f5es totalmente insignificantes nas Copas de 1934 (derrotada pela Su\u00e9cia por 3 a 2 no \u00fanico jogo) e 1938 (tamb\u00e9m derrotada, pela Tchecoslov\u00e1quia, por 3 a 0) e sem a menor tradi\u00e7\u00e3o no mundo futebol\u00edstico de repente \u00e9 ser\u00edssima candidata ao t\u00edtulo mundial na Copa de 1974 disputada na Alemanha? O per\u00edodo que antecede esta Copa mostra que as coisas n\u00e3o foram assim t\u00e3o de repente. No intervalo entre a Copa do M\u00e9xico em 70, e a Copa da Alemanha em 74, muitas \u00e1guas passaram pelos moinhos e pontes holandesas. As sele\u00e7\u00f5es e times europeus estavam numa fase excelente, enquanto o Brasil ia perdendo seus craques ap\u00f3s a conquista do tricampeonato no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a Copa do M\u00e9xico em 1970, a Pol\u00f4nia revelava uma sele\u00e7\u00e3o muito forte, campe\u00e3 ol\u00edmpica de 1972 em Munique. Um futebol for\u00e7a com excelente qualidade de movimenta\u00e7\u00e3o de bola. O Bayern Munique da Alemanha, Feyenoord de Rotterdam e Ajax de Amsterdam foram colecionadores de t\u00edtulos na d\u00e9cada de 70. Correndo por fora estavam a Su\u00e9cia, que sempre participou das copas com uma sele\u00e7\u00e3o de boa qualidade e a Alemanha Oriental, a Alemanha do outro lado do muro de Berlim, que s\u00f3 viria a ser destru\u00eddo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 reunificando as Alemanhas.<\/p>\n<p>O Feyenoord ganhou o Campeonato Mundial Interclubes e a Copa Europ\u00e9ia dos Clubes Campe\u00f5es em 1970; o Ajax ganhou o Mundial Interclubes em 1974, e a Copa Europ\u00e9ia dos Clubes Campe\u00f5es em 1971, 1972 e 1973. E, para manter a tradi\u00e7\u00e3o, mais um campeonato para o Feyenoord em 1974: a Copa da UEFA. Cruyff, c\u00e9rebro e capit\u00e3o do Ajax, jogou oito anos nesse clube, transferindo-se para o Barcelona da Espanha ap\u00f3s a Copa de 1974, e merecidamente eleito o melhor jogador do mundo nos anos 1971 e 1973. A base do &#8220;dream team&#8221; da Holanda 1974 eram jogadores do Ajax e Feyenoord, como  um &#8220;combinado&#8221;. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do futebol holand\u00eas conseguia-se uma uni\u00e3o entre dois times t\u00e3o rivais. Mas o objetivo desta uni\u00e3o era sublime.<\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>CAMPANHA DA HOLANDA NAS ELIMINAT\u00d3RIAS PARA 1974 <\/strong><\/font><\/p>\n<p><em>01 de novembro de 1972 &#8211; Rotterdam<\/em><br \/>\nHolanda   9 X 0   Noruega<\/p>\n<p><em>19 de novembro de 1972 &#8211; Antu\u00e9rpia  <\/em><br \/>\nB\u00e9lgica   0 X 0   Holanda<\/p>\n<p><em>22 de agosto de1973 &#8211; Amsterd\u00e3 <\/em><br \/>\nHolanda   5 X 0   Isl\u00e2ndia<\/p>\n<p><em>29 de agosto de 1973 &#8211; Deventer <\/em><br \/>\nIsl\u00e2ndia   1 X 8   Holanda<\/p>\n<p><em>12 de setembro de 1973 &#8211; Oslo <\/em><br \/>\nNoruega   1 X 2   Holanda<\/p>\n<p><em>18 de novembro de 1973 &#8211; Amsterd\u00e3 <\/em><br \/>\nHolanda   0 X 0   B\u00e9lgica<\/p>\n<p>De 1970 a 1973 a Holanda jogou 23 vezes. Teve 14 vit\u00f3rias, 6 empates e 4 derrotas. Marcou 61 gols e sofreu 15.<br \/>\nSuas derrotas foram para as sele\u00e7\u00f5es da Alemanha Oriental por 1 x 0 em 1970, Iugosl\u00e1via por 2 x 0 em 1971 e sele\u00e7\u00f5es da \u00c1ustria e Finl\u00e2ndia ambas por 1 x 0, atuando com jogadores reservas. Essa foi a temporada de prepara\u00e7\u00e3o para a disputa da Copa de 1974.<\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>A COPA DE 74<\/strong><\/font><\/p>\n<p>[img:jc11_1_.jpg,full,alinhar_esq_caixa] <em>Cruyff e Rep num dos ataques da &#8220;laranja mec\u00e2nica&#8221;<\/em><\/p>\n<p>O segredo dessa equipe, era que a posi\u00e7\u00e3o dos jogadores servia apenas para obedecer \u00e0 formalidade da escala\u00e7\u00e3o, uma vez que, come\u00e7ado o jogo, ningu\u00e9m mais tinha posi\u00e7\u00e3o nenhuma. Era, em suma, o pr\u00f3prio carrossel. A primeira v\u00edtima foi o Uruguai, que perdeu de 2 a 0 como podia ter perdido de oito ou de quinze. O jogo foi um dos maiores massacres t\u00e1ticos de que o futebol tem not\u00edcia. Basta dizer que, l\u00e1 pelas tantas, Pedro Rocha, o cl\u00e1ssico e elegante Pedro Rocha, dominou uma bola no peito e logo olhou para o ch\u00e3o &#8211; pois que uma bola dominada no peito por Pedro Rocha deveria estar agora submissa aos seus p\u00e9s. Mas n\u00e3o estava, e Rocha ficou alguns segundos olhando para o ch\u00e3o, perplexo, \u00e0 procura da bola. No curt\u00edssimo trajeto entre o peito e os p\u00e9s de Pedro Rocha, a bola lhe havia sido roubada por tr\u00eas ou quatro holandeses que estavam com ela l\u00e1 adiante, tramando um ataque. A Holanda jogava assim, defendendo e atacando em ondas, se assim se pode dizer: quatro ou cinco corriam na mesma bola, contra apenas um advers\u00e1rio, e sa\u00edam com ela como um bando de colegiais em alegre pelada de recreio.<\/p>\n<p>Alguns observadores viram ali um meio desorganizado e irrespons\u00e1vel de jogar. &#8211; Eles n\u00e3o sabem &#8211; respondia Cruyff &#8211; que toda essa desorganiza\u00e7\u00e3o \u00e9 meticulosammente ensaiada. E era mesmo. A seq\u00fc\u00eancia de jogos da Holanda consagrou aquele estilo novo, vibrante, mortalmente eficaz e objetivo &#8211; uma harmoniosa mistura de futebol-for\u00e7a com futebol-arte. Ao chegar \u00e0 final, a Holanda se orgulhava de uma campanha inigual\u00e1vel naquela Copa: seis jogos invictos, 14 gols a favor, apenas um contra &#8211; e era considerada favorita.<\/p>\n<p>Alguns observadores, por\u00e9m, conhecedores dos labirintos trai\u00e7oeiros de uma Copa do Mundo, viam esse favoritismo com reservas, porque do outro lado estava a Alemanha Ocidental, uma equipe consistente o bastante para fazer frente a qualquer advers\u00e1rio. No seu comando estava Helmut Shoen, disc\u00edpulo direto de Sepp Herberger, respons\u00e1vel pela vit\u00f3ria de 20 anos atr\u00e1s sobre a fant\u00e1stica sele\u00e7\u00e3o h\u00fangara. Assim como Rinus Michels, seu advers\u00e1rio, Shoen tinha \u00e0 m\u00e3o um punhado de grandes jogadores: o goleiro Sepp Maier, ent\u00e3o o melhor de todos; os excelentes laterais Vogts e Breitner; um forte meio de campo formado por Hoeness, Bonhof e Overath, este \u00faltimo um craque completo; na frente o maior artilheiro da hist\u00f3ria das Copas, o centroavante Gerd M\u00fcller, de precis\u00e3o cir\u00fargica na hora de finalizar em gol; e, no plano mais elevado que fosse poss\u00edvel, o capit\u00e3o Franz Beckenbauer que, de t\u00e3o altivo e elegante no seu relacionamento com a bola, dizia-se que podia ter sido ele o pr\u00f3prio inventor do futebol. \u00c0s v\u00e9speras da grande decis\u00e3o, na confort\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o holandesa, Rinus Michels saboreava com justi\u00e7a e prazer, cercado de rep\u00f3rteres do Mundo todo, o sucesso do seu trabalho. Indagado por um dos jornalistas sobre os fatores a que atribu\u00eda o \u00eaxito de sua equipe, remexeu-se na poltrona com um sorriso que n\u00e3o deixava d\u00favidas sobre a gl\u00f3ria que vivia naquele momento:<\/p>\n<p> <em>&#8211; Primeiro &#8211; respondeu depois de alguns segundos &#8211; , por que a sele\u00e7\u00e3o holandesa possui grandes individualidades. Segundo por que essas individualidades se adaptam perfeitamente ao esquema de jogo coletivo. E terceiro, por que tem um t\u00e9cnico chamado Rinus Michels. <\/em><\/p>\n<p>[img:9_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>Johann Cruyff, o g\u00eanio da Holanda e melhor jogador da Copa de 74.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>PRIMEIRA FASE<\/strong><\/font><\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_Uruguay_svg.png,full,vazio] URUGUAI 0 x 2  [img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA<\/strong><br \/>\n<em>15 de junho, 1974 &#8211; 16:00h <\/em><br \/>\nHannover, Niedersachsenstadion<br \/>\nP\u00fablico: 53,700<br \/>\n\u00c1rbitro: Palotai (Hungria)<br \/>\nGols: Rep 6&#8242;, 85&#8242;<br \/>\n<strong>HOLANDA: <\/strong>Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>URUGUAI: <\/strong>Mazurkiewicz, Forlan, J\u00e1uregui, Masnik e Pavoni; Montero Castillo, Esp\u00e1rrago e Pedro Rocha; Cubilla (Millar), Morena e Mantegazza.<\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 0 x 0  [img:20px_Flag_of_Sweden_svg.png,full,vazio] SU\u00c9CIA <\/strong><br \/>\n<em>19 de junho, 1974 &#8211; 19:30h <\/em><br \/>\nDortmund, Westfalenstadion<br \/>\nP\u00fablico: 53,700<br \/>\n\u00c1rbitro: Winsemann (Canad\u00e1)<br \/>\n<strong>HOLANDA:<\/strong> Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen (De Jong) e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>SU\u00c9CIA: <\/strong>Hellstroem, Olsson (Grip), Nordgvist, Karlsson e Andersson; Tapper (Person), Graham e Larsson, Edjersted, Edstroem e Sandberg.<\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 4 x1  [img:20px_Flag_of_Bulgaria_1971_1990.png,full,vazio] BULG\u00c1RIA <\/strong><br \/>\n<em>23 de junho, 1974 &#8211; 16:00h <\/em><br \/>\nDortmund, Westfalenstadion<br \/>\nP\u00fablico: 52,100<br \/>\n\u00c1rbitro: Boskovi\u0107 (Austr\u00e1lia)<br \/>\nGols: Holanda &#8211; Neeskens (pen) 5&#8242;, (pen) 44&#8242;, Rep 71&#8242;, de Jong 88&#8242;;  Bulg\u00e1ria &#8211; Krol 78&#8242; (g.c.)<br \/>\n<strong>HOLANDA:<\/strong> Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens; Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>BULG\u00c1RIA:<\/strong> Sataynov, Vassilev, Ikov, Velischov, Penev; Bonev, Stoyanov, Volnov, Panov (Borissov) e Denev (Michailov).<\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>SEGUNDA FASE<\/strong><\/font><\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 4 x 0  [img:20px_Flag_of_Argentina_svg.png,full,vazio] ARGENTINA <\/strong><br \/>\n<em>26 de junho, 1974 &#8211; 19:30h<\/em><br \/>\nGelsenkirchen, Parkstadion<br \/>\nP\u00fablico: 55,348<br \/>\n\u00c1rbitro: Davidson (Esc\u00f3cia)<br \/>\nGols: Cruijff 11&#8242;, 90&#8242;, Krol 25&#8242;, Rep 73&#8242;<br \/>\n<strong>HOLANDA: <\/strong>Jongbloed, Suurbier(Israel), Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>ARGENTINA:<\/strong> Carnevali, Wolf (Glar\u00eda), Perfumo, Heredia, S\u00e1, Valbuena, Telch, Squeo, Ayala, Yazalde e Houseman (Kempes).<\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_East_Germany_svg.png,full,vazio] ALEMANHA ORIENTAL 0 x 2  [img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA<\/strong><br \/>\n<em>30 de junho, 1974 &#8211; 16:00h <\/em><br \/>\nGelsenkirchen, Parkstadion<br \/>\nP\u00fablico: 67,148<br \/>\n\u00c1rbitro: Scheurer (Su\u00ed\u00e7a)<br \/>\nGols: Neeskens 7&#8242;, Rensenbrink 59&#8242;<br \/>\n<strong>HOLANDA:<\/strong> Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>ALEMANHA ORIENTAL: <\/strong>Croy, Kitsche, Weise, Branchs, Burbjuweit, Lauck, Sparwasser, Schnupasse, Hoffman, Lowe, Pommerenke.<\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 2 x 0  [img:20px_Flag_of_Brazil_svg.png,full,vazio] BRASIL<\/strong><br \/>\n<em>3 de julho, 1974 &#8211; 19:30h<\/em><br \/>\nDortmund, Westfalenstadion<br \/>\nP\u00fablico: 52,500<br \/>\n\u00c1rbitro: Tschenscher (Alemanha Ocidental)<br \/>\nGols: Neeskens 50&#8242;, Cruijff 65&#8242;<br \/>\n<strong>HOLANDA: <\/strong>Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.<br \/>\n<strong>BRASIL:<\/strong> Le\u00e3o, Z\u00e9 Maria, Lu\u00eds Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo C\u00e9sar Carpegiani, Rivelino e Dirceu; Valdomiro, Jairzinho e Paulo C\u00e9sar Lima (Mirandinha) .<\/p>\n<p>[img:holxbrasil_1__1.jpg,full,alinhar_esq_caixa] <em>O Carrossel de branco, pronto para enfrentar o Brasil<\/em><\/p>\n<p>Uma partida marcada pelo nervosismo de ambas as partes. A Holanda, pelo fato de enfrentar os tradicionais tricampe\u00f5es mundiais, que n\u00e3o se encontravam taticamente nos primeiros minutos de jogo; O Brasil, que decepcionantemente apelou para a viol\u00eancia fugindo completamente das suas caracter\u00edsticas habituais, querendo disputar a final da Copa a qualquer custo. Seguramente a partida na qual os brasileiros foram mais violentos em todas as hist\u00f3rias das Copas do Mundo.<\/p>\n<p>Fazia frio em Dortmund, com vento e chuva e m\u00e9dia de 16 graus de temperatura. Mas em pouco tempo, dentro das quatro linhas, essa temperatura triplicaria.<\/p>\n<p>O curriculum da sele\u00e7\u00e3o brasileira, que ainda contava com alguns nomes do grande time tricampe\u00e3o em 1970, intimidava os holandeses a princ\u00edpio. Mas, como citou Cruyff em seu livro sobre a Copa de 1974 &#8220;Futebol Total&#8221; : &#8220;Depois de meia hora de dificuldades, despojados j\u00e1 de qualquer temor, sacudindo o complexo de estar \u00e0 frente dos invenc\u00edveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem d\u00favida s\u00e3o e significam na hist\u00f3ria do futebol&#8221;.<\/p>\n<p>Os brasileiros apelam. Marinho Peres barra Jansen rispidamente, Rivelino provoca Rep, Valdomiro atinge deslealmente Neeskens com um pontap\u00e9 por tr\u00e1s, Marinho Chagas passa o jogo inteiro intimidando Cruyff como disse anos atr\u00e1s, que fez tudo para ser expulso junto com o capit\u00e3o holand\u00eas e que nada adiantava, &#8220;o homem era frio&#8221;, Marinho Chagas de novo revida uma entrada de Suurbier, Marinho Peres soca Neeskens &#8211; isso tudo nas costas do juiz. Os holandeses at\u00e9 que deram alguns trocos, mas estavam mesmo preocupados em jogar futebol e ir para a final\u00edssima com a Alemanha Ocidental, que vencia a Pol\u00f4nia por 1 a 0 num jogo tamb\u00e9m bem disputado. As tentativas de ataque brasileiras eram desorganizadas, e o goleiro brasileiro Le\u00e3o evitava, como podia, o pior.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Neeskens, aos 6 minutos do segundo tempo abre o placar atrav\u00e9s de uma r\u00e1pida infiltra\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s combina\u00e7\u00e3o com Cruyff. Este, aos 20 minutos marca 2 x 0 com um tiro rasteiro e indefens\u00e1vel, definindo o jogo.<\/p>\n<p>Minutos antes do t\u00e9rmino, o desespero final: Lu\u00eds Pereira quase parte Neeskens em dois, sendo expulso. E o t\u00e9cnico Zagalo, que menosprezava o &#8220;futebol alegrinho&#8221; jogado por uma das melhores sele\u00e7\u00f5es de todos os tempos, declarando estar preocupado unicamente com a final contra a Alemanha Ocidental, e que &#8220;podia fazer um suco dessa imensa laranja&#8221;, j\u00e1 se achando finalista, teve que engolir suas palavras, reconhecendo: &#8220;ca\u00edmos diante de um futebol de primeira linha&#8221;. Entrevistado em 1994, quando a sele\u00e7\u00e3o brasileira enfrentaria novamente a sele\u00e7\u00e3o holandesa na Copa dos Estados Unidos, Zagallo, com uma letra &#8220;l&#8221; a mais em seu nome e na fun\u00e7\u00e3o de Coordenador T\u00e9cnico, justificava suas palavras 20 anos depois  dizendo que &#8220;precisava dar moral \u00e0 minha equipe na \u00e9poca&#8221;.<\/p>\n<p>[img:neeskensxpereira_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>Lu\u00eds Pereira foi expulso ap\u00f3s entrada violenta em Neeskens<\/em><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><font color=\"#FF3300\"><strong>A BATALHA FINAL<\/strong><\/font><\/p>\n<p><strong>E mais uma vez o melhor n\u00e3o venceu!!!<\/strong><\/p>\n<p>O dia 7 de junho de 1974 \u00e9 uma data inesquec\u00edvel para o futebol holand\u00eas. Era a primeira vez, ap\u00f3s dez Copas do Mundo, que a Holanda chegava a uma final\u00edssima para a disputa do t\u00edtulo mundial. Era a favorita e tinha a opini\u00e3o geral a seu favor. Logo nos primeiros instantes da partida, exatamente aos dois minutos, ap\u00f3s v\u00e1rios passes trocados pela laranja mec\u00e2nica numa tentativa de enervar os alem\u00e3es ocidentais promovendo um &#8220;ol\u00e9&#8221;, Cruyff penetra na \u00e1rea, perseguido por Vogts, sua sombra, e sofre p\u00eanalti. O \u00e1rbitro ingl\u00eas Jack Taylor n\u00e3o quer nem saber que s\u00e3o apenas 2 minutos de jogo: assinala acertadamente a marca fatal.  Johan Neeskens, camisa 13, batedor oficial de p\u00eanaltis e o artilheiro dos momentos dif\u00edceis, chuta de p\u00e9 direito e vence Sepp Maier \u00e0 meia altura, para o conforto das esposas dos jogadores holandeses, presentes com seu apoio, no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Munique, marcando ent\u00e3o seu 5\u00ba gol na Copa.<\/p>\n<p>[img:neeskenspenalty_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>O gol de Neeskens de p\u00eanalti abria a contagem.<\/em><\/p>\n<p>Holanda um a zero. O que muitos previam come\u00e7ava a se tornar realidade. Mas o placar parcial a seu favor parecia ter dado uma tranq\u00fcilidade excessiva \u00e0 equipe holandesa, inexperiente em finais de Copa, jogando contra uma equipe competente, que estava atuando em sua casa e com o apoio incessante de sua torcida. Os alem\u00e3es ocidentais, orientados dentro das quatro linhas pelo capit\u00e3o e principal jogador Franz Beckenbauer, tamb\u00e9m conhecido como o &#8220;Kaiser&#8221;, tentavam se recuperar do golpe aos poucos, tendo como apoio 80% da massa. Um pouco antes do empate alem\u00e3o, a tranq\u00fcilidade excessiva holandesa come\u00e7ava a prejudicar a pr\u00f3pria equipe. O meio de campo Van Hanegen mostrava isso, agredindo Gerd M\u00fcller com um empurr\u00e3o violento jogando-o ao ch\u00e3o, nas costas de Jack Taylor, mas recebia cart\u00e3o amarelo ap\u00f3s ser dedurado pelo bandeirinha uruguaio Ram\u00f3n Barreto. Aos 25 minutos de jogo, p\u00eanalti de Jansen em Holzenbein quando este tentava se infiltrar pela \u00e1rea via ponta esquerda. Paul Breitner, o batedor oficial da Alemanha Ocidental converte em gol e a hist\u00f3ria do jogo ent\u00e3o mudaria. A armadilha do t\u00e9cnico Helmut Shoen, disc\u00edpulo de Sepp Herberger, o t\u00e9cnico alem\u00e3o campe\u00e3o mundial de 1954, come\u00e7ava a funcionar.<\/p>\n<p>[img:breitnerpenalty_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>Paul Breitner engana Jongbloed e empata.<\/em><\/p>\n<p>Berti Vogts, que viria a ser o t\u00e9cnico da Alemanha na Copa de 1994, chuta \u00e0 queima-roupa e perde um gol feito, evitado pela excelente defesa de Jongbloed. Minutos depois a defesa laranja, num instante de desaten\u00e7\u00e3o, permitia a Gerd M\u00fcller, aos 42 minutos ainda do primeiro tempo desempatar o jogo ap\u00f3s um passe vindo da direita, chutando da meia lua. Krol n\u00e3o consegue evitar o arremate. A r\u00e1pida jogada pela direita e o bom posicionamento do atacante alem\u00e3o colocam a Alemanha Ocidental em vantagem no placar: Alemanha 2 a 1.<\/p>\n<p>[img:mullergol_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>O artilheiro Gerd Muller vira o jogo em 2 x 1.<\/em><\/p>\n<p>No segundo tempo, as coisas come\u00e7avam a mudar.<br \/>\nA Holanda tentava se reorganizar na partida, atacava constantemente criando in\u00fameras oportunidades de gol, mas a bola negava-se a entrar. Breitner salva um gol quase em cima da linha.<br \/>\nO incans\u00e1vel ataque do carrossel d\u00e1 muito trabalho ao grande goleiro Sepp Maier, mas o alem\u00e3o estava impressionante na partida. O artilheiro Gerd M\u00fcller ainda faria um gol anulado por Jack Taylor.<\/p>\n<p>Num raro minuto de desaten\u00e7\u00e3o da defesa holandesa, Holzenbein ataca pela esquerda e sofre novo p\u00eanalti cometido por Jansen, a mesm\u00edssima jogada do primeiro tempo quando se deu o empate, mas dessa vez o juiz ingl\u00eas Jack Taylor n\u00e3o marca nada. E Maier, cuja atua\u00e7\u00e3o foi irrepreens\u00edvel, quase se contundia com uma entrada de Cruyff e se irritava com Neeskens, mas foi acalmado pelo maestro Franz Beckenbauer, que ent\u00e3o detinha o controle do jogo. Talvez a Holanda mereceu o empate pelo futebol que apresentou no segundo tempo. Talvez a Alemanha chegara \u00e0 final contando com a caprichosa ajuda da sorte, sem d\u00favida um fator necess\u00e1rio a toda equipe que aspira \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>[img:ataquelaranja_1_.jpg,full,vazio]<br \/>\n<em>A defesa alem\u00e3 resiste \u00e0s incessantes investidas holandesas \u00e0 sua meta.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>FICHA DO JOGO<\/strong><\/p>\n<p><strong>[img:20px_Flag_of_the_Netherlands_svg.png,full,vazio] HOLANDA 1 x 2  [img:20px_Flag_of_Germany_svg.png,full,vazio] ALEMANHA OCIDENTAL<\/strong><br \/>\n<em>7 de julho, 1974 &#8211; 16:00h<\/em><br \/>\nMunique, Olympiastadion<br \/>\nP\u00fablico: 75,200<br \/>\n\u00c1rbitro: Taylor (Inglaterra)<br \/>\nGols: Holanda: Neeskens 2&#8242; (pen); Alemanha Ocidental:   Breitner 25&#8242; (pen) M\u00fcller 43&#8242;<br \/>\n<strong>HOLANDA: <\/strong>Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen (De Jong) e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink (Ren\u00e9 Van der Kerkhof).<br \/>\n<strong>ALEMANHA OCIDENTAL:<\/strong> Maier, Vogts, Shwarzenbeck, Beckenbauer e Breitner; Bonhof, Hoeness e Overath; Grabowisky, Muller e Holzeinbein.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>Mas o Futebol Total mostrado nessa Copa do Mundo foi, sem d\u00favida, apresentado pela fant\u00e1stica Laranja Mec\u00e2nica, ou Carrossel Holand\u00eas, como preferirem definir a sele\u00e7\u00e3o holandesa, a \u00faltima das grandes sele\u00e7\u00f5es reveladas num Mundial.<br \/>\nRestaram para a Holanda dois consolos: o primeiro, de ter perdido para uma grande equipe, que atuava em sua pr\u00f3pria casa, com o calor de sua torcida; o segundo, de ter entrado para a hist\u00f3ria do futebol como um alegre carrossel de colegiais, que tinham o prazer de jogar futebol.&#8221;<\/p>\n<p><em>Fontes:<br \/>\nhttp:\/\/br.geocities.com\/laranjamecanica74\/<br \/>\nhttp:\/\/pt.wikipedia.org<br \/>\nwww.varaldeideias.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sele\u00e7\u00e3o Holandesa de 1974 revolucionou a maneira de jogar futebol: Criou o futebol 100% O COME\u00c7O DE TUDO Desde a famosa sele\u00e7\u00e3o h\u00fangara de 1954 que a Europa n\u00e3o produzia uma equipe como aquela &#8211; l\u00e1 se iam 20 anos de futebol. 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