{"id":33747,"date":"2012-05-27T13:33:06","date_gmt":"2012-05-27T16:33:06","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=33747"},"modified":"2012-05-27T13:33:06","modified_gmt":"2012-05-27T16:33:06","slug":"bangu-a-c-domingos-da-guia-da-bola-para-a-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=33747","title":{"rendered":"Bangu A.C.: Domingos da Guia, da Bola para a B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33748\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-001.jpg\" alt=\"\" width=\"306\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-001.jpg 306w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-001-229x300.jpg 229w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Domingos da Guia<\/strong>, o mais brilhante zagueiro brasileiro das d\u00e9cadas de 30 e 40, agora \u00e9 visto caminhando pelas ruas do M\u00e9ier, sub\u00farbio carioca onde mora, em dire\u00e7\u00e3o ao culto na Igreja Messi\u00e2nica, num ritual di\u00e1rio em que leva uma B\u00edblia debaixo do bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Aos 72 anos, o &#8220;<strong><em>Divino Mestre<\/em><\/strong>&#8220;, para os torcedores brasileiros, e &#8220;<strong><em>El Negro de Oro<\/em><\/strong>&#8220;, para os uruguaios e argentinos, hoje \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico aposentado e se preocupa mais com a f\u00e9 religiosa do que com a paix\u00e3o pelo futebol. &#8220;Fugi da vida material. Agora, s\u00f3 quero conhecer meu esp\u00edrito, me aproximar mais de Deus&#8221;, prega o ex-zagueiro.<\/p>\n<p>Mas este homem aparentemente tranq\u00fcilo e mergulhado na religi\u00e3o levou uma vida extremamente agitada em 20 anos de carreira. Em 1929, ele foi lan\u00e7ado como meio-campo, no Bangu.<\/p>\n<p>Logo, por\u00e9m, descobriram que seu lugar n\u00e3o era ali: fixou-se como zagueiro. N\u00e3o demorou muito a chegar \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Na <strong>Copa do Mundo de 1938<\/strong>, disputada na Fran\u00e7a, foi considerado Deus e Diabo ao mesmo tempo. Se cometeu um p\u00eanalti sem bola na semifinal, contra a It\u00e1lia, o que impediu que o Brasil disputasse o t\u00edtulo, manteve um n\u00edvel soberbo de atua\u00e7\u00f5es a ponto de ser eleito o melhor zagueiro da Copa.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, Domingos da Guia demonstra orgulho pela escolha, mas lembra tamb\u00e9m que j\u00e1 foi <strong>tricampe\u00e3o<\/strong> por tr\u00eas clubes diferentes. Em 1933, pelo Nacional, do Uruguai; em 1934, pelo Vasco; e em 1935, pelo Boca Juniors, da Argentina.<\/p>\n<p>Pai de <strong>Ademir da Guia<\/strong>, outro astro do futebol brasileiro, o <strong>velho Domingos<\/strong> guarda certa m\u00e1goa do tempo em que jogava. &#8220;Quase abandonei tudo quando, em 1944, fui vendido pelo <strong>Flamengo<\/strong> ao <strong>Corinthians<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33749\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-002.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-002.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Bangu-002-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ele tinha bons motivos para desejar permanecer no time carioca. O <strong>Flamengo<\/strong> havia conquistado os t\u00edtulos estaduais de 1942 e 43. E ele n\u00e3o queria perder o melhor da festa. De todo o modo, para n\u00e3o contrariar o h\u00e1bito, foi campe\u00e3o pelo clube paulista, em 1944.<\/p>\n<p><strong>Domingos da Guia<\/strong> ainda jogou pelo <strong>Bangu<\/strong>, de 1948 a 49, encerrando sua carreira. Mas, como os grandes astros de todos os palcos, voltou r\u00e1pido. E durante mais 20 anos exibiu suas habilidades no elenco de veteranos do Bangu.<\/p>\n<p>Ao deixar de vigiar perigosos atacantes advers\u00e1rios, o <strong>velho Domingos<\/strong> vestiu terno e gravata para fiscalizar bares, supermercados e o com\u00e9rcio em geral, como um respeit\u00e1vel agente da Secretaria da Fazenda do Rio.<\/p>\n<p>Houve, ainda nesse per\u00edodo, uma tenta\u00e7\u00e3o: o cargo de t\u00e9cnico do Olaria. Contudo, foi obrigado a optar: &#8220;<em>Preferi ficar na Fazenda. N\u00e3o fui bobo. Que garantias t\u00eam um t\u00e9cnico de futebol, ainda mais de time pequeno?<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Recolhido aos limites de seu bairro, <strong>Domingos<\/strong> divide suas aten\u00e7\u00f5es entre a igreja, a mulher &#8211; Erothides, com quem vive h\u00e1 45 anos &#8211; e a televis\u00e3o, com que se diverte ao assistir &#8220;Roque Santeiro&#8221;. E continua esperando um emprego no Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, que ele garante ter solicitado h\u00e1 dois anos ao presidente da CBF, Giulite Coutinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a0<strong><em>Fonte:<\/em><\/strong><em> Revista Placar &#8211; n\u00ba 812 (13 de Dezembro de 1985).<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fotos:<\/strong> Arquivo JS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Domingos da Guia, o mais brilhante zagueiro brasileiro das d\u00e9cadas de 30 e 40, agora \u00e9 visto caminhando pelas ruas do M\u00e9ier, sub\u00farbio carioca onde mora, em dire\u00e7\u00e3o ao culto na Igreja Messi\u00e2nica, num ritual di\u00e1rio em que leva uma B\u00edblia debaixo do bra\u00e7o. 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