{"id":33000,"date":"2012-05-15T16:41:45","date_gmt":"2012-05-15T19:41:45","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=33000"},"modified":"2021-09-28T13:36:52","modified_gmt":"2021-09-28T16:36:52","slug":"c-a-juventus-o-campeao-paulista-oficial-de-1934","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=33000","title":{"rendered":"C.A. Juventus &#8211; O Campe\u00e3o Paulista Oficial de 1934"},"content":{"rendered":"<p>Fugindo um pouco do tema &#8220;futebol fluminense&#8221;, o post de hoje \u00e9 sobre mais uma injusti\u00e7a do mundo do futebol.<\/p>\n<p>Todos sabemos que nos conturbados 30 anos iniciais do esporte predileto dos brasileiros foram frequentes as cis\u00f5es esportivas estaduais, originando ligas rivais e disputas de duas competi\u00e7\u00f5es em um mesmo ano.<\/p>\n<p>A regra sobre a validade ou n\u00e3o desses campeonatos \u00e9 simples: foi um clube grande que ganhou? Se sim, o t\u00edtulo \u00e9 contado, se n\u00e3o, \u00e9 relegado \u00e0s tra\u00e7as da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Contudo, o caso do futebol paulista em 1933 e 1934 \u00e9 ainda mais chocante: os campeonatos da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Football, a entidade OFICIAL do futebol de S\u00e3o Paulo, ou seja, FILIADA E RECONHECIDA pela entidade m\u00e1xima do pa\u00eds, a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos, esta por sua vez reconhecida pela FIFA, \u00e9 simplesmente ignorada pela atual FPF, assim como pela imprensa. O motivo original: seus campe\u00f5es, Albion (33) e Juventus (34) s\u00e3o clubes pequenos. O motivo atual: dirigentes da FPF atual e a m\u00eddia em geral nem devem saber que esse campeonato existiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/junventus_fiorentino.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33003\" title=\"junventus_fiorentino\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/junventus_fiorentino.jpg\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/junventus_fiorentino.jpg 573w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/junventus_fiorentino-300x192.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/junventus_fiorentino-500x321.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/a><strong><em>Juventus, o campe\u00e3o paulista oficial de 1934, quando se chamava C.A. Fiorentino<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Explicando melhor a hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Esportes Athleticos (APEA), dirigente oficial do futebol paulista, j\u00e1 vinha se aproximando do profissionalismo, para o desgosto de alguns clubes. Em 1926 houve uma s\u00e9ria cis\u00e3o, quando as agremia\u00e7\u00f5es que se diziam verdadeiramente amadoristas abandonaram a APEA e fundaram a Liga de Amadores de Football (LAF). A CBD, no entanto, continuou do lado da APEA, pois o profissionalismo desta n\u00e3o podia ser comprovado. De 1926 at\u00e9 1929 houveram dois campeonatos paulistas, o da APEA e o da LAF, sendo que apenas o da APEA, filiada \u00e0 CBD, era oficial. N\u00e3o obstante, mesmo que a LAF fosse &#8220;pirata&#8221;, todos, atualmente, contabilizam os dois campeonatos na lista oficial de campe\u00f5es paulistas. Foram eles:<\/p>\n<p>1926 &#8211; Palestra It\u00e1lia (APEA) e Paulistano (LAF)<\/p>\n<p>1927 &#8211; Palestra It\u00e1lia (APEA) e Paulistano (LAF)<\/p>\n<p>1928 &#8211; Corinthians (APEA) e Internacional (LAF)<\/p>\n<p>1929 &#8211; Corinthians (APEA) e Paulistano (LAF)<\/p>\n<p>Sem apoio oficial a LAF, enfraquecida, acabou. E seus principais clubes, entre eles Paulistano, AA das Palmeiras, Germ\u00e2nia e Internacional, relevant\u00edssimos no cen\u00e1rio do futebol paulista, infelizmente sa\u00edram de cena de nosso futebol, sendo alguns extintos e outros apenas encerrando o departamento de futebol.<\/p>\n<p>De 1930 a 1932 a APEA reinou sozinha no futebol bandeirante. Por\u00e9m, em 1933, veio a cis\u00e3o profissionalista. E eis o que aconteceu, contando em paralelo os fatos no Distrito Federal (Rio de Janeiro), para ajudar na compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dois maiores centros de futebol do pa\u00eds eram comandados, at\u00e9 ent\u00e3o, pela j\u00e1 mencionada APEA (SP) e pela Associa\u00e7\u00e3o Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA, do DF\/Rio), ambas filiadas \u00e0 CBD.<\/p>\n<p>Em 1933 alguns clubes do Rio e de S\u00e3o Paulo decidiram implantar o regime profissional. A CBD foi categoricamente contra. O que aconteceu no Rio e em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o, de certa forma foram o inverso um do outro.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro a AMEA, entidade oficial, manteve-se do lado da CBD e bateu o p\u00e9 contra o profissionalismo, por mais que o mesmo j\u00e1 fosse praticado por baixo dos panos. Os clubes dissidentes, ent\u00e3o, sa\u00edram da AMEA (e, junto, da CBD e da FIFA) e fundaram a Liga Carioca de Football (LCF), profissional e &#8220;pirata&#8221;.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo foi o contr\u00e1rio. A dire\u00e7\u00e3o da APEA posicionou-se a favor do profissiolismo, e foi desfiliada pela CBD, tornando-se uma liga n\u00e3o-oficial. Alguns clubes, por\u00e9m, preferiram ficar do lado da CBD, e fundaram a Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Football (FPF), logo filiada e reconhecida pela CBD como a entidade m\u00e1xima do futebol paulista. Entre eles o Guarani, a Ponte Preta, o CA Paulista, Hespanha (atual Jabaquara), S\u00e3o Paulo Railway (atual Nacional), entre outros.<\/p>\n<p>Em 1933 e 1934, ent\u00e3o, tivemos no Rio e em S\u00e3o Paulo dois campeonatos em cada, sendo um &#8220;amador&#8221; (em tese) e oficial (reconhecido pela CBD, entidade filiada \u00e0 FIFA), e o outro profissional e pirata (n\u00e3o-oficial, lembrando que a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Football foi criada depois pelos dissidentes, mas jamais reconhecida pela FIFA). Foram campe\u00f5es:<\/p>\n<p>1933\/SP &#8211; Albion (&#8220;amador&#8221;, oficial), Palestra It\u00e1lia (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1933\/Rio &#8211; Botafogo (&#8220;amador&#8221;, oficial), Bangu (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1934\/SP &#8211; Juventus (&#8220;amador&#8221;, oficial), Palestra It\u00e1lia (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1934\/Rio &#8211; Botafogo (&#8220;amador&#8221;, oficial), Vasco (profissional, pirata)<\/p>\n<p>Lembrando que o Juventus, quando conquistou o t\u00edtulo, chamava-se &#8220;Clube Atl\u00e9tico Fiorentino&#8221;, jogando com camisa gren\u00e1 e flor-de-lis inspirada no emblema da Fiorentina italiana no peito. Depois de conquistar o t\u00edtulo de &#8220;Campe\u00e3o Paulista de Futebol&#8221; o Juventus ainda conquistou a Ta\u00e7a S\u00e3o Paulo, novo nome da Ta\u00e7a Compet\u00eancia, ao vencer a AA Ferrovi\u00e1ria de Pindamonhangaba, campe\u00e3 do interior, por 5 x 0 e 3 x 1. Esse t\u00edtulo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 lembrado, pois at\u00e9 da lista de campe\u00f5es da Ta\u00e7a Compet\u00eancia Albion e Juventus s\u00e3o exclu\u00eddos&#8230;<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da cis\u00e3o no Rio de Janeiro \u00e9 muito bem lembrada, pelo tamanho do Botafogo. Por\u00e9m, em S\u00e3o Paulo, Juventus (que at\u00e9 ent\u00e3o conquistara um terceiro lugar em 1932, em campeonato com todos os grandes) e Albion foram jogados para escanteio.<\/p>\n<p>Em 1935 a fac\u00e7\u00e3o &#8220;cebedista&#8221;, como os jornais chamavam, virou o jogo. A CBD finalmente aceitou o profissionalismo (ou melhor, admitiu que este fosse praticado \u00e0s claras), e muitos dos clubes mais fortes das entidades piratas passaram para o seu lado, exce\u00e7\u00e3o feita \u00e0 Flamengo, Fluminense, Am\u00e9rica e Portuguesa, que ainda insistiriam com a FBF por mais alguns anos. Um dos motivos da debandada para a CBD: como a entidade era filiada \u00e0 FIFA, fora dela os dissidentes n\u00e3o conseguiam jogar partidas amistosas internacionais, e a tend\u00eancia seria um isolamento e enfraquecimento cada vez maior. Bastava a CBD aceitar o profissionalismo para ganhar a parada.<\/p>\n<p>De 1935 a 1936, novamente foram dois campeonatos, desta vez ambos eram profissionais, continuando a APEA e a LCF como &#8220;piratas&#8221; e com as amadoristas FPF e AMEA sendo &#8220;transformadas&#8221; em entidades profissionais, sendo elas a Liga Paulista de Football e a Federa\u00e7\u00e3o Metropolitana de Desportos. Seus campe\u00f5es:<\/p>\n<p>1935\/SP &#8211; Santos (profissional, oficial), Portuguesa (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1935\/Rio &#8211; Botafogo (profissional, oficial), Am\u00e9rica (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1936\/SP &#8211; Palestra It\u00e1lia (profissional, oficial), Portuguesa (profissional, pirata)<\/p>\n<p>1936\/Rio &#8211; Vasco (profissional, oficial), Fluminense (profissional, pirata)<\/p>\n<p>Como podemos ver, ao contr\u00e1rio de 33 e 34 todos os campe\u00f5es do ano s\u00e3o equipes consideradas grandes em seus estados. Logo, nenhum desses t\u00edtulos s\u00e3o esquecidos na contagem oficial das respectivas federa\u00e7\u00f5es estaduais.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de esquecimento \u00e9 t\u00e3o grave que mesmo o Juventus parece n\u00e3o entender o status do t\u00edtulo que ganhou. Na p\u00e1gina oficial do clube, informam secamente que foram campe\u00f5es paulistas amadores, quase dando a entender que era um t\u00edtulo de categoria inferior. Ora, todos os campe\u00f5es pr\u00e9-1933, em todo o Brasil, eram amadores!<\/p>\n<p>J\u00e1 o Albion nem existe mais para se defender.<\/p>\n<p>Resta apenas aos que amam o futebol guardar esses fatos com cuidado, e divulgarem sempre que puderem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fugindo um pouco do tema &#8220;futebol fluminense&#8221;, o post de hoje \u00e9 sobre mais uma injusti\u00e7a do mundo do futebol. Todos sabemos que nos conturbados 30 anos iniciais do esporte predileto dos brasileiros foram frequentes as cis\u00f5es esportivas estaduais, originando ligas rivais e disputas de duas competi\u00e7\u00f5es em um mesmo ano. 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