{"id":18454,"date":"2011-07-18T21:24:11","date_gmt":"2011-07-19T00:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=18454"},"modified":"2011-07-18T21:24:11","modified_gmt":"2011-07-19T00:24:11","slug":"a-conquista-da-maturidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=18454","title":{"rendered":"A CONQUISTA DA MATURIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Eterno vice at\u00e9 1952 o Brasil deu seu grande salto internacional ao conquistar invicto, o Pan-Americano de Santiago. O titulo, o primeiro que a sele\u00e7\u00e3o trouxe do exterior, lavou a alma do povo e dos jogadores.<br \/>\nQuem tem o melhor futebol do mundo ?<br \/>\n&#8211; Ora, somos n\u00f3s.<br \/>\nFoi sempre assim. Nos tempos de Friedenreich, na \u00e9poca de Domingos da Guia ou no reinado de Le\u00f4nidas da Silva. Mesmo naqueles anos que se seguiram \u00e0 trag\u00e9dia de 16 de julho de 1950, a opini\u00e3o das arquibancadas n\u00e3o mudou.Na verdade, a opini\u00e3o dos jornais, das r\u00e1dios, das concentra\u00e7\u00f5es, dos vesti\u00e1rios e dos gabinetes era praticamente igual. T\u00ednhamos de fato, pensavam todos, o melhor futebol do mundo.<br \/>\nTalvez tiv\u00e9ssemos. Mas nunca hav\u00edamos provado, na pr\u00e1tica, tal superioridade. Ao Brasil sobravam craques e faltavam t\u00edtulos. Que campeonatos internacionais a sele\u00e7\u00e3o levantara antes de 1952? Dava para contar nos dedos: tr\u00eas sul-americanos (1919. 1922 e 1949) e algumas ta\u00e7as em \u00e2mbitos quase dom\u00e9sticos. Nada mais. A Argentina, enquanto isso, conquistara nove sul-americanos. O Uruguai, nosso outro vizinho, dois campeonatos ol\u00edmpicos e duas Copas do Mundo al\u00e9m de v\u00e1rios sul-americanos.<br \/>\nPor isso, \u00e0 medida que o Constellation da Panair vencia a cordilheira dos Andes e aproximava-se de Santiago, o t\u00e9cnico Zez\u00e9 Moreira sentia sua responsabilidade aumentar. Ele acabara de aceitar, meio receoso, o cargo de treinador da sele\u00e7\u00e3o, substituindo Fl\u00e1vio Costa, que se desgastara com a perda<br \/>\nda Copa de 1950. Homem experiente, conhecedor do futebol e dos homens, Zez\u00e9 sabia perfeitamente que corria riscos muito grandes se n\u00e3o levasse o Brasil a conquista do titulo Pan-Americano que se realizaria na capital chilena. Mesmo em caso de vit\u00f3ria, supunha, n\u00e3o estaria a salvo das criticas. Seria chamado de dur\u00e3o, de violento e de retranqueiro. O mesmo que acontecera no ano anterior quando o Fluminense foi campe\u00e3o carioca.<br \/>\nCom todo esse ceticismo, Zez\u00e9 tratou de renovar a sele\u00e7\u00e3o. Para irrita\u00e7\u00e3o de muita gente n\u00e3o convocou Zizinho, Jair, Danilo, Barbosa, Augusto, Juvenal e Chico. Dos titulares de 50, s\u00f3 chamou, Bauer, Bigode, Ademir e Fria\u00e7a. Sua lista estava repleta de novidades: Castilho, Ely, Baltazar, Rodrigues e Nilton Santos, reservas na Copa. E entre os outros, Arati, Ipojucan. Djalma Santos, Brand\u00e3ozinho, Julinho, Rubens, Didi e Pinga. Zez\u00e9 imaginava que dali poderia tirar um bom time. Lamentava apenas que tivesse treinado uma vez, na v\u00e9spera do embarque. Talvez, embora o pa\u00eds esperasse pelo menos duas coisas daquela nova sele\u00e7\u00e3o: uma vingan\u00e7a contra os uruguaios e o titulo pan-americano, o primeiro que o Brasil obteria fora de casa.<br \/>\nOs advers\u00e1rios do Brasil seriam Chile, Uruguai, M\u00e9xico, Peru e Panam\u00e1. A estr\u00e9ia aconteceu com uma discreta vit\u00f3ria sobre o M\u00e9xico por 2&#215;0. Na segunda partida, o decepcionante empate contra o Peru em 0x0. Apesar dos 5&#215;0 contra o Panam\u00e1, vieram as primeiras criticas. A marca\u00e7\u00e3o por zona era uma calamidade. Zez\u00e9 perdera o pulso do time. E cometera um grave erro em n\u00e3o convocar Zizinho.<br \/>\nNo s\u00e1bado de Aleluia, que caiu em pleno campeonato, quase todos os Judas malhados em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, simbolizavam a figura de Zez\u00e9 Moreira. Essas e outras noticias chegaram logo a Santiago, contribuindo para que o ambiente se tornasse pesado. Os atletas chegaram a se afastar dos rep\u00f3rteres. E Zez\u00e9 come\u00e7ou a desconfiar que alguns jornalistas paulistas influenciavam os jogadores do seu Estado para que n\u00e3o seguissem \u00e0 risca suas determina\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas.<br \/>\nPara o jogo contra os uruguaios estava criado um clima muito pesado. Quando o jogo come\u00e7ou se notou que a ra\u00e7a e a t\u00e9cnica que n\u00e3o exibira no maracan\u00e3 em 1950, o Brasil foi fazendo seus gols. E batendo. Ely, o mais brig\u00e3o da equipe, acertou o capit\u00e3o Obdulio Varella e foi expulso. O Brasil terminou ganhando de 4&#215;2 na viol\u00eancia e na categoria. Faltava o \u00faltimo obst\u00e1culo, o Chile.<br \/>\nOs chilenos, apesar do seu med\u00edocre cartel internacional, havia se preparado seriamente para o pan-americano. Ao longo do campeonato, tinha se superado e feito uma campanha surpreendente. Foram quatro vit\u00f3rias: Uruguai 2&#215;0, Peru 3&#215;2, M\u00e9xico 4&#215;0 e Panam\u00e1 6&#215;1. Na final, bastaria um empate para ser o campe\u00e3o. Isso fez surgir em Santiago uma onda de exagerado otimismo. Como Brasil em 1950, o Chile perdeu a humildade antes da hora. A 24 horas do jogo, por exemplo, j\u00e1 eram vendidas nas esquinas de Santiago fl\u00e2mulas e bandeiras do Chile campe\u00f3n.<br \/>\nO que quase atrapalhou o Brasil foi a inesperada visita de um gordo inflamado pol\u00edtico Adhemar de Barros. No Hotel Savoy, onde estava a delega\u00e7\u00e3o brasileira, ele pediu que reunisse os jogadores e fez um discurso patri\u00f3tico \u2013\u201cA honra do pais est\u00e1 em jogo! Temos que derrota-los.\u201d Os mais velhos nem prestaram muito aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas palavras. Entretanto, v\u00e1rios novatos passaram a sentir o peso da responsabilidade. E Nilton Santos come\u00e7ou a espalhar pelos quartos \u2013 \u201cFutebol n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 patriotismo. Futebol \u00e9 futebol e pronto\u201d.<br \/>\nNo campo, os jogadores esqueceram as instru\u00e7\u00f5es de Adhemar de Barros. E n\u00e3o deu outra. Em 18 minutos, dois gols de Ademir praticamente liquidaram o jogo. Com dois gols de vantagem o Brasil tratou de esfriar o ritmo impetuoso do Chile e tocar a bola. No segundo tempo, Zez\u00e9 Moreira trocou Baltazar e Ademir por Ipojucan e Pinga. E foi um passe de Ipojucan que Pinga marcou o terceiro gol brasileiro. Com o Est\u00e1dio Nacional mergulhado num sil\u00eancio de maracan\u00e3 a 16 de julho de 1950, os brasileiros fizeram a festa no gramado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eterno vice at\u00e9 1952 o Brasil deu seu grande salto internacional ao conquistar invicto, o Pan-Americano de Santiago. O titulo, o primeiro que a sele\u00e7\u00e3o trouxe do exterior, lavou a alma do povo e dos jogadores. Quem tem o melhor futebol do mundo ? &#8211; Ora, somos n\u00f3s. Foi sempre assim. 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