{"id":14799,"date":"2011-02-08T20:07:55","date_gmt":"2011-02-08T22:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=14799"},"modified":"2020-03-23T13:54:35","modified_gmt":"2020-03-23T16:54:35","slug":"som-e-vozes-do-pacaembu-e-maracana-de-outrora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=14799","title":{"rendered":"Som e vozes do Pacaembu e Maracan\u00e3 de outrora"},"content":{"rendered":"<p>Os alto-falantes berram    cl\u00e1ssicas marchinhas de antigos carnavais, m\u00fasicas de sucesso e sons de    est\u00e1tica&#8230; De repente, a m\u00fasica para e um grande &#8220;clic&#8221; \u00e9 ouvido em todo o    est\u00e1dio do Pacaembu. Sil\u00eancio! Expectativa! Zumbido desagrad\u00e1vel de    microfonia! A tens\u00e3o aumenta! Os torcedores silenciam, interrompem o que    estavam falando ou fazendo. Ouvidos atentos! Em seguida a voz do speaker:<br \/>\n&#8211; O posto Esso de Francisco Zambrana informa a escala\u00e7\u00e3o das duas    equipes&#8230;<\/p>\n<p><strong>O locutor oficial do est\u00e1dio do Pacaembu nos anos 1950 era J. Domingues. J\u00e1 nos anos 1960-70&nbsp; era Evil\u00e1sio Sim\u00f5es de Carvalho<\/strong><strong><em><\/em><\/strong><strong>.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Francisco Zambrana era o propriet\u00e1rio do posto de gasolina que ficava na avenida General Ol\u00edmpio da SIlveira, perto da igreja de S\u00e3o Geraldo, na zona Oeste, conforme informou o historiador Mario Lopomo.<br \/>\nDurante quase duas d\u00e9cadas, praticamente desde a inaugura\u00e7\u00e3o    do est\u00e1dio, essa voz metalizada pelas cornetas instaladas na concha ac\u00fastica    dava in\u00edcio \u00e0s pr\u00e1ticas ritual\u00edsticas que eram desenvolvidas, religiosamente    (claro!), nas tardes dos domingos, fizesse sol, fizesse chuva.<br \/>\nE    continuava:<br \/>\n&#8211; O Sport Club Corinthians Paulista vai jogar com Bino,    Domingos da Guia e Belacosa&#8230; O S\u00e3o Paulo Futebol Clube vai jogar com Gijo,    Sav\u00e9rio e Renganeschi&#8230;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, que eu saiba ou me lembre, jamais fez    a pergunta fatal: &#8220;Onde, diabos, fica esse posto Esso? E quem \u00e9 Francisco    Zambrana?&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, passados 50 anos ou mais, tamb\u00e9m n\u00e3o vou perguntar,    &#8220;t\u00f4 nem a\u00ed&#8221;, embora aqueles sons tenham sido arquivados em meus arquivos    \u201cneuronais\u201d para sempre. Vez ou outra puxo uma pasta desse arquivo, passo um    espanador nos &#8220;pap\u00e9is&#8221; pra tirar a poeira e recordo aquelas tardes dos    sorvetes de palito, do amendoim salgadinho em cones de papel e das balas    Paulistinha.<\/p>\n<p>Alguns torcedores gritavam coisas mais pesadas, mas    imediatamente eram admoestados por algum algu\u00e9m que se sentisse ofendido:<br \/>\n&#8211;    Mo\u00e7o, n\u00e3o fala essas coisas&#8230; N\u00e3o \u201ct\u00e1 v\u00eano qui\u201d tem crian\u00e7a aqui?<br \/>\n&#8211; Eu    paguei \u201cpr\u00e1 entra\u201d! Eu \u201cfalu o que eu quis\u00e9\u201d!<br \/>\n&#8211; Ah, \u00e9? \u201cInt\u00e3o eu v\u00f4 chama\u201d    o guarda, quero v\u00ea \u201coc\u00ea fal\u00e1 pr\u00e1 eli!\u201d. \u00d4 seu guarda, olha esse &#8220;liga&#8221; aqui    falando palavr\u00e3o perto de crian\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Imediatamente vinha o &#8220;seu guarda&#8221;    com seu fardamento de flanela azul-marinho, quepe, espadim no cinto de    guarni\u00e7\u00e3o, revolver 38 invariavelmente apresentando marcas de ferrugem no    coldre e um cacetete de madeira &#8211; uma verdadeira borduna! &#8211; na m\u00e3o, tudo isso    debaixo de um sol de 38\u00b0 \u00e0 sombra, babando, &#8216;feliz&#8217; da vida:<br \/>\n&#8211; Cidad\u00e3o, me    acompanhe.<br \/>\n&#8211; \u201cQui foi qui\u201d eu fiz, seu guarda?<br \/>\n&#8211; Est\u00e1 falando palavr\u00e3o    perto de crian\u00e7a&#8230; N\u00e3o pode.<br \/>\n&#8211; Tem d\u00f3, seu guarda, eu vim da Penha pra ver    esse jogo&#8230; Pelo amor de Deus, n\u00e3o \u201cmi\u201d leva, eu fico \u201cqu\u00e9to\u201d&#8230;<br \/>\n&#8211; T\u00e1 bom,    mas muda de lugar&#8230; Vai ver o jogo em p\u00e9 l\u00e1 na concha&#8230;<br \/>\n&#8211; \u00d4, seu guarda,    l\u00e1 \u00e9 ruim, n\u00e3o \u201csi enxerga\u201d nada&#8230;<br \/>\n&#8211; \u201cOi\u201d&#8230; &#8211; batendo amea\u00e7adoramente com    o cassetete na palma da m\u00e3o.<br \/>\n&#8211; T\u00e1 bom, seu guarda, tava \u201cbrincano\u201d&#8230; \u201cT\u00f4    ino\u201d!<br \/>\n&#8211; \u201cSi\u201d eu \u201cti v\u00ea puraqu\u00ed traveis\u201d, o produto do Amazonas vai \u201ccant\u00e1\u201d    nas suas costa&#8230; Vai logo! N\u00e3o fica enrolando&#8230;<\/p>\n<p>O futebol e seus sons    atrav\u00e9s das ondas do r\u00e1dio e de vozes que silenciaram para sempre: Rebello    Jr., o Homem do Gol Inconfund\u00edvel, deu velocidade e vibra\u00e7\u00e3o \u00e0s transmiss\u00f5es    esportivas:<br \/>\n&#8211; Gota, ci\u00e1tica, press\u00e3o alta? Lave seus rins com    Urodonal.<br \/>\nFazia seu merchandising no meio das transmiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Geraldo    Jos\u00e9 de Almeida, voz de ouro, exuberante:<br \/>\n&#8211; Cerveja Anchieta, a melhor    cerveja preta!<br \/>\nOu dizia:<br \/>\n&#8211; Atilio Ricc\u00f3, Gaz\u00f4metro, tr\u00eas, zero, meia,    um s\u00f3!<\/p>\n<p>Sons e vozes que ficaram retidos em nossas    mem\u00f3rias&#8230;<\/p>\n<p>\u201cLo\u00e7\u00e3o Brilhante, l\u00e1l\u00e1l\u00e1l\u00e1 &#8211; n\u00e3o \u00e9 tintura, l\u00e1l\u00e1l\u00e1l\u00e1 &#8211;    lo\u00e7\u00e3o Brilhante \u00e9 restaurador &#8211; devolve aos cabelos a primitiva cor!\u201d.<br \/>\n\u201cDor    de cabe\u00e7a? Melhoral, \u00e9 melhor e n\u00e3o faz mal&#8221;.<br \/>\n\u201cMaria, sai da lata. Aqui    estou, senhor paladar exigente&#8230; Tosse, bronquite, rouquid\u00e3o? Xarope S\u00e3o    Jo\u00e3o!&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>E a sirene da R\u00e1dio Gazeta, ao meio dia, t\u00e3o pontual quanto    o rel\u00f3gio do mosteiro de S\u00e3o Bento&#8230;<br \/>\nTexto parcialmente adaptado&nbsp; de JoaquimIgnacio de Souza Neto<\/p>\n<p>No meu tempo, a partir de 1962, a m\u00fasica e a    propaganda cessavam de repente&nbsp; e fazia-se&nbsp; sil\u00eancio em todo o    est\u00e1dio, porque j\u00e1 era esperado o momento do speaker anunciar as    equipes.<br \/>\nOuv\u00edamos assim:<br \/>\nA Secretaria Municipal de Esportes anuncia a    escala\u00e7\u00e3o das equipes para esta tarde&#8230;&#8230;.<br \/>\nMais um sil\u00eancio de uns 5    segundos e anunciava com entona\u00e7\u00e3o:<br \/>\nCOR\u00cdNTHIANS!!!!!!<br \/>\nE depois anunciava    o advers\u00e1rio:<br \/>\nPALMEIRAS!!!!<br \/>\nN\u00e3o sei porque, mas o nome Corinthians era    dito, falado, pronunciado com mais entona\u00e7\u00e3o. Seria o speaker corintiano? Ou    ser\u00e1 que era eu que via com mais emo\u00e7\u00e3o?<br \/>\nGilberto Maluf<br \/>\nA seguir, vozes do Maracan\u00e3:<\/p>\n<p><strong>As est\u00f3rias ou    hist\u00f3rias (segundo os fil\u00f3logos \u00e9 a express\u00e3o mais correta) do    passado&nbsp;s\u00e3o as minhas del\u00edcias esportivas.<\/strong> <strong>Recordo-me saudoso das    inesquec\u00edveis tardes do Maracan\u00e3, nos in\u00edcio dos anos 60. Antes do in\u00edcio de    cada partida aguard\u00e1vamos ansiosos as escala\u00e7\u00f5es dos    &#8220;teams&#8221;.<\/strong> <strong>E l\u00e1 vinha    aquela bela voz, comprometida pelo horroroso sistema de    som.<\/strong> <strong>&#8221; E aten\u00e7\u00e3o    desportistas! (seguido de pequena pausa). A ADEG (Administra\u00e7\u00e3o dos Est\u00e1dios    da Guanabara, o novo estado) innnnnforma (assim mesmo estendido) equipes    para a partida prinnnnncipal desta tarde.<br \/>\n<\/strong><strong>Clube de Regatas    Flamengo (nova pausa): N\u00famero 1- Garcia; 2 &#8211; Tomires; 3- Pav\u00e3o;    4-&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/strong> <strong>Fluminense    Futebol Clube (pausa): N\u00famero 1 &#8211; Castilho; 2 &#8211; P\u00edndaro; 3 &#8211; Pinheiro; 4    -&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong> <strong><\/strong> <strong>Juiz da partida    o Sr &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..&nbsp;O nome do juiz (sempre acompanhado de    vaias, fosse qual fosse o nome).<\/strong> <strong><\/strong> <strong>Durante o jogo    as informa\u00e7\u00f5es: Aten\u00e7\u00e3o desportistas, a&nbsp;ADEG innnnnforma:&nbsp;em S\u00e3o    Janu\u00e1rio (expectativa e sil\u00eancio): Primeiro gol do Vasco da Gama. Agora Vasco    1 Bonsucesso Zero. Reclama\u00e7\u00f5es dos dois lados sempre torcendo para o mais    fraco. Que droga!!!!!! <\/strong> <strong><\/strong> <strong>Quando o Santos    (tamb\u00e9m nos anos 60) fez do Maracan\u00e3 a sua casa, o&nbsp; Maracan\u00e3 ficava&nbsp; sempre    abarrotado, e l\u00e1 vinha o ritual. S\u00f3 que a Coca Cola j\u00e1 era o    patrocinador.<\/strong> <strong>Aten\u00e7\u00e3o    desportistas! Coca-Cola informa equipes para a peleja principal desta    tarde:<\/strong> <strong>Santos Futebol    Clube: N\u00famero 1- Gilmar; 2- Mauro, 3- Dalmo;    4-&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;10    &#8211; (longo sil\u00eancio e pausa) PeL\u00c9 (del\u00edrio) e n\u00famero 11 &#8211; Pepe (que ningu\u00e9m    escutava tamanha a euforia nas torcidas). <\/strong> <strong>Afinal n\u00e3o era    sempre que se tinha o privil\u00e9gio de todo domingo assistir ao g\u00eanio da    bola!<\/strong> <strong><\/strong> <strong>Saudades, muitas    saudades.<\/strong><strong>Jairo L. de    Salles<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os alto-falantes berram cl\u00e1ssicas marchinhas de antigos carnavais, m\u00fasicas de sucesso e sons de est\u00e1tica&#8230; De repente, a m\u00fasica para e um grande &#8220;clic&#8221; \u00e9 ouvido em todo o est\u00e1dio do Pacaembu. 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