{"id":14210,"date":"2011-01-07T20:22:50","date_gmt":"2011-01-07T22:22:50","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=14210"},"modified":"2011-01-07T20:22:50","modified_gmt":"2011-01-07T22:22:50","slug":"quando-a-fonte-nova-se-despediu-da-primeira-divisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=14210","title":{"rendered":"Quando a Fonte Nova se despediu da Primeira Divis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\nVoc\u00ea j\u00e1 ouvir falar que um est\u00e1dio chorou? Pois isto aconteceu em 2003 na Bahia com a Fonte Nova! Mas antes vou contar porque essas coisas acontecem no Brasil.  Enquanto em outros pa\u00edses come\u00e7aram a organizar seus campeonatos desde o in\u00edcio do S\u00e9culo XX no Brasil a CBD s\u00f3 o faria em 1971.<br \/>\n\u00c9 por isto que at\u00e9 hoje h\u00e1 clubes que reivindiquem a chamada \u201cunifica\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos\u201d para que um monte de torneios que foram feitos antes sejam equiparados ao atual campeonato. Por traz de tudo isto existe uma luta surda pela hegemonia esportiva nacional, como a que foi feita recentemente, em benef\u00edcio de S\u00e3o Paulo, trocando a lideran\u00e7a de S\u00e3o Paulo e Flamengo pela da dupla Santos e Palmeiras.<br \/>\nDesde que foi criado o Campeonato Brasileiro sempre foi desigual e submetido a toda esp\u00e9cie de conveni\u00eancia pol\u00edtica no interesse dos chamados grandes clubes. Em noss pa\u00eds, quando algum \u201cclube grande\u201d se aproxima da zona do descenso \u00e9 um \u201cDeus nos acuda\u201d aparecendo todo tipo de arma\u00e7\u00e3o pra que isto n\u00e3o aconte\u00e7a. \u00c9 por isto que depois de 40 anos de Campeonato \u201cBrasileiro\u201d nenhum dos clubes tidos como grandes est\u00e1 na Segunda Divis\u00e3o.<br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o do certame nacional coincidiu com os anos mais sombrios da ditadura militar quando interessava fazer concess\u00f5es as elites estaduais pra garantir a centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e esportiva. Em 1979 a Primeira Divis\u00e3o chegou a ter 94 clubes. Na d\u00e9cada de 70 o Nordeste, tradicional reduto de sustenta\u00e7\u00e3o dos poderosos desde o Imp\u00e9rio, ganharia algumas migalhas com diversos de seus clubes participando.<br \/>\nMas depois que veio a CBF e, principalmente, que se organizou o campeonato por pontos corridos, foi \u201co fim da picada\u201d para os nordestinos. Nunca mais viram um t\u00edtulo brasileiro. Pra se classificar para a Ta\u00e7a Libertadora da Am\u00e9rica s\u00f3 sobrou mesmo o recurso da Copa Brasil ou ser campe\u00e3o da Copa Am\u00e9rica. A coincid\u00eancia \u00e9 que este modelo de campeonato come\u00e7ou no ano em que a Fonte Nova se despediu da Primeira Divis\u00e3o.<br \/>\n                A era do Campeonato Brasileiro por pontos corridos<br \/>\nAno           clubes       Sul + Sudeste       Centro-Oeste       Norte         Nordeste<br \/>\n2003            26             7        14                      2                         1                   2 (Bahia-Vit\u00f3ria)<br \/>\n2004            24             8        13                      1                         1                   1 (Vit\u00f3ria)<br \/>\n2005             22            6        12                      2                         1                   1 (Fortaleza)<br \/>\n2006             20            6        11                      1                         0                   2(Fortaleza\/Santa Cruz)<br \/>\n2007             20            6        10                      1                         0                   3(Am\u00e9rica(N), Sport e.<br \/>\n                                                                                                                                N\u00e1utico)<br \/>\n2008             20           5         11                      1                        0                    3(Vit\u00f3ria, Sport e N\u00e1utico)<br \/>\n2009             20           5         11                     1                       0                   3(idem)<br \/>\n2010             20           4         12                      2                      0                   2 (Vit\u00f3ria e Cear\u00e1)<br \/>\n2011             20           6         11                      1                      0                   2 (Bahia e Cear\u00e1)<br \/>\nBem, acho que isto basta pra ver que se reproduz no futebol a mesma discrimina\u00e7\u00e3o regional secular que faz com que o Brasil seja uma rep\u00fablica \u201cpra ingl\u00eas ver\u201d. O Sul e o Sudeste tem apenas sete estados mas nunca ficaram com menos de 16 representantes. Dentre eles, um s\u00f3 estado, S\u00e3o Paulo, j\u00e1 teve sete clubes na primeira divis\u00e3o. Desde que institu\u00edram vinte clubes no Campeonato Brasileiro estas regi\u00f5es nunca tiveram menos de 80% dos representantes.<br \/>\nO campeonato paulista, somente em cota de TV, reparte com seus clubes 67 milh\u00f5es de reais, ficando quase 60% disto com os quatro grandes(Palmeiras, Santos, Corinthians e S\u00e3o Paulo). Enquanto isto o campeonato baiano em 2011 receber\u00e1 apenas quatro milh\u00f5es, ficando pra dupla BA-VI 25% deste montante. Ou seja, num pa\u00eds de desigualdades um campeonato paulista vale quase 17 campeonatos baianos.<br \/>\nO sonho de alguns dirigentes paulistas \u00e9 transformar o Campeonato \u201cBrasileiro\u201d em um convescote dos times do estado. Enquanto isto o Nordeste, com nove estados, neste modelo de campeonato, sofre com a \u201ccota\u201d de dois clubes. N\u00e3o \u00e9 a toa que temos os piores \u00edndices sociais, de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e, como se v\u00ea, at\u00e9 no futebol! A politicagem da CBF tem sido para o Nordeste uma verdadeira madrasta. Desde que institu\u00edram a op\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d de todos jogarem contra todos, o Nordeste n\u00e3o saiu do lugar, expulsaram os clubes do Norte, e as vagas perdidas por outras regi\u00f5es ficaram com o Sul e Sudeste.<br \/>\nO que se chama de Campeonato \u201cBrasileiro\u201d n\u00e3o \u00e9 nada mais que um certame de duas regi\u00f5es (parecido com o antigo \u201cRobert\u00e3o\u201d ampliado) com tr\u00eas ou quatro convidados. Quando as reclama\u00e7\u00f5es apertam demais a CBF aceita incluir apenas mais UM clube das regi\u00f5es mais pobres. Isto ficou evidente no \u00faltimo campeonato. Quando o EC Bahia come\u00e7ou a garantir o seu ascenso a Primeira Divis\u00e3o come\u00e7aram a acontecer coisas estranhas. O Sport, que estava ganhando de todo mundo, estancou passando a perder jogos f\u00e1ceis. Aqui em Salvador apareceram estranhos ju\u00edzes e bandeirinhas pra apitar os jogos do EC Vit\u00f3ria.<br \/>\nP\u00eanaltis n\u00e3o eram marcados e a toda hora \u201crolava\u201d o cart\u00e3o amarelo. Nem vou falar de impedimentos e invers\u00f5es de faltas. Mas o pior mesmo estava reservado pros jogos decisivos para o rubro negro contra o Corinthians e Atl\u00e9tico Goianiense. No jogo contra o alvi negro paulista o juiz deixou de marcar um gol leg\u00edtimo do centroavante rubro-negro Junior e um p\u00eanalti escandaloso do goleiro corintiano em Adailton.<br \/>\nComo tinha que manter a vaga do Centro-Oeste o jogo final foi tragic\u00f4mico. Ali, mesmo  jogando mal o Vit\u00f3ria poderia ter ganhado a partida n\u00e3o fosse pela atua\u00e7\u00e3o do juiz da federa\u00e7\u00e3o paulista. Deu pra ver nas emissoras de televis\u00e3o locais (porque n\u00e3o sai isto nos programas esportivos do Sul-Sudeste) o meia rubro negro Ramon ser empurrado dentro da \u00e1rea e o gol sensacional de \u201cbicicleta\u201d de Junior. Mas para o juiz n\u00e3o houve gol nem p\u00eanalti e o time foi rebaixado para a Segunda Divis\u00e3o.<br \/>\nDesde o imp\u00e9rio os nordestinos est\u00e3o submetidos a um Estado Federal que incorpora algumas demandas das elites baianas mas diz n\u00e3o aos seus grandes interesses. Desde que foi inventado o futebol vimos \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do poder esportivo no Sul-Sudeste. A partir da cria\u00e7\u00e3o do \u201cBrasileiro\u201d aos poucos nos deixaram escanteados. E esta situa\u00e7\u00e3o conta com o apoio dos dirigentes esportivos beneficiados. Eles aceitam toda esta situa\u00e7\u00e3o injusta, um calend\u00e1rio esportivo estafante, e fazer os campeonatos estaduais em apenas quatro meses, em troca de apenas dois clubes participarem do dito certame nacional.<br \/>\nDurante oito meses os demais clubes ficam numa situa\u00e7\u00e3o de dar pena! Alguns zanzam pela segunda divis\u00e3o de onde nunca saem. Outros ficam numa ainda pior, amargando a terceira e quarta divis\u00f5es. H\u00e1 quem sequer participe de divis\u00e3o nenhuma. Como o dinheiro das televis\u00f5es e da CBF \u00e9 distribu\u00eddo com base na Primeira Divis\u00e3o d\u00e1 pra imaginar quem fica com a parte do le\u00e3o. A\u00ed o Norte e o Nordeste sofrem com a falta de estrutura esportiva, com o privil\u00e9gio da m\u00eddia a favor dos clubes do Sul-Sudeste, com as dificuldades pra manter seu elenco tendo em vista os custos astron\u00f4micos da Primeira Divis\u00e3o, etc., etc.<br \/>\nO assunto deste artigo \u00e9 o \u00faltimo campeonato por pontos corridos realizados no est\u00e1dio foi em 2003, que tamb\u00e9m foi o \u00faltimo ano que participaram a dupla BA-VI no nosso hist\u00f3rico est\u00e1dio. Naquele ano, nosso hist\u00f3rico est\u00e1dio foi tomado por uma profunda tristeza, pois parece que estava adivinhando que n\u00e3o veria mais os clubes baianos na Primeira Divis\u00e3o.<br \/>\nO campeonato come\u00e7ou no fim de mar\u00e7o, em meio \u00e0 disputa da Copa Brasil. Na ocasi\u00e3o a tabela foi ingrata para o tricolor. Apesar de s\u00f3 haver dois clubes do Nordeste, os colocaram para abrir a primeira rodada do \u201cnacional\u201d, no \u201cCastel\u00e3o\u201d prejudicando logo de sa\u00edda Bahia e Fortaleza em fun\u00e7\u00e3o do empate sem gols. Logo depois pegaria o Flamengo(em casa) e o Internacional(no est\u00e1dio do \u201cBeira Rio\u201d).<br \/>\nAssim, o tricolor perderia do Flamengo(1 X 2) e do Inter(0 X 2). O primeiro foi o \u00fanico jogo que a torcida prestigiou em massa acorrendo na estreia 50.000 pessoas. O t\u00e9cnico do Bahia era Bob\u00f4 e o time uma l\u00e1stima. Veja se lembra de algu\u00e9m: M\u00e1rcio, Guto, Marcelo Souza, Valdomiro e Lino; Otac\u00edlio(Nilson Sergipano), Jair, Luiz Alberto, Preto Casa Grande e Paulo S\u00e9rgio(Marcelo Nic\u00e1cio); Claudio. Conseguiu? Eu s\u00f3 recordo de Preto(que hoje \u00e9 comentarista) M\u00e1rcio(que est\u00e1 no Atl\u00e9tico Goianiense), e tenho vaga lembran\u00e7a de Otac\u00edlio e Marcelo Nic\u00e1cio, que nem sei mais onde est\u00e3o.<br \/>\nMas agora o esquadr\u00e3o de a\u00e7o emendaria duas partidas seguidas na Fonte Nova e tinha esperan\u00e7as de recupera\u00e7\u00e3o. A primeira foi contra o Juventude quando apareceram somente oito mil torcedores, que viram o tricolor se reabilitar ganhando por tr\u00eas a um. Mas tr\u00eas dias depois o time seria goleado em plena Fonte Nova pelo Atl\u00e9tico Mineiro por quatro a dois! Jair e Nonato evitaram que o desastre visto por onze mil torcedores n\u00e3o fosse ainda maior.<br \/>\nFoi no in\u00edcio do certame que o Bahia cruzaria com o Vasco da Gama pela Copa Brasil. Os jogos seriam muito disputados mas as rendas nem tanto. A primeira partida ocorreu na v\u00e9spera de meu anivers\u00e1rio de 55 anos, quando. o tricolor derrotaria os cruzmaltinos por dois a um na Fonte Nova. Antes do jogo de volta, por\u00e9m, estava marcada uma partida contra o Paran\u00e1 fora de casa, que resultou em uma derrota contundente do esquadr\u00e3o de a\u00e7o por tr\u00eas a um.<br \/>\nA\u00ed se estabeleceu a primeira crise deste ano sendo Bob\u00f4 substitu\u00eddo por Gil Sergipano \u00e1s v\u00e9speras do segundo jogo contra o Vasco. O castigo veio a cavalo fazendo com que o time n\u00e3o conseguisse impedir a vit\u00f3ria carioca pelo escore m\u00ednimo, sendo eliminado pelo crit\u00e9rio de gols fora de casa.  Agora cuidaria somente do Campeonato \u201cBrasileiro\u201d.<br \/>\nA torcida sofria com o clube que, desde a d\u00e9cada anterior, havia perdido a hegemonia no futebol do estado. Mas o nosso hist\u00f3rico est\u00e1dio ainda acreditava no esquadr\u00e3o de a\u00e7o mesmo sem muita gente nas arquibancadas. Quando foi feita nova substitui\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico, agora por Evaristo Macedo, campe\u00e3o de 1988, infundiu-lhe mais esperan\u00e7as, confirmadas logo pela vit\u00f3ria contra o Gr\u00eamio por dois a um, dois dias depois das manifesta\u00e7\u00f5es do Primeiro de Maio, as primeiras da Era Lula.<br \/>\nO EC Bahia apresentou certa melhora, voltando a S\u00e3o Janu\u00e1rio onde empataria com o Vasco por um gol, e voltaria a ganhar na Fonte Nova, gra\u00e7as a dois gols de Nonato, contra o Paissandu. O time pareceu estar mais estabilizado. Experimentar-se-ia nova derrota na sa\u00edda contra o Figueirense(0 X 1), voltaria pra ganhar pela terceira vez seguida na Fonte Nova, agora contra o Goi\u00e1s(2 X 1), colhendo na sequencia um excelente resultado no Morumbi contra o S\u00e3o Paulo(2 X 2).<br \/>\nMas o melhor estava reservado para os tricolores na fase Evaristo, ganhar no \u00faltimo BA-VI na Primeira Divis\u00e3o na Fonte Nova por dois a um. Apesar do p\u00fablico n\u00e3o ser o esperado, apenas 22.000 pagantes, os gols de Lino e Nonato(contra o de Nadson para o rubro negro)fizeram esquecer todas as mazelas e afastar o fantasma do rebaixamento.<br \/>\nO pr\u00f3ximo jogo seria contra o Curitiba em casa e nenhum torcedor aceitava outro resultado que a quinta vit\u00f3ria consecutiva do tricolor. A torcida, entretanto, ainda desconfiava da  equipe dos desconhecidos e esta amargaria um empate em dois gols com a Fonte Nova \u00e1s moscas. Parecem que estavam adivinhando o que viria. O time faria dois jogos fora de casa contra Santos e Fluminense e veio com duas derrotas na mala. Na Vila Belmiro foi de quatro a zero, e no Maracan\u00e3 pelo escore m\u00ednimo.<br \/>\nA amea\u00e7a de um nova crise foi descartada pela retomada do caminho da vit\u00f3ria em casa contra o Guarani(2 X 0). Mas quem ia ao jogo j\u00e1 percebia que algumas \u00e1reas do est\u00e1dio estavam embranquecidas, \u00e9 que a Fonte Nova estava com os cabelos brancos de tanta apreens\u00e3o. No entanto os pr\u00f3ximos jogos n\u00e3o pareciam dif\u00edceis, Ponte Preta e Atl\u00e9tico Paranaense (fora de casa) e S\u00e3o Caetano na Fonte Nova. Desses jogos dependia a esperan\u00e7a da retomada. No entanto, os resultados foram p\u00e9ssimos para o Bahia que perdeu em Campinas(0 X 1) e em Curitiba(1 X 2), e empatou sem gols contra o S\u00e3o Caetano na Fonte Nova com mais moscas que torcedores. Agora o clube estava rondando a zona de rebaixamento e a sua torcida sofria as goza\u00e7\u00f5es dos rubro negros, que s\u00f3 cairiam no pr\u00f3ximo ano.<br \/>\nAgora nem gols o time fazia, empatando de novo com o Corinthians para a plateia mais reduzida que viu a equipe paulista jogar na Fonte nova, dez mil pessoas. S\u00f3 a condi\u00e7\u00e3o de equilibrista mantinha Evaristo no cargo. O t\u00e9cnico vitorioso tinha voltado 15 anos depois para rebaixar o tricolor? Era a pergunta que se fazia!<br \/>\nPois foi nesta situa\u00e7\u00e3o que o Bahia viajou pra enfrentar o Cruzeiro no \u201cMineir\u00e3o\u201d onde levou de cinco a dois com Aristiz\u00e1bal fazendo a festa na defesa tricolor. Mesmo assim preferiu manter o t\u00e9cnico que n\u00e3o conseguiria ganhar do Crici\u00fama na Fonte Nova(2 X 2) e, ao sair de novo, seria massacrado no Maracan\u00e3 pelo Flamengo por seis a zero com um show de Edilson que ajudaria o rebaixamento do Vit\u00f3ria no pr\u00f3ximo ano. Era o caos!<br \/>\nA\u00ed n\u00e3o deu mais e o tricolor contratou o seu quarto t\u00e9cnico no certame, Marcelo Chamusca. A ocasi\u00e3o era prop\u00edcia para o rec\u00e9m-chegado pois haveriam dois jogos seguidos na Fonte Nova. Esta, entretanto, j\u00e1  come\u00e7ava a se desesperar com aquela situa\u00e7\u00e3o onde nem havia torcida nem subida na tabela. Foi assim que o tricolor ganhou do Fortaleza(1 X 0) e voltou a perder, agora pro Inter(1 X 3).<br \/>\nA diretoria n\u00e3o sabia mais o que fazer. Trocou de t\u00e9cnico, mudou boa parte do time e nada! A\u00ed trocou de treinador mais uma vez, o quinto foi Lula Pereira. Este, apelou pra um recurso muito conhecido. Para os dois pr\u00f3ximos jogos fora de casa colocou o tricolor na retranca, embora n\u00e3o evitasse novas derrotas, contra Juventude e Atl\u00e9tico Mineiro, pelo escore m\u00ednimo. Pelo menos parecia ter passado a fase das goleadas.<br \/>\nDentro de casa por\u00e9m, colocou o time pra jogar pra frente. Houve na \u00e9poca quem achasse que o esquema era demasiado ofensivo no entanto foi logo abafado pela vit\u00f3ria de 4 X 2 contra o Paran\u00e1. Outro problema foi que nenhum atacante fez gol neste jogo apreciado por apenas sete mil torcedores. A pr\u00f3pria Fonte Nova se iludiu aplaudindo o \u201cjogo aberto\u201d do Bahia.  Parecia dar certo o esquema de Lula(o t\u00e9cnico n\u00e3o o presidente)que colheria um \u00f3timo empate no est\u00e1dio Ol\u00edmpico contra o Gr\u00eamio em um gol e voltaria para arrasar o Vasco com convincentes tr\u00eas a zero. Nesse dia at\u00e9 a torcida melhorou, dezoito mil pagantes, e um atacante fez gol, Didi.<br \/>\nO Bahia havia subido na tabela e parecia que afastaria definitivamente a amea\u00e7a do rebaixamento. O pr\u00f3ximo jogo seria em Bel\u00e9m com o time do Paissandu teoricamente mais fraco. Foi a\u00ed que Lula Pereira abandonou a t\u00e1tica defensiva fora de casa, colhendo como resultado uma acachapante derrota por quatro a zero. Este resultado foi decisivo para o que viria a seguir no campeonato derrubando a moral da equipe.<br \/>\nNo retorno a Salvador a Fonte Nova chorava a olhos vistos. Quem chegava para o jogo e via as arquibancadas molhadas pensava que era devido \u00e0s chuvas e n\u00e3o as l\u00e1grimas do nosso hist\u00f3rico est\u00e1dio que come\u00e7ou a prever o que ia acontecer. O Bahia empata com o Figueirense em um gol ainda sem desempenho dos atacantes. Logo depois sai pra perder do Goi\u00e1s (1 X 3) com Didi salvando a \u201chonra\u201d dos atacantes.<br \/>\nOs pr\u00f3ximos jogos sugeriam dificuldades, o poderoso S\u00e3o Paulo em casa e o Vit\u00f3ria no \u201cBarrad\u00e3o\u201d. A preocupa\u00e7\u00e3o era evidente entre os torcedores do esquadr\u00e3o de a\u00e7o. Mas, por incr\u00edvel que possa parecer, o tricolor surpreendeu a todos e transformou as l\u00e1grimas de tristeza da Fonte Nova em uma torrente de alegria ao enfiar tr\u00eas a zero no tricolor paulista, sem que se preocupasse com a falta de gols dos atacantes. Na ocasi\u00e3o Lula Pereira voltou a utilizar a t\u00e1tica de \u201cpeito aberto\u201d na Fonte Nova.<br \/>\nLogo a seguir o Bahia perderia de novo, agora para o seu arquirrival no \u201cBarrad\u00e3o\u201d que descontaria a derrota do turno pelo mesmo placar enfiando o tricolor \u201cna zona\u201d e logo no Dia das crian\u00e7as. A tabela previa ainda outro jogo fora de casa, contra o Curitiba, levando o tricolor a nova derrota(2 X 3). Com o tricolor nesta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 restava convocar a torcida pra partida contra o Santos onde jogaria pra vencer.<br \/>\nNa oportunidade Lula Pereira empregaria mais uma vez o seu esquema de jogar \u201cde igual para igual\u201d dentro de casa, sequer se lembrando de que o Bahia havia perdido de cinco para os santistas na Vila Belmiro. A campanha at\u00e9 que deu certo atraindo 17.000 torcedores. A Fonte Nova ficou desconfiada mas decidiu apostar. Mesmo que no jogo os atacantes voltassem a marcar fazendo quatro gols \u00e0 maneira aberta de enfrentar o Santos foi uma l\u00e1stima fazendo com que este enchesse o balaio do Bahia com sete gols. Foi um dos resultados mais desastrosos em certames nacionais na Fonte Nova. Eu n\u00e3o fui ao jogo mas tem gente que foi que jura que ouviu as ferragens do est\u00e1dio rangendo: era o choro copioso da Fonte Nova.<br \/>\nFaltavam oito partidas pra acabar o certame e o Bahia avaliava a conveni\u00eancia de contratar um sexto t\u00e9cnico. Enquanto isto discutia com o t\u00e9cnico para mudar a t\u00e1tica suicida que vinha empregando, de tudo ao nada, por jogar com mais cuidado na defesa e melhorar o ataque fora de casa.  Os primeiros efeitos foram sentidos no jogo contra o Fluminense na Fonte Nova(2 X 2)mas o time tinha deixado de ganhar dentro de casa.<br \/>\nSobrou para o t\u00e9cnico sendo contratado o sexto do certame, Edinho Nazareth. Acreditem, para seis jogos! Coube-lhe a responsabilidade de livrar o clube do rebaixamento. Na verdade o que os dirigentes estavam atr\u00e1s era de um milagre! Edinho promoveu o equil\u00edbrio entre ataque e a defesa e este mostrou evolu\u00e7\u00e3o em Campinas, mesmo perdendo por tr\u00eas a dois. Depois voltaria a jogar dentro de casa com nova filosofia, buscando ganhar e garantir o resultado, o que lhe valeu uma vit\u00f3ria para a Ponte Preta por um a zero.<br \/>\nEm cinco jogos o Bahia decidiria sua vida. A nova sa\u00edda por\u00e9m n\u00e3o seria nada auspiciosa caindo de quatro a um para o S\u00e3o Caetano fora de casa. N\u00e3o havia mais jeito a n\u00e3o ser manter o t\u00e9cnico. A tabela programava dois jogos na Fonte Nova e dois fora pra livrar-se do rebaixamento. A torcida acorreu em n\u00famero maior contra o Atl\u00e9tico Paranaense, quase vinte mil pessoas, mas o tricolor foi de novo derrotado, agora por dois a zero. Agora sairia em excurs\u00e3o pra encerrar sua campanha contra o futuro campe\u00e3o Cruzeiro em casa.<br \/>\nHaveria uma heroica rea\u00e7\u00e3o tricolor como tantas do passado? N\u00e3o foi o que aconteceu, registrando-se derrotas para o Corinthians(1 X 2) e para o Crici\u00fama(2 X 3) antes de enfrentar a raposa mineira. O Bahia ficaria em \u00faltimo lugar, sendo rebaixado junto com o Fortaleza, por \u201ccoincid\u00eancia os dois do Nordeste\u201d. O desastre experimentado contra a equipe de Wanderley Luxemburgo em 14 de dezembro de 2003 foi o maior de toda a hist\u00f3ria do Bahia na Fonte Nova. At\u00e9 que teve um bom p\u00fablico, mais de vinte mil torcedores compareceriam a \u00faltima vez que se jogaria pelo Campeonato Brasileiro em nosso hist\u00f3rico est\u00e1dio. Eis o time do EC Bahia daquele dia \u201cinesquec\u00edvel\u201d: Emerson, Chiquinho, Acioly, Paulinho e Valdomiro; Otac\u00edlio, Ramos, C\u00edcero e Preto Casagrande; Cl\u00e1udio e Didi. Ah, n\u00e3o podemos esquecer-nos do \u201cmilagreiro\u201d Edinho Nazareth.<br \/>\nOs torcedores que estavam ali ainda sa\u00edram da Fonte Nova com a \u201ccabe\u00e7a inchada\u201d e n\u00e3o puderam esquecer, n\u00e3o s\u00f3 os cinco gols de Alex, assim como os de Mota e Felipe Melo (aquele que faria um papel\u00e3o na Copa da \u00c1frica!), mas o choro da Fonte Nova. Quem diria Greta Garbo acabou no Iraj\u00e1! Um est\u00e1dio que tinha abrigado cinco decis\u00f5es nacionais agora passava a ser um equipamento \u201cde segunda\u201d, e, logo ap\u00f3s, \u201cde terceira\u201d. Era realmente pra chorar mesmo! <\/p>\n<p>\u2022\tAgrade\u00e7o as informa\u00e7\u00f5es dos blogs Wikip\u00e9dia, Bola na \u00e1rea e futip\u00e9dia. globo.com. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouvir falar que um est\u00e1dio chorou? Pois isto aconteceu em 2003 na Bahia com a Fonte Nova! Mas antes vou contar porque essas coisas acontecem no Brasil. 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