{"id":12710,"date":"2010-11-24T13:45:18","date_gmt":"2010-11-24T15:45:18","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=12710"},"modified":"2010-11-24T13:52:44","modified_gmt":"2010-11-24T15:52:44","slug":"o-benfica-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=12710","title":{"rendered":"O Benfica na Bahia"},"content":{"rendered":"<p>* Comemora\u00e7\u00e3o aos cinquenta anos da presen\u00e7a esportiva portuguesa no Brasil<\/p>\n<p>Portugal tem uma rela\u00e7\u00e3o secular com o Brasil. Mas nem tudo foram flores entre os dois territ\u00f3rios, particularmente com a conquista e a integra\u00e7\u00e3o no imp\u00e9rio portugu\u00eas. A Bahia foi pe\u00e7a central nesta rela\u00e7\u00e3o. Foi a ela que se dirigiram as primeiras expedi\u00e7\u00f5es lusitanas. Onde se estabeleceu em 1549 a sede pol\u00edtica, administrativa e religiosa do imp\u00e9rio no que seria o continente americano. Seria ali o local escolhido, pelo ent\u00e3o pr\u00edncipe Dom Jo\u00e3o, para aportar a sua comitiva quando da transmigra\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds em 1808, e pela revolu\u00e7\u00e3o liberal portuguesa para a elei\u00e7\u00e3o de deputados quando da Assembleia Constituinte do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Quis o destino que no solo da Bahia se travasse a maior de todas as guerras entre os dois pa\u00edses, que iria consolidar a sua separa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica em 1822\/1823. Durariam ainda, por\u00e9m, mais de seis d\u00e9cadas os monarcas portugueses em solo brasileiro. As rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses continuaram no regime republicano, nos campos econ\u00f4mico, cient\u00edfico e s\u00f3cio \u2013 cultural, mas se estenderam a novas dire\u00e7\u00f5es, entre as quais o esporte.<\/p>\n<p>A descoberta do futebol guarda diferen\u00e7as substanciais entre os dois pa\u00edses. Embora o esporte chegasse a ambos por interm\u00e9dio dos ingleses, os protagonistas no Brasil foram estudantes, trabalhadores e moradores de bairros populares, enquanto em Portugal foram os col\u00e9gios. O Brasil chegou primeiro a experimentar certa organicidade e popularidade no esporte, enquanto Portugal s\u00f3 consolidaria a federa\u00e7\u00e3o portuguesa em 1926. No entanto, aquele organizaria muito cedo as suas divis\u00f5es. Enquanto isto, mesmo possuindo a CBD desde idos tempos, a falta de centraliza\u00e7\u00e3o nacional e a politicagem fariam com que s\u00f3 se organizassem campeonatos brasileiros nos anos 70. Quanto \u00e0s divis\u00f5es apareceram muito mais tarde, at\u00e9 hoje se constituindo um \u201cDeus nos acuda\u201d quando um clube grande \u00e9 amea\u00e7ado de rebaixamento.<\/p>\n<p>O futebol portugu\u00eas e brasileiro tem outra diferen\u00e7a fulcral. Enquanto no primeiro h\u00e1 tr\u00eas clubes de express\u00e3o mundial (Benfica, Sporting e Porto) que dividem grande parte dos t\u00edtulos portugueses, no segundo h\u00e1 equil\u00edbrio entre os grandes clubes onde o \u201cpapa t\u00edtulos\u201d \u00e9 o S\u00e3o Paulo, com apenas seis campeonatos brasileiros. O interc\u00e2mbio futebol\u00edstico entre os dois pa\u00edses em todo este tempo foi praticamente nulo, sendo dif\u00edcil descobrir jogos entre clubes portugueses e brasileiros nas primeiras cinco d\u00e9cadas do \u201cs\u00e9culo do futebol\u201d.<\/p>\n<p>Os anos 60, por\u00e9m, iriam terminar com este isolamento. J\u00e1 desde a d\u00e9cada anterior haveriam confrontos esparsos em excurs\u00f5es de clubes brasileiros pelo solo europeu. Em 1960 o Sport Lisboa e Benfica faz uma excurs\u00e3o hist\u00f3rica ao Brasil e, por fim, dois anos depois, o mundo seria contemplado com a in\u00e9dita decis\u00e3o de um t\u00edtulo mundial entre Santos FC e SL Benfica em 1962. Abria-se uma nova era nas rela\u00e7\u00f5es desportivas entre os dois pa\u00edses, que, com o fim das ditaduras (da salazarista e da dos generais brasileiros), haveria de se consolidar em outros terrenos.<\/p>\n<p>O Sport Lisboa e Benfica, \u00e9 honra e gl\u00f3ria do futebol portugu\u00eas. A equipe encarnada ocupa o nono lugar entre os clubes de todo o mundo pelo levantamento do IFFHS. Tem 32 campeonatos, 24 ta\u00e7as, e 4 superta\u00e7as em Portugal, al\u00e9m de dois t\u00edtulos de campe\u00e3o europeu, um deles do pr\u00f3prio ano em que esteve no Brasil, quando bateria o Barcelona por 3 X 2.<br \/>\nAssim, o clube esteve na Bahia no auge de seu prest\u00edgio, inclusive como campe\u00e3o portugu\u00eas. Desde que se soube da sua excurs\u00e3o ao Brasil o pr\u00f3prio presidente da antiga Federa\u00e7\u00e3o Baiana de Desportos Terrestres &#8211; FBDT intercedeu nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foram ao todo oito jogos cumpridos pelo elenco portugu\u00eas. Jogou no Rio de janeiro, contra Flamengo e Am\u00e9rica, empatando em ambas as ocasi\u00f5es. Em S\u00e3o Paulo perderia do Santos FC e derrotaria de forma convincente o Palmeiras (3 X 0). S\u00f3 ent\u00e3o aportaria na Bahia. Eu ainda tinha doze anos e meu pai n\u00e3o me levaria a nenhum dos dois jogos.<\/p>\n<p>Na presen\u00e7a do Benfica havia s\u00f3 um problema a considerar. Haviam sido acertados jogos contra o EC Bahia e o EC Vit\u00f3ria. Mas, no entanto, o primeiro, que tinha previsto chegar nesse per\u00edodo de excurs\u00e3o \u00e1 Europa, n\u00e3o conseguiu chegar para a estreia do escrete lusitano em 28 de julho de 1960. Assim, o tricolor teve que colocar o que o Di\u00e1rio de Not\u00edcias da \u00e9poca chamou de um time \u201cmisto\u201d, onde se dizia que empregaria alguns profissionais que haviam ficado completando o time com juvenis.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o foi bem assim que as coisas aconteceram. \u00c9 certo que os titulares do EC Bahia estavam na Europa. No entanto, o clube havia se preparado para esta situa\u00e7\u00e3o deixando em Salvador um segundo time com o qual colheu expressivas vit\u00f3rias no campeonato local e at\u00e9 em amistosos importantes. Mais tarde, com o retorno da Europa, o Bahia aproveitou v\u00e1rios daqueles que formavam o \u201cmisto\u201d, inclusive, todo o ataque. Parece-me ter contribu\u00eddo para esta atitude do jornal, integrante da cadeia dos Di\u00e1rios Associados de Assis Chateaubriand, uma combina\u00e7\u00e3o de decep\u00e7\u00e3o (em fun\u00e7\u00e3o do time tricolor n\u00e3o ter chegado a tempo do jogo) com o receio\u00a0\u00a0 de que o segundo time tomasse uma goleada.\u00a0<\/p>\n<p>O Juiz da partida foi Jos\u00e9 Cavalcanti Brito, tendo como auxiliares Jos\u00e9 Tosta e Willer Costa. O Di\u00e1rio de Not\u00edcias divulgou a renda de 600.250 cruzeiros, alertando inclusive para o fato de que os pre\u00e7os tinham \u201cafugentado muito os torcedores\u201d. Se compararmos com o recente BA-VI (605.485 cruzeiros), onde o Vit\u00f3ria ganharia o primeiro turno, a renda foi mesmo sensacional, atestando a expectativa na Bahia com a presen\u00e7a portuguesa.<\/p>\n<p>O p\u00fablico que foi a Fonte Nova n\u00e3o viu s\u00f3 qualidade, mas tamb\u00e9m quantidade. Houve duas preliminares (!), a primeira come\u00e7ando \u00e0s 12h00min, e a segunda \u00e0s 14h00min, envolvendo aspirantes e profissionais de Fluminense de Feira de Santana e Gal\u00edcia pelo primeiro turno do Campeonato Baiano.\u00a0\u00a0\ufffd<\/p>\n<p>Os times do jogo principal entraram em campo \u00e1s 16h00min. O Benfica com Bastos (Costa Pereira), Calado (Zezinho) e Arthur (Calado); Pegado, Alfredo e \u00c2ngelo; Palmiro, Coluna, \u00c1guas, Calado (Salvador) e Cav\u00e9m. J\u00e1 o Bahia peleou com Cavezali, Calmon e Chagas; Bombeiro, Marivaldo e Florisvaldo; Biriba (Frader), Aduce, Rui Tanus (Evandro), Careca e Ol\u00edcio (Carlito).<br \/>\n\u00c1guas (Benfica) abriu o marcador logo aos cinco minutos, acentuando o receio dos Di\u00e1rios Associados. No entanto, Aduce empataria pouco depois e, Careca, \u201cviraria\u201d o jogo antes do fim do primeiro tempo.<\/p>\n<p>O intervalo foi de muita alegria para os baianos, que cresceria quando o EC Bahia, aproveitando a ofensividade dos portugueses desde o in\u00edcio, amplia com Rui Tanus. De nada adiantaram as press\u00f5es benfiquistas, a sorte estava neste dia com o tricolor, que ainda \u201cfecharia o caix\u00e3o\u201d da goleada com Biriba aos 19 minutos. Naquele dia, que olhasse para o placar do Dique n\u00e3o acreditaria no que estava vendo: Bahia 4 X 1 Benfica. Ficou nisto at\u00e9 o fim.<br \/>\nO Di\u00e1rio de Not\u00edcias fez um escarc\u00e9u, dando amplo destaque para a vit\u00f3ria do \u201cmisto\u201d tricolor contra o esquadr\u00e3o benfiquista.<\/p>\n<p>A maior derrota de sua excurs\u00e3o p\u00f4s em polvorosa os portugueses, que passaram a dar muito mais aten\u00e7\u00e3o ao segundo jogo, que seria realizado dois dias depois. Mas a\u00ed aconteceu a surpresa, com a chegada da delega\u00e7\u00e3o do Bahia da Europa. A torcida e a imprensa n\u00e3o cabiam de contentes. Se com o \u201cmisto\u201d tinha dado de quatro, imaginem o que ocorreria com o Benfica quando o tricolor usasse o titular? Nesse dia acredito que todos por aqui se sentiam como o filme que passava no Cine Guarany estrelado por Gene Kelly, Dan\u00e7ando nas nuvens.\u00a0<\/p>\n<p>Os dois clubes entraram em campo para a revanche no dia 30 de julho com o mesmo juiz e bandeirinhas. A renda \u201cn\u00e3o foi fornecida\u201d, sendo calculada pelo Di\u00e1rio de Not\u00edcias em 700.000 cruzeiros. O Benfica fez algumas modifica\u00e7\u00f5es na defesa e o Bahia manteve alguns jogadores do \u201cmisto\u201d. Os portugueses entraram com Costa Pereira, Zezinho (Calado), Artur e Alfredo; Pegado e \u00c2ngelo; Palmiro, Coluna, \u00c1guas, Calado e Cav\u00e9m. J\u00e1 o Bahia jogou com Jair, Bacamarte (Rui) (Joca) e Henrique; Jota Alves, Vicente e Florisvaldo; Frader (Biriba), Wassil, Carlito, Otoney e Isaltino (Ol\u00edcio).<\/p>\n<p>Mas desta vez o Benfica n\u00e3o daria chance ao Bahia! Logo no primeiro tempo j\u00e1 estava dois a zero, com gols de \u00c1guas e Cav\u00e9m. No segundo tempo preferiu administrar o resultado, dando margem as press\u00f5es do Bahia que chegaria a diminuir com o ponta Biriba. No outro dia o patri\u00f3tico Di\u00e1rio de Not\u00edcias daria pouco destaque ao resultado. Quanto ao Benfica cumpriria o resto da sua excurs\u00e3o mais animado, aonde iria ainda a Fortaleza e a Bel\u00e9m, e depois, aos Estados Unidos. At\u00e9 o fim de nosso querido est\u00e1dio, cinquenta anos depois, nunca mais ver\u00edamos a classe de Coluna e Aguas, e o garbo de Costa Pereira.<\/p>\n<p>Um novo encontro entre baianos e portugueses estava marcada para alguns meses depois, quando o EC Bahia, desfrutando sua condi\u00e7\u00e3o de campe\u00e3o da I Ta\u00e7a Brasil, voltaria a Europa, passando por Portugal. Mas a\u00ed as coisas seriam bem diferentes. O advers\u00e1rio foi o Sporting que n\u00e3o teria perd\u00e3o, enfiando cinco a um.<\/p>\n<p>O Di\u00e1rio de Not\u00edcias local (26\/10) por\u00e9m atacou de novo. O \u00e1rbitro teria sido \u201cfraco\u201d, truncando faltas e \u201cprejudicando o Bahia\u201d. Lembrou que L\u00e9o tinha aberto o placar no primeiro tempo e que s\u00f3 ap\u00f3s a expuls\u00e3o de Alencar, ainda no primeiro tempo, \u00e9 que as coisas come\u00e7aram a mudar com um gol de Semin\u00e1rio. Este repete a dose no in\u00edcio do segundo tempo quando o juiz teria anulado um gol de Biriba por impedimento. Mesmo assim, o jogo s\u00f3 teria se resolvido nos onze minutos finais, quando foram anotados mais tr\u00eas gols pelo time sportinguista.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, foi \u00e0 vez do Bahia querer revanche, conseguindo novo jogo no encerramento da excurs\u00e3o \u00e1 Europa. Na oportunidade o dirigente Os\u00f3rio Vilas Boas se notabilizou pela diplomacia, comparecendo, por exemplo, ao Conselho Municipal de Lisboa para entregar uma mo\u00e7\u00e3o da Bahia aos portugueses. N\u00e3o conseguiria recuperou o tricolor baiano da goleada mas, pelo menos, o empate de dois a dois causaria melhor impress\u00e3o aos portugueses.<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria s\u00f3 acaba em setembro\/outubro de 1962 quando da disputa da Copa Intercontinental, que no Brasil se chama Mundial de Clubes. Acompanhei pelo r\u00e1dio cada momento dos dois jogos Santos X Benfica, e foi a\u00ed que conheci Euz\u00e9bio. O primeiro era o clube que meu pai torcia em S\u00e3o Paulo. Naquele tempo era assim. Tendo em vista o papel secund\u00e1rio que o esporte do estado tinha no pa\u00eds, os baianos costumavam ter \u201ctr\u00eas times\u201d, um na Bahia, um no Rio e outro em S\u00e3o Paulo. Meu pai era Vit\u00f3ria, Botafogo e Santos, e seus filhos, naturalmente, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica brasileira se ampliava e eu s\u00f3 pensava em futebol. Me lembro como hoje do emocionante\u00a0jogo do Maracan\u00e3, com grande atua\u00e7\u00e3o dos dois clubes. Naquele 19 de setembro Pel\u00e9 e Cia enfrentavam alguns dos jogadores que tiveram na Bahia dois anos antes. O primeiro tempo se encerraria com a vantagem santista mediante gol de Pel\u00e9. No segundo tempo o meia atacante Santana empataria, mas logo Coutinho, em admir\u00e1vel tabelinha, faria voltarmos novamente \u00e1 frente. O jogo s\u00f3 seria decidido nos \u00faltimos minutos com dois gols seguidos, de Pel\u00e9 e Santana, fechando o escore em tr\u00eas a dois para o Santos.<\/p>\n<p>Mas os acontecimentos mais not\u00e1veis estavam guardados para o Est\u00e1dio da Luz na noite de onze de outubro. A equipe benfiquista precisava ganhar e, por isso, desenvolveu um jogo ofensivo desde o in\u00edcio da partida. N\u00e3o tomou cuidados especiais com o ataque do Santos que esteve iluminado, particularmente Pel\u00e9, que marcou tr\u00eas gols entre eles um, que se inscreve nos anais da hist\u00f3ria, em que driblou toda a defesa portuguesa. Quando os encarnados acordaram j\u00e1 estava cinco a zero, descontando apenas no final. L\u00e1 em casa n\u00e3o pod\u00edamos acreditar no que tinha ocorrido, 5 X 2, em pleno Est\u00e1dio da Luz. Acho que foi o maior jogo da hist\u00f3ria. Pelo menos, de todos os que assisti pelo r\u00e1dio.<\/p>\n<p>\u2022 Agrade\u00e7o ao Setor de Publica\u00e7\u00f5es Raras da Biblioteca Central do Estado \u2013 BCE pela Cole\u00e7\u00e3o dos jornais Di\u00e1rio de Not\u00edcias e Estado da Bahia e ao site www.sobre.com.pt.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Comemora\u00e7\u00e3o aos cinquenta anos da presen\u00e7a esportiva portuguesa no Brasil Portugal tem uma rela\u00e7\u00e3o secular com o Brasil. Mas nem tudo foram flores entre os dois territ\u00f3rios, particularmente com a conquista e a integra\u00e7\u00e3o no imp\u00e9rio portugu\u00eas. A Bahia foi pe\u00e7a central nesta rela\u00e7\u00e3o. Foi a ela que se dirigiram as primeiras expedi\u00e7\u00f5es lusitanas. 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