{"id":124285,"date":"2021-10-20T02:07:19","date_gmt":"2021-10-20T05:07:19","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=124285"},"modified":"2021-10-20T20:56:11","modified_gmt":"2021-10-20T23:56:11","slug":"olaria-atletico-clube-rio-de-janeiro-rj-era-de-ouro-do-alvianil-da-rua-bariri-em-1971","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=124285","title":{"rendered":"Olaria Atl\u00e9tico Clube &#8211; Rio de Janeiro (RJ): \u201cEra de Ouro do Alvianil da Rua Bariri, em 1971\u201d"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"320\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OAC-500x320.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124286\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OAC-500x320.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OAC-300x192.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OAC-624x399.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OAC.jpg 739w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o<em><strong> dos anos 70<\/strong><\/em>, o <em><strong>Olaria Atl\u00e9tico Clube<\/strong><\/em> era a agremia\u00e7\u00e3o mais ambiciosa e promissor do sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Tomando o lugar do <strong><em>Bangu<\/em><\/strong> como o time que mais incomodava os grandes, o clube da regi\u00e3o da Leopoldina partiu para a melhor campanha de sua hist\u00f3ria no <strong><em>Campeonato Carioca em 1971<\/em><\/strong>, quando chegou a brigar pelo t\u00edtulo e terminou numa excelente <strong><em>3\u00aa coloca\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>. O time, dirigido pelo velho <em>craque Jair Rosa Pinto<\/em>, contava com uma defesa firme, que revelou o zagueiro <em>Miguel<\/em>, e uma dupla de alto n\u00edvel no meio-campo formada pelos talentosos <em>Afonsinho<\/em> e <em>Roberto Pinto<\/em>. E por tr\u00e1s de tudo isso, havia a paix\u00e3o ardorosa <em>(e o dinheiro farto)<\/em> do <em>presidente e patrono \u00c1lvaro da Costa Melo<\/em>. A curta, por\u00e9m intensa, <strong><em>Era de Ouro do Alvianil da Rua Bariri<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O contexto da ascens\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre-500x262.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124288\" width=\"653\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre-500x262.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre-300x157.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre-768x402.jpg 768w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre-624x327.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/01.-olaria-1971-abre.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><figcaption><strong>EM P\u00c9 (esquerda para direita):<\/strong> Roberto Pinto, Mineiro, Haroldo, Pedro Paulo, Luiz Carlos Feij\u00e3o, Gesse, Afonsinho, Beto, Valter e Alfinete.<br \/>&nbsp;<strong>AGACHADOS (esquerda para direita):<\/strong> xxx, xxx, Osni, Salvador, Miguel, xxx, Fernando Pirulito e xxx.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Campe\u00e3o carioca em 1966 e vice em 1964, 1965 e 1967, al\u00e9m de terceiro colocado em 1963, o Bangu experimentou um decl\u00ednio acentuado a partir de 1968. No fim daquele ano, o lend\u00e1rio presidente Euz\u00e9bio de Andrade, pai do ent\u00e3o diretor de futebol Castor de Andrade, abriu m\u00e3o de disputar novas elei\u00e7\u00f5es e, junto com o filho, deixou o clube. Os alvirrubros assistiriam ent\u00e3o ao in\u00edcio de uma crise que se agravaria profundamente ao longo da d\u00e9cada de 1970. No v\u00e1cuo desse per\u00edodo de baixa dos banguenses, outros clubes apareceram para se candidatar ao posto de \u201cterror dos sub\u00farbios\u201d, agora vago.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles foi o Bonsucesso, que em 1968 e principalmente em 1969 fez boas campanhas e colheu alguns resultados hist\u00f3ricos, jogando um futebol baseado num ferrolho quase intranspon\u00edvel, com cinco defensores, onde o experiente zagueiro Paulo Lumumba comandava o miolo do setor ao lado de duas jovens revela\u00e7\u00f5es que em breve virariam nomes famosos no futebol carioca: Mois\u00e9s e Ren\u00ea. Ganhou o apelido de \u201cfantasma\u201d, por freq\u00fcentemente tirar pontos dos grandes, chegando a sustentar uma respeit\u00e1vel invencibilidade diante deles. Mas n\u00e3o teve condi\u00e7\u00f5es de brigar por t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo foi o Olaria, rival do Bonsu\u00e7a na regi\u00e3o da Leopoldina (zona norte do Rio), e cujo crescimento teve um marco inicial exato: 5 de janeiro de 1970, data da posse do comerciante \u00c1lvaro da Costa Melo na presid\u00eancia do clube. Seu Melo, como era conhecido no bairro, era um imigrante portugu\u00eas que chegou ao Brasil na d\u00e9cada de 1920. Tempos depois, deixou o emprego de motorneiro de bonde para abrir uma padaria. Prosperou e enriqueceu fabulosamente, tornou-se incorporador, estendeu suas propriedades e neg\u00f3cios at\u00e9 pelos bairros vizinhos. Como quase todo lusitano, era torcedor (e s\u00f3cio) do Vasco at\u00e9 uma certa tarde de s\u00e1bado de 1933, quando um amigo o levou a um jogo do Olaria, ali perto de sua casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/02.-Roberto-Pinto-Jair-lvaro-da-Costa-Melo-e-Afonsinho-500x255.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124289\" width=\"654\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/02.-Roberto-Pinto-Jair-lvaro-da-Costa-Melo-e-Afonsinho-500x255.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/02.-Roberto-Pinto-Jair-lvaro-da-Costa-Melo-e-Afonsinho-300x153.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/02.-Roberto-Pinto-Jair-lvaro-da-Costa-Melo-e-Afonsinho-624x319.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/02.-Roberto-Pinto-Jair-lvaro-da-Costa-Melo-e-Afonsinho.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><figcaption>Roberto-Pinto, Jair da Rosa Pinto (t\u00e9cnico), lvaro da Costa Melo e Afonsinho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi amor \u00e0 primeira vista. Poucos anos depois, j\u00e1 era tesoureiro do clube. Em 1937, quando o Olaria foi exclu\u00eddo do Campeonato Carioca ap\u00f3s a pacifica\u00e7\u00e3o das ligas, Melo se aborreceu e deixou a diretoria para cuidar de seus neg\u00f3cios. Foi levado de volta, contra sua vontade, em 1946 para ocupar outro cargo: a presid\u00eancia. Na \u00e9poca, o clube tinha apenas seis s\u00f3cios, que colaboravam com uma ninharia. Especulava-se uma fus\u00e3o com o Bonsucesso. O novo mandat\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 conseguiu evitar o desaparecimento do time como o colocou de volta no Carioca. A exig\u00eancia era a constru\u00e7\u00e3o de um est\u00e1dio. Seu Melo levantou contribui\u00e7\u00f5es aqui e ali, e dentro de dois meses o campo da Rua Bariri estava pronto.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA-500x281.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124287\" width=\"652\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA-500x281.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA-300x169.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA-768x432.jpg 768w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA-624x351.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/OLARIA.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><figcaption>Antoninho Minhoca, Salvador, Luis Carlos Feij\u00e3o, Roberto Pinto e Marco Ant\u00f4nio. Destes, j\u00e1 faleceram: Antoninho Minhoca, Salvador, Luis Carlos Feij\u00e3o e Roberto Pinto.<br \/>Em p\u00e9, de barba, podemos ver o Prezado Amigo Afonsinho.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 50, \u00c1lvaro da Costa Melo deixou novamente o clube, retornando no fim da d\u00e9cada seguinte. O Olaria vivia momento pol\u00edtico bastante conturbado, e o velho comerciante reapareceu para colocar as coisas em seus lugares. Antes mesmo de assumir outra vez a presid\u00eancia, contratou o t\u00e9cnico Paulinho de Almeida e, junto com ele, come\u00e7ou a refor\u00e7ar o elenco, que mal contava com um time completo de profissionais quando de sua chegada. Reformou tamb\u00e9m o est\u00e1dio, para o qual pretendia uma expans\u00e3o ambiciosa de capacidade para at\u00e9 40 mil torcedores. Al\u00e9m disso, havia a promessa de gordas gratifica\u00e7\u00f5es (ou \u201cbichos\u201d) aos jogadores, especialmente em caso de vit\u00f3ria sobre os grandes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1970: Ensaio para a campanha hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Querendo fazer um grande papel na Ta\u00e7a Guanabara e no Campeonato Carioca em 1970, o Olaria formou um bom time. Para se unir \u00e0 prata da casa, em meio \u00e0 qual despontavam nomes como os zagueiros Miguel e Altivo e o lateral-esquerdo Alfinete (que retornava de um empr\u00e9stimo \u00e0 Portuguesa paulista), foram trazidos v\u00e1rios jogadores tamb\u00e9m por empr\u00e9stimo, principalmente do Vasco (o goleiro Pedro Paulo, o zagueiro Fernando, o meia uruguaio Danilo Meneses, o ponta-direita Nado e o atacante Acelino) e do Botafogo (o lateral-direito Mura, o centroavante Humberto, o ponta-esquerda Torino e o maior deles, o meia-armador Afonsinho). Outros refor\u00e7os foram buscados na capital paulista, como o meia Gess\u00ea (S\u00e3o Paulo) e o ponta Dario (Palmeiras).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ta\u00e7a Guanabara, naquele ano ainda organizada como um torneio \u00e0 parte do Estadual e disputada entre mar\u00e7o e maio em v\u00e1rias fases, o clube at\u00e9 fez boa campanha, mas acabou eliminado antes do turno final, que reunia as seis melhores equipes. No Carioca, por\u00e9m, o desempenho chamaria mais a aten\u00e7\u00e3o: terminaria o turno na sexta coloca\u00e7\u00e3o, bem mais pr\u00f3ximo da pontua\u00e7\u00e3o dos grandes do que dos pequenos. Seria ainda o \u00fanico a derrotar o Fluminense, que virou a fase na lideran\u00e7a. Simbolicamente, Bangu e Bonsucesso, for\u00e7as de anos anteriores, sequer conseguiram ficar entre as oito melhores equipes, que avan\u00e7ariam para a etapa seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim do campeonato, o clube mostrava que seu novo patamar n\u00e3o era fogo de palha. Terminou na sexta coloca\u00e7\u00e3o, mas bem mais perto do Flamengo \u2013 quinto colocado, dois pontos acima \u2013 do que do Madureira \u2013 s\u00e9timo, oito pontos abaixo. No entanto, a partir de meados de setembro o clube precisaria excursionar para manter sua folha de pagamentos, j\u00e1 que n\u00e3o disputaria o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou ent\u00e3o ceder alguns de seus jogadores por empr\u00e9stimo at\u00e9 o fim do ano \u2013 caso de Alfinete, que defenderia o Botafogo no campeonato interestadual. Mas o saldo do primeiro ano de \u2018revolu\u00e7\u00e3o\u2019 era muito positivo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/carioca-olaria-afonsinho-845-365x500.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-124303\" width=\"654\" height=\"896\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/carioca-olaria-afonsinho-845-365x500.png 365w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/carioca-olaria-afonsinho-845-219x300.png 219w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/carioca-olaria-afonsinho-845.png 529w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Brigando entre os grandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a equipe passaria por mudan\u00e7as. O bom trabalho na Rua Bariri levou Paulinho de Almeida ao Botafogo, sendo substitu\u00eddo pelo velho craque Jair Rosa Pinto, que havia comandado o Madureira no Carioca. Num elenco formado basicamente por jogadores emprestados, a maioria retornou a seus clubes de origem ao fim de 1970, mas outros felizmente tiveram seus v\u00ednculos prorrogados ou foram mesmo contratados em definitivo, caso de Afonsinho \u2013 que em mar\u00e7o encerrava com vit\u00f3ria uma longa disputa judicial com o Botafogo por seu passe \u2013 e do goleiro Pedro Paulo, cedido sem custos pelo Vasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as demais posi\u00e7\u00f5es, novos e bons nomes chegaram. Aproveitando sua boa rela\u00e7\u00e3o com os dirigentes santistas, j\u00e1 que havia defendido o clube nos anos 50, Jair Rosa Pinto conseguiu trazer da Vila Belmiro o lateral-direito Haroldo, o ponta-de-lan\u00e7a Lu\u00eds Carlos Feij\u00e3o e o baixinho atacante Osni. Do Palmeiras, onde tamb\u00e9m havia sido \u00eddolo como jogador, o t\u00e9cnico trouxe o ponta-direita Marco Ant\u00f4nio (famoso por jogar com uma fita amarrada na cabe\u00e7a para prender os cabelos). Do America, veio o veloz atacante Salvador. E j\u00e1 com o Carioca em andamento, chegariam o ponteiro Antoninho, vindo do Juventus, e, mais tarde, o experiente meia Jaime, campe\u00e3o pelo Bangu em 1966 e que andava pelo Parque Ant\u00e1rtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o principal refor\u00e7o tinha rela\u00e7\u00e3o ainda mais pr\u00f3xima com o treinador. Era seu sobrinho, o experiente meia Roberto Pinto, jogador de t\u00e9cnica refinada que havia feito \u00f3tima temporada pela Ponte Preta no ano anterior, levando a equipe campineira a um surpreendente vice-campeonato paulista. Aos 33 anos, o jogador que acumulava passagens pelo Vasco, Bangu e Fluminense, voltava ao Rio consagrado e pronto para a nova empreitada. Se o time contava com uma defesa firme, que jogava duro e s\u00e9rio, formada por Haroldo, Miguel, Altivo e Alfinete, era no meio-campo que o talento despontava. Ele e Afonsinho faziam uma dupla de luxo no meio-campo do Olaria, de fazer inveja \u00e0 de muito clube grande do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/03.-roberto-pinto-e-afonsinho-500x298.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-124290\" width=\"650\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/03.-roberto-pinto-e-afonsinho-500x298.png 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/03.-roberto-pinto-e-afonsinho-300x179.png 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/03.-roberto-pinto-e-afonsinho.png 529w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Afonso Celso Garcia Reis, 23 anos, paulista de Mar\u00edlia, era estudante de Medicina, idealista, meia-armador revelado pelo XV de Ja\u00fa e que na \u00e9poca se destacava no Botafogo. Apontado como o sucessor de Gerson quando este se transferiu para o S\u00e3o Paulo, teve papel importante na conquista da Ta\u00e7a Brasil de 1968. No entanto, por se negar a aparar a barba que deixara crescer, entrou em atrito com a diretoria do clube e foi tachado de \u201cindisciplinado\u201d. Acabou afastado do elenco e proibido at\u00e9 de treinar. Paradoxalmente, viu ao mesmo tempo os cartolas recusarem todas as propostas de clubes grandes por seu passe. Levou ent\u00e3o o caso \u00e0 Justi\u00e7a. At\u00e9 aparecer o Olaria. L\u00e1, jogaria com o visual que bem entendesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Pinto, por sua vez, deixara o Rio em 1967 com o cartaz de jogador indiscutivelmente talentoso, que dera ao Vasco um t\u00edtulo hist\u00f3rico (o de \u201csupersupercampe\u00e3o\u201d carioca, em 1958) e brilhara num Bangu que sempre flertava com a ta\u00e7a. Mas era considerado tamb\u00e9m um tanto mascarado, manhoso. No interior paulista, primeiro em Ribeir\u00e3o Preto e depois em Campinas, renasceria como l\u00edder, al\u00e9m de preservar a velha habilidade para organizar todos os setores de uma equipe e faz\u00ea-la jogar ao seu redor. N\u00e3o ficou mais tempo por l\u00e1 por uma quest\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia. Mas agora, de volta \u00e0 capital carioca, estava de novo em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as mudan\u00e7as no Olaria para temporada de 1971 n\u00e3o se limitaram ao time. O clube passou a adotar at\u00e9 mesmo uma nova camisa. Deixou de lado o tradicional modelo branco com uma faixa horizontal azul (com as cores invertidas no uniforme reserva) para vestir um modelo listrado em azul e branco na vertical. A estreia da nova combina\u00e7\u00e3o aconteceu no segundo tempo do primeiro jogo da equipe no Carioca, um empate em 0 a 0 diante do favorito America, treinado por Zez\u00e9 Moreira e que contava com jogadores como Edu Antunes Coimbra e Tadeu Ricci.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/04-500x335.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124291\" width=\"654\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/04-500x335.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/04-300x201.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/04-624x418.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/04.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O regulamento do campeonato previa uma fase de classifica\u00e7\u00e3o com os times divididos em dois grupos de seis que se enfrentavam em turno \u00fanico. Os quatro melhores de cada avan\u00e7avam para a fase final, um octogonal em turno e returno, carregando a pontua\u00e7\u00e3o da etapa anterior. J\u00e1 na fase classificat\u00f3ria o Olaria fez campanha brilhante. Jogando de igual para igual \u2013 \u00e0s vezes at\u00e9 dominando os advers\u00e1rios \u2013, arrancou empates em 0 a 0 com os favoritos Flamengo e Vasco no Maracan\u00e3, al\u00e9m do j\u00e1 citado America.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nesta fase o Olaria venceu o cl\u00e1ssico da Leopoldina contra o Bonsucesso por 2 a 1, de virada (Jair Pereira abriu o placar para os rubro-anis, antes de Roberto Pinto e Haroldo, de falta, reverterem a contagem), e ainda conseguiu dois bons triunfos contra o Campo Grande (4 a 1, com o zagueiro Altivo furando a rede numa bomba em cobran\u00e7a de falta) e a Portuguesa (2 a 0, com direito a gol ol\u00edmpico do ponteiro Marco Ant\u00f4nio).<\/p>\n\n\n\n<p>O Olaria encerrou a fase de classifica\u00e7\u00e3o com a segunda melhor campanha tanto em seu grupo quanto no geral, atr\u00e1s apenas do Botafogo, num bom desempenho que fazia crescer a confian\u00e7a de Jair Rosa Pinto: \u201cN\u00e3o temos medo de ningu\u00e9m. Mesmo que o pr\u00f3ximo advers\u00e1rio seja dif\u00edcil, saberemos enfrent\u00e1-lo com a maior seriedade\u201d. A boa campanha era alimentada por gordos \u201cbichos\u201d por vit\u00f3ria (ou at\u00e9 por empate contra os grandes) pagos em parte pela diretoria e complementados por contribui\u00e7\u00f5es dos endinheirados s\u00f3cios, e que superavam os estipulados por todos os outros clubes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/05.-olaria-0-0-fluminense-1971-capa-500x340.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124292\" width=\"650\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/05.-olaria-0-0-fluminense-1971-capa-500x340.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/05.-olaria-0-0-fluminense-1971-capa-300x204.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/05.-olaria-0-0-fluminense-1971-capa-624x424.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/05.-olaria-0-0-fluminense-1971-capa.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><figcaption>Manchete do Jornal dos Sports de 1971: Olaria 0 x 0 Fluminense<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Na fase final, a equipe estreou diante do Fluminense e outra vez empatou sem gols \u2013 pela quarta vez contra os grandes \u2013 mesmo desfalcado de Haroldo e Miguel. A primeira vit\u00f3ria viria logo em seguida diante do Bangu: 2 a 0, com gols de Roberto Pinto e do rec\u00e9m-contratado ponta Robertinho, ex-S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. E na terceira rodada chegaria a vez de enfrentar o Botafogo, l\u00edder isolado em invicto, tido como o time a ser batido. E mais uma vez o Olaria arrancou um 0 a 0, embora pudesse ter vencido: teve a melhor chance do jogo quando Antoninho driblou o goleiro, tocou para o gol, mas Paulo Henrique salvou em cima da linha.<\/p>\n\n\n\n<p>A invencibilidade dos bariris no campeonato chegaria a dez partidas na rodada seguinte, quando a equipe voltou a arrancar um empate com um grande, no caso o Flamengo, num 2 a 2 repleto de reviravoltas. O Olaria abriu o placar com Lu\u00eds Carlos, viu os rubro-negros virarem com gols de Milton (que logo depois seria expulso junto com Altivo) e Fio, mas reagiria e novamente empataria, com outro tento de Lu\u00eds Carlos. O saldo da batalha, no entanto, deixou preocupa\u00e7\u00f5es: sem Altivo, suspenso, e Alfinete e Roberto Pinto, lesionados, os alvianis teriam pela frente o Vasco, que fazia campanha de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desfalques foram bastante sentidos naquela noite de 4 de maio, quando o Vasco venceu por 1 a 0 num gol chorado de D\u00e9, depois de a bola rebotear duas vezes na defesa. O lance provocou muita reclama\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico Jair Rosa Pinto: \u201cA jogada do gol foi uma vergonha. Todo mundo viu que o D\u00e9, antes de fazer o gol, segurou o Pedro Paulo. S\u00f3 o juiz n\u00e3o viu\u201d. Pilhado, o time fez um jogo violento contra o America e empatou em 1 a 1, com uma expuls\u00e3o para cada lado.<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o veio com dois grandes resultados. J\u00e1 com os nervos em ordem, uma semana depois, o Olaria obteve uma vit\u00f3ria categ\u00f3rica sobre o rival Bonsucesso por 3 a 0, com gols de Antoninho, Salvador e Osni. E em seguida, na abertura do returno, venceu o America pelo mesmo placar. Afonsinho e Roberto Pinto formavam de novo a dupla de meio-campo ap\u00f3s tr\u00eas jogos sem poder contar com um ou outro, e o Alvianil passou por cima. Roberto Pinto fez um de falta e outro de p\u00eanalti, e Salvador completou de cabe\u00e7a um cruzamento de Haroldo para fechar a contagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Veio ent\u00e3o um eletrizante empate com o Fluminense. Logo aos tr\u00eas minutos, Lu\u00eds Carlos abriu o placar com um gola\u00e7o: matou no peito, deu um chap\u00e9u em Galhardo e bateu de primeira, vencendo F\u00e9lix. Mas os tricolores viraram com dois gols de Ivair. Aos 36 minutos, o time suburbano empatava novamente em bola de Antoninho que desviou no zagueiro Assis antes de entrar. E tr\u00eas minutos depois passaria novamente \u00e0 frente com gol de p\u00eanalti de Altivo. Na etapa final, o lateral Toninho voltaria a igualar o marcador, depois de o Flu ter ficado com um a menos, ap\u00f3s a expuls\u00e3o do ponteiro Lula.<\/p>\n\n\n\n<p>O jogo seguinte, em 5 de maio, seria o da desforra contra o Vasco. Numa grande exibi\u00e7\u00e3o, na qual mostrou excepcional coes\u00e3o e senso de cobertura defensiva, al\u00e9m de muita classe no toque de bola envolvente, o Olaria abriu o placar logo aos 11 minutos de jogo com Antoninho. No segundo tempo, pouco depois de Marco Ant\u00f4nio acertar o travess\u00e3o de Andrada, houve uma cobran\u00e7a de falta rolada de Roberto Pinto para Altivo. O chute forte desviou em Eberval e enganou o arqueiro vasca\u00edno, selando a justa vit\u00f3ria olariense.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/06.-olaria-2-0-vasco-1971-500x249.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124294\" width=\"651\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/06.-olaria-2-0-vasco-1971-500x249.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/06.-olaria-2-0-vasco-1971-300x150.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/06.-olaria-2-0-vasco-1971-624x311.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/06.-olaria-2-0-vasco-1971.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><figcaption>Olaria 2 x 0 Vasco da Gama, de  1971<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aquela sequ\u00eancia de atua\u00e7\u00f5es representou talvez o auge da equipe na competi\u00e7\u00e3o. Mesmo o ataque, setor tido como o menos brilhante e eficiente do time, apareceu muito bem \u2013 apesar da aus\u00eancia sentida de um goleador nato. O ponta-direita Marco Ant\u00f4nio recuava e ajudava a preencher o meio-campo. Lu\u00eds Carlos, o ponta de lan\u00e7a, era um jogador impetuoso, inteligente, o mais habilidoso do setor e um tormento constante para as defesas advers\u00e1rias. Salvador usava sua velocidade impressionante para puxar os contragolpes, pelo meio ou pelas pontas. Por fim, na esquerda, Antoninho (o \u00faltimo a chegar e a se firmar como titular) contribu\u00eda com experi\u00eancia, controle de bola e a boa articula\u00e7\u00e3o com os meias e os companheiros de frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto decisivo para as pretens\u00f5es olarienses naquele campeonato viria na partida seguinte: dividindo a vice-lideran\u00e7a com o Fluminense, o time Alvianil encarava o l\u00edder invicto Botafogo. Numa noite inspirada do atacante Paraguaio, substituto de Jairzinho, os alvinegros abriram 2 a 0, mas o Olaria foi buscar a igualdade na ra\u00e7a, com gols de Salvador e Haroldo. Na etapa final, quando a press\u00e3o do time da Rua Bariri era enorme, e o arqueiro alvinegro Ubirajara fazia interven\u00e7\u00f5es cruciais, Zequinha desceu pela direita, passou por Alfinete e cruzou. Nilson Dias ajeitou de cabe\u00e7a e outra vez Paraguaio testou para marcar seu terceiro gol e dar a vit\u00f3ria aos botafoguenses, que agora se colocavam praticamente inalcan\u00e7\u00e1veis, seis pontos \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o t\u00edtulo muito distante, restou ao Olaria manter a grande campanha para seguir de cabe\u00e7a erguida. E o time responderia vencendo os dois compromissos seguintes. Primeiro contra o Bangu, num Maracan\u00e3 semideserto. O time abriu o placar logo aos 16 minutos quando Afonsinho fez jogada de ponteiro pela esquerda, chutou e o goleiro Nei espalmou nos p\u00e9s de Salvador, que pegou de sem-pulo, estufando as redes. Na etapa final, Afonsinho tabelou com Salvador e foi derrubado bem perto da \u00e1rea. Altivo cobrou a falta com seu habitual chute forte, acertando o canto esquerdo de Nei e fechando a contagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pen\u00faltima rodada, em General Severiano, o time bateu o Bonsucesso por 1 a 0 e confirmou o hist\u00f3rico terceiro lugar. O gol, marcado logo aos nove minutos de um jogo muito mais tranquilo do que o placar indica, foi fruto de uma jogada coletiva, trabalhada. Roberto Pinto entregou a Antoninho, que lan\u00e7ou Salvador em velocidade. O atacante foi \u00e0 linha de fundo, driblou o zagueiro rubro-anil e cruzou para tr\u00e1s. Afonsinho, que vinha na corrida, chutou de perna esquerda no canto do goleiro. O t\u00edtulo daquele ano acabou nas m\u00e3os do Fluminense, que arrancou no fim, enquanto o Botafogo trope\u00e7ou seguidamente, culminando na vit\u00f3ria tricolor no confronto direto da \u00faltima rodada, por 1 a 0.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00eamica das rendas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o time fazia bonito em campo, uma grande discuss\u00e3o tomou conta dos bastidores durante a fase final do campeonato. Diferentemente de hoje, quando s\u00f3 \u00e9 mencionado como indicador da sa\u00fade financeira dos clubes, o somat\u00f3rio das rendas era um importante crit\u00e9rio para definir os participantes de um torneio \u2013 acima at\u00e9 mesmo do \u00edndice t\u00e9cnico. Para a disputa do campeonato nacional, por exemplo, ficou estipulado que os cinco participantes cariocas seriam o campe\u00e3o estadual mais os quatro melhores colocados em rendas. O crit\u00e9rio tamb\u00e9m seria usado para indicar os times que jogariam a Ta\u00e7a Guanabara no meio do ano e ainda os pr\u00e9-classificados para o Campeonato Carioca do ano seguinte (no que a Federa\u00e7\u00e3o acabaria voltando atr\u00e1s pouco depois).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a fase final, ficou claro que \u2013 ainda que tivesse chance at\u00e9 mesmo de ser campe\u00e3o carioca \u2013 o Olaria teria de brigar palmo a palmo com America e Bangu no ranking de rendas pela quinta vaga da Guanabara no Brasileir\u00e3o. Atento aos movimentos da Federa\u00e7\u00e3o, que divulgava a tabela dirigida aos poucos, quase rodada a rodada, o clube come\u00e7ou a protestar por ser quase sempre indicado para jogar nas piores datas (por exemplo, nos meios de semana \u00e0 tarde), enquanto os dois concorrentes muitas vezes engordavam suas arrecada\u00e7\u00f5es atuando em preliminares de cl\u00e1ssicos no Maracan\u00e3 (a renda era contada igualmente para todos os quatro clubes envolvidos em rodadas duplas).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 7 de junho, quando a Federa\u00e7\u00e3o anunciou a tabela para as rodadas finais, foi a gota d\u2019\u00e1gua: mais uma vez alegando terem sido prejudicados, os dirigentes olarienses anunciaram que o clube estava abandonando o campeonato. \u201cFizemos um sacrif\u00edcio enorme este ano. Provamos a todos que poder\u00edamos armar um time para disputar um campeonato condignamente. Com muito sacrif\u00edcio, apresentamos uma equipe que enaltecesse o futebol carioca, n\u00e3o pensando somente em enaltecer nosso quadro social, mas tamb\u00e9m em considera\u00e7\u00e3o e respeito ao p\u00fablico carioca. O que conseguimos com isto? Nada. N\u00e3o recebemos da Federa\u00e7\u00e3o nem ao menos o reconhecimento pelo nosso trabalho\u201d, lamentou \u00c1lvaro da Costa Melo, que tamb\u00e9m anunciava ali sua ren\u00fancia \u00e0 presid\u00eancia do clube.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o acabou contornada num encontro com o governador Chagas Freitas e tudo voltou aos seus lugares. Mas o clube conseguira atrair consider\u00e1vel aten\u00e7\u00e3o para sua causa e agora partiria para o contra-ataque. A rede de lojas de departamentos Ponto Frio publicou nos jornais um an\u00fancio grande em apoio ao clube. E na noite de sexta-feira, 25 de junho, v\u00e9spera da partida contra o Flamengo pela \u00faltima rodada, o diretor comercial da empresa compareceu \u00e0 Adeg (\u00f3rg\u00e3o que administrava o Maracan\u00e3) e entregou um cheque de Cr$ 800 mil, referente \u00e0 compra de mais de 115 mil ingressos de todos os setores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/07.-ponto-frio-flamengo-x-olaria-JB-26-jun-1971-454x500.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124293\" width=\"653\" height=\"719\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/07.-ponto-frio-flamengo-x-olaria-JB-26-jun-1971-454x500.jpg 454w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/07.-ponto-frio-flamengo-x-olaria-JB-26-jun-1971-272x300.jpg 272w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/07.-ponto-frio-flamengo-x-olaria-JB-26-jun-1971-624x687.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/07.-ponto-frio-flamengo-x-olaria-JB-26-jun-1971.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><figcaption>Jornal do Brasil: Flamengo x Olaria, de 26 de Junho de 1971<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O destino das entradas, cuja compra alavancaria consideravelmente o Olaria no ranking das rendas, tamb\u00e9m j\u00e1 estava definido: seria distribu\u00eddo gratuitamente nas lojas do Ponto Frio, em portas de escolas, orfanatos, asilos e tamb\u00e9m nas imedia\u00e7\u00f5es do Maracan\u00e3, em Kombis da empresa. Em campo, o Alvianil perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, gol de Fio, mas mesmo assim terminou na terceira coloca\u00e7\u00e3o por pontos \u2013 \u00e0 frente dos pr\u00f3prios rubro-negros (em quarto) e de America (quinto), Vasco (sexto) e Bangu (s\u00e9timo). Ficou tamb\u00e9m \u00e0 frente do America nas rendas: embora pouco mais de 50 mil torcedores tivessem de fato passado pelas roletas do Maracan\u00e3 (ainda assim um bom p\u00fablico), o n\u00famero oficial anunciado foi de 118. 314 pagantes, gerando uma arrecada\u00e7\u00e3o que superava a soma dos rubros em mais de Cr$ 200 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Irritado, o America anunciou que n\u00e3o entraria em campo para enfrentar o Bangu no domingo de manh\u00e3 em S\u00e3o Janu\u00e1rio, no que contou tamb\u00e9m com a ades\u00e3o do advers\u00e1rio, provocando um W.O duplo em protesto contra o que os dois clubes consideravam uma atitude antidesportiva dos alvianis \u2013 embora o presidente do Olaria reiterasse que toda a ideia e a execu\u00e7\u00e3o do processo de compra da renda haviam sido feitas exclusivamente pelo Ponto Frio.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o foi parar nos tribunais, e o time rubro recorreu ao presidente da CBD, Jo\u00e3o Havelange, para que se pronunciasse em sua causa. A entidade, atrav\u00e9s de seu diretor t\u00e9cnico Ant\u00f4nio do Passo (ex-presidente da Federa\u00e7\u00e3o Carioca), decidiu com isso alterar os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o para o Brasileiro, passando a adotar o convite puro e simples. E deu a quinta vaga da Guanabara ao America. \u201cEu n\u00e3o poderia ter outra atitude. Afinal de contas, eu sou respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o do mesmo crit\u00e9rio no campeonato nacional. Admitir a compra de renda, agora, seria contribuir para desmoralizar o pr\u00f3prio campeonato nacional\u201d, justificou o dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ironicamente, durante o Brasileiro a situa\u00e7\u00e3o voltaria a se repetir envolvendo agora o Vasco, time do qual Ant\u00f4nio do Passo havia sido dirigente: ao fim da primeira fase, o crit\u00e9rio de renda dava vaga a alguns clubes na etapa seguinte, e os chamados \u201ccardeais\u201d vasca\u00ednos (grupo de alto poder aquisitivo que integrava o conselho do clube) compraram dezenas de milhares de ingressos excedentes para um jogo contra o Palmeiras, no Maracan\u00e3, no intuito de garantir a classifica\u00e7\u00e3o da equipe, que andava mal, por meio deste crit\u00e9rio. Com mais este caso, a CBD viu-se obrigada a reformular o regulamento do torneio, criando um novo turno classificat\u00f3rio, e excluindo por ora o crit\u00e9rio de renda (que voltaria em anos posteriores).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A vida ap\u00f3s a grande campanha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o Olaria, por\u00e9m, j\u00e1 era tarde. O clube acabou sem vaga no Brasileiro e desistiu de participar da Ta\u00e7a Guanabara, disputada em julho, logo ap\u00f3s o Carioca. Novamente dirigido por Paulinho de Almeida, depois que Jair Rosa Pinto n\u00e3o renovou o contrato, o Alvianil preferiu embarcar para uma excurs\u00e3o pelo Norte e Nordeste levando todos os seus titulares, muitos deles cobi\u00e7ados por outros clubes de dentro e fora do Rio (o S\u00e3o Paulo tentou a contrata\u00e7\u00e3o de Miguel, convocado para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, e o Cruzeiro sondou Alfinete). Retornou invicto, com sete vit\u00f3rias e tr\u00eas empates.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais nomes do time, no entanto, foram parar quase todos no Vasco, por empr\u00e9stimo, no segundo semestre: Haroldo, Miguel, Alfinete e Afonsinho seguiram para S\u00e3o Janu\u00e1rio, onde disputariam o Brasileiro. Al\u00e9m deles, o atacante Salvador era cedido ao Atl\u00e9tico Mineiro at\u00e9 o fim do ano (do qual retornaria com o t\u00edtulo nacional). Lu\u00eds Carlos e Osni, por sua vez, foram devolvidos ao Santos \u2013 e o ponteiro seguiria para o Vit\u00f3ria, onde come\u00e7aria a se consagrar no ano seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para 1972, o Olaria faria uma aposta arriscada, mas sem d\u00favida de muito impacto, para a disputa do Campeonato Carioca: a contrata\u00e7\u00e3o de Garrincha, j\u00e1 com 39 anos de idade, levou o clube novamente \u00e0s capas de revistas e jornais, mas rendeu pouco em campo. O ponta jogou apenas sete partidas, sendo substitu\u00eddo na maioria delas. Junto com ele tamb\u00e9m chegaram outros veteranos, figuras conhecidas do futebol carioca, como lateral Fid\u00e9lis (emprestado pelo Vasco) e o zagueiro M\u00e1rio Tito (vindo do Cruzeiro), ambos campe\u00f5es com o Bangu em 1966.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/08.-olaria-1972-menor-500x309.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124295\" width=\"654\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/08.-olaria-1972-menor-500x309.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/08.-olaria-1972-menor-300x186.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/08.-olaria-1972-menor.jpg 580w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><figcaption>Foto de 1972 &#8211; <strong><em>EM P\u00c9 (esquerda para a direita):<\/em><\/strong><em>&nbsp;Alu\u00edsio, Fernando Pirulito, Mario Tito, Pedro Paulo, Altivo e Mineiro;<\/em><br \/><strong><em>AGACHADOS (esquerda para a direita):<\/em><\/strong><em>&nbsp;Garrincha, \u00c9zio, Roberto Pinto, Salvador e Carlos Antonio.<\/em><br \/><strong><em>Destes, j\u00e1 faleceram:<\/em><\/strong><em>&nbsp;Mario Tito, Pedro Paulo, Garrincha, Roberto Pinto e Salvador.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o chegou a repetir a sensa\u00e7\u00e3o do ano anterior, o time da Leopoldina fez campanha digna, em especial no primeiro e terceiro turnos. Curiosamente, a equipe foi treinada durante a maior parte do torneio pelo meia Roberto Pinto, que acumulava as fun\u00e7\u00f5es de jogador e treinador. O Olaria terminou na sexta coloca\u00e7\u00e3o, novamente como o melhor entre os pequenos. Mas mais uma vez o convite da CBD para disputar o Brasileiro n\u00e3o viria, provocando novas baixas no elenco (o zagueiro Altivo seguiria para o Santos e o lateral-esquerdo Mineiro defenderia o Flamengo, entre outros).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1973, o clube contaria rapidamente com a volta de Afonsinho, que defendera o Santos na temporada anterior e retornava para o Carioca. Ironicamente, embora a campanha desta vez fosse um pouco mais fraca que a do ano anterior (terminaria em s\u00e9timo, um ponto atr\u00e1s do rival Bonsucesso), o clube finalmente receberia o aguardado convite da CBD para disputar o Brasileiro, que de um ano para o outro teria o n\u00famero de participantes aumentado de 26 para 40 clubes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No Brasileir\u00e3o, rodando pelo pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dez anos depois de disputar pela \u00fanica vez o Torneio Rio-S\u00e3o Paulo, o Olaria voltaria a cruzar as divisas da Guanabara. Mas j\u00e1 de sa\u00edda o clube sabia que n\u00e3o teria muita chance de realizar uma grande campanha. Al\u00e9m de n\u00e3o contar por um bom tempo com o meia Roberto Pinto, o grande maestro da equipe, ausente por les\u00e3o, a tabela divulgada pela CBD n\u00e3o era favor\u00e1vel. Das 19 partidas do primeiro turno, o Alvianil s\u00f3 jogaria duas no Rio, justamente contra Flamengo e Vasco no Maracan\u00e3. O torneio era para o clube como uma grande excurs\u00e3o contando pontos, jogando a cada tr\u00eas ou quatro dias numa capital diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, naturalmente, o come\u00e7o da campanha foi muito ruim, com apenas quatro pontos somados nos primeiros 11 jogos, sem nenhuma vit\u00f3ria. A rea\u00e7\u00e3o come\u00e7ou exatamente com o retorno de Roberto Pinto, na partida contra o Atl\u00e9tico-PR no Couto Pereira (na \u00e9poca, chamado de Belfort Duarte): jogando sem dar espa\u00e7os na defesa e arrancando em perigosos contra-ataques a partir de lan\u00e7amentos do meia, o time bariri venceu por 2 a 0, gols do armador Gess\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, o time enfileirou uma s\u00e9rie de grandes resultados que o transformaram de saco de pancadas a candidato \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o. Bateu o Santos na Vila Belmiro (com um gola\u00e7o de bicicleta de Jair Pereira), o Vasco em S\u00e3o Janu\u00e1rio, o Remo em Bel\u00e9m, o Am\u00e9rica potiguar em Natal, o Fluminense e o America carioca no Maracan\u00e3 e ainda arrancou empates preciosos diante do Botafogo, do Vasco, do N\u00e1utico no Recife, do Atl\u00e9tico no Mineir\u00e3o, do Rio Negro em Manaus e do Figueirense em Florian\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, n\u00e3o foi o bastante para garantir a vaga entre os 20 que passariam para a etapa seguinte, mas o clube conseguiu justificar sua presen\u00e7a naquele torneio, especialmente por ter jogado quase sempre fora de casa, atuando no Rio apenas contra os rivais cariocas. Mas a boa \u00faltima impress\u00e3o contribuiu para que o Olaria fosse mantido no Brasileiro de 1974, disputado logo em seguida, a partir de mar\u00e7o. Desta vez o clube fez campanha bem mais discreta, destacando-se apenas contra os rivais locais (venceu o Flu e empatou com Fla, Vasco e Bota). E o fim da fase de ouro viria definitivamente no segundo semestre com a campanha decepcionante no Estadual: pen\u00faltimo na Ta\u00e7a Guanabara, o Olaria sequer se classificou para os dois turnos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/09-500x282.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-124297\" width=\"654\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/09-500x282.jpg 500w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/09-300x169.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/09-624x352.jpg 624w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/09.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c1lvaro da Costa Melo, que ap\u00f3s um breve afastamento havia retornado ao clube como patrono, decidiu novamente dar adeus em dezembro daquele ano para cuidar da fam\u00edlia, da sa\u00fade e de seus interesses, como justificou. \u201cSou Olaria. Continuarei sendo. Mas agora em termos mais distantes. A minha miss\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda, e bem conclu\u00edda, mod\u00e9stia \u00e0 parte\u201d, afirmou. Seu Melo, por\u00e9m, voltaria diversas vezes ao clube posteriormente, como patrono ou mesmo na presid\u00eancia, at\u00e9 falecer em maio de 1993, aos 87 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro adeus simb\u00f3lico foi o de Roberto Pinto, que ap\u00f3s muito pensar, decidiria pendurar as chuteiras em janeiro de 1975. Afonsinho, que havia voltado mais uma vez por essa \u00e9poca, seguiria para o Am\u00e9rica mineiro antes de se dedicar mais \u00e0 Medicina do que \u00e0 bola. Terminava um ciclo hist\u00f3rico para o pequeno clube da Rua Bariri, que dali em diante viveria entre a primeira e a segunda divis\u00f5es cariocas, \u00e0s vezes fazendo boas campanhas, \u00e0s vezes apenas figura\u00e7\u00e3o. Em 1981, o Alvianil conquistaria a Ta\u00e7a de Bronze, equivalente ao Brasileiro da S\u00e9rie C, mas no mesmo ano acabaria rebaixado no Estadual. E nunca mais brigaria t\u00e3o de igual para igual com os gigantes. E nunca mais seria t\u00e3o rico e t\u00e3o cheio de classe em campo como naquele in\u00edcio dos anos 70.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><u>Desenho do escudo e uniforme<\/u><\/em><\/strong><strong><em>:<\/em><\/strong><em> S\u00e9rgio Mello<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><u>Colaborou<\/u><\/em><\/strong><strong><em>:<\/em><\/strong><em> Jos\u00e9 Le\u00f4ncio Carvalho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><u>FONTES<\/u>:<\/em><\/strong><em> Emmanuel do Valle, do site Trivela &#8211; Jornal dos Sports (JS) &#8211; Jornal do Brasil (JB)<\/em> &#8211;<em>Revista Placar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o dos anos 70, o Olaria Atl\u00e9tico Clube era a agremia\u00e7\u00e3o mais ambiciosa e promissor do sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Tomando o lugar do Bangu como o time que mais incomodava os grandes, o clube da regi\u00e3o da Leopoldina partiu para a melhor campanha de sua hist\u00f3ria no Campeonato Carioca em 1971, quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":55,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203,83,59,345,3,47,76],"tags":[],"class_list":["post-124285","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sergio-mello","category-x9-curiosidades","category-escudos","category-fotos-historicas","category-historia-do-futebol","category-rio-de-janeiro","category-antigo-estado-do-rio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/124285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/55"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=124285"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/124285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":124304,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/124285\/revisions\/124304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=124285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=124285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=124285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}