{"id":1209,"date":"2008-08-02T08:16:31","date_gmt":"2008-08-02T11:16:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/08\/02\/estes-nao-deixaram-saudadesparte-4\/"},"modified":"2022-03-12T15:56:50","modified_gmt":"2022-03-12T18:56:50","slug":"estes-nao-deixaram-saudadesparte-4__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1209","title":{"rendered":"Estes n\u00e3o deixaram saudades, PARTE 4"},"content":{"rendered":"<p><strong>SANTOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Agnaldo<\/strong><br \/>\nTricampe\u00e3o paulista (69), vencedor do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (68), dono das Recopas Sul-americana e Mundial (68\/69), o Santos do final dos anos 60 era um senhor time. Poucos advers\u00e1rios eram capazes de neutralizar a equipe de Carlos Alberto, Joel, Ramos Delgado, Clodoaldo, Lima, Pel\u00e9, Edu e cia. O goleiro Agnaldo, no entanto, alcan\u00e7ou esse feito sozinho, diversas vezes, depois que substituiu o titular Cl\u00e1udio, v\u00edtima de grave les\u00e3o. Por mais gols que a \u201clinha\u201d marcasse, Agnaldo punha tudo a perder, literalmente. Sua atua\u00e7\u00e3o \u201cinesquec\u00edvel\u201d foi em 4 de novembro de 1969, quando aceitou, entre as pernas, uma cobran\u00e7a de falta de Rivellino \u2013 o segundo dos quatro gols do Corinthians naquela noite. Depois de pendurar as chuteiras, Agnaldo se tornou um respeitado treinador de goleiros. Tinha muito a ensinar \u2013 especialmente o que n\u00e3o fazer sob as traves.<\/p>\n<p><strong>Fernando<\/strong><br \/>\nJogava no miolo da zaga, mas atuou como lateral-direito na despedida de Pel\u00e9, em Nova York, no ano de 1977. Com um nariz inversamente proporcional ao seu futebol, chegou a ser eleito o melhor em campo num cl\u00e1ssico contra o Palmeiras, no mesmo ano. Quando notou o rep\u00f3rter se aproximando, com o Motor\u00e1dio nas m\u00e3os, o valente Fernando, certo de que n\u00e3o era com ele, olhou para tr\u00e1s, tentando adivinhar quem era o premiado. Tinha autocr\u00edtica, n\u00e3o h\u00e1 como negar.<\/p>\n<p><strong>Camilo<\/strong><br \/>\nCom a altura, categoria e a agilidade de um poste, formou uma bela dupla de ataque com Bebeto em partida no Maracan\u00e3, pelo Brasileir\u00e3o de 1992. O detalhe \u00e9 que Bebeto jogava no advers\u00e1rio Vasco. Apesar dos passes de Camilo, que garantiram tr\u00eas gols ao atacante baiano, o Santos arrancou um empate em 3 a 3.<\/p>\n<p><strong>Murias<\/strong><br \/>\nEsquentava o banco no time que dividiu o t\u00edtulo paulista de 73 com a Lusa. Cria da Vila, o lateral ganhou alguns segundos de notoriedade por ter sido o piv\u00f4, num \u201camistoso\u201d entre Santos e S\u00e3o Paulo, de uma das v\u00e1rias trocas de gentilezas entre Carlos Alberto Torres e Paran\u00e1. O capit\u00e3o do Tri desferiu uma sonora cabe\u00e7ada no velho desafeto, que pouco antes dera um sopapo no jovem Murias. Naquela noite, muitos santistas se solidarizaram com o ponta tricolor \u2013 n\u00e3o pelo golpe eu recebera de Carlos Alberto, mas por ter dado a Murias o que ele merecia.<\/p>\n<p><strong>N\u00e9lson Borges<\/strong><br \/>\nEm 1977, o Santos pagou uma f\u00e1bula ao Noroeste de Bauru pelo armador, que nunca se firmou no time. Gordo e lento, chegou a participar de alguns jogos do Campeonato Paulista de 78, vencido pelo Peixe, mas foi logo descartado pelo t\u00e9cnico Chico Formiga. O desastroso investimento marcou o fim da gest\u00e3o de Modesto Roma. S\u00f3 por isso, N\u00e9lson merecia uma est\u00e1tua na Vila Belmiro.<\/p>\n<p><strong>Evil\u00e1sio<\/strong><br \/>\nEvil\u00e1sio foi o pior camisa 10 da hist\u00f3ria recente do Santos, talvez dos 93 anos de exist\u00eancia do clube. H\u00e1 poucos registros sobre a sua obscura passagem pela Vila Belmiro, em meados da d\u00e9cada de 70, mas sabe-se que atuou apenas uma vez, num Campeonato Paulista. Escalado como titular, acabou substitu\u00eddo durante o intervalo. Precisou de apenas 45 minutos para mostrar o seu futebol, ou melhor, a total aus\u00eancia deste.<\/p>\n<p><strong>Serginho Fraldinha<\/strong><br \/>\nTrocas ruinosas sempre foram uma especialidade do Santos \u2013 vide, adiante, a transa\u00e7\u00e3o envolvendo Carlos Alberto Torres e tr\u00eas botafoguenses. No in\u00edcio dos anos 90, contudo, os cartolas da Vila capricharam: entregaram C\u00e9sar Sampaio ao Palmeiras, recebendo meros US$ 450 mil e os passes de Ranielli e&#8230; Serginho Fraldinha. Franzino e imberbe, o pontinha nunca conseguiu se firmar como titular num time que estava aqu\u00e9m de mediano. Pelo apelido e o futebol, faria uma dupla perfeita com um centroavante trombador da d\u00e9cada de 40, Odair Titica.<\/p>\n<p><strong>Reinaldo<\/strong><br \/>\nQuando garoto, o valente nordestino ouvia dizer que centroavante arretado tinha que ser rompedor. Decididamente, ele n\u00e3o entendeu nada, pois o m\u00e1ximo que conseguiu no Santos foi romper o est\u00f4mago num choque com o goleiro paraguaio Aguillera, em jogo contra o Botafogo de Ribeir\u00e3o Preto, no ano de 77. Reinaldo se recuperou e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, fez dupla de \u00e1rea com Zico, no Flamengo. Apesar da desfeita, o Galinho de Quintino n\u00e3o abandonou o clube da G\u00e1vea.<\/p>\n<p><strong>Roberto Bi\u00f4nico<\/strong><br \/>\nTinha porte de atleta \u2013 de lutador de sum\u00f4, n\u00e3o de jogador de futebol. O roli\u00e7o atacante foi revelado pelo XV de Ja\u00fa e chegou \u00e0 Vila em 1981, para substituir Alu\u00edsio, mas n\u00e3o cumpriu a miss\u00e3o, que nada tinha de complexa. Assim como Steve Austin, personagem de Lee Majors na famosa s\u00e9rie de TV dos anos 70, Roberto Bi\u00f4nico valia 6 milh\u00f5es,mas com certeza n\u00e3o de d\u00f3lares.<\/p>\n<p><strong>Totonho<\/strong><br \/>\nAtacante troncudo e grosso, tinha h\u00e1bitos pra l\u00e1 de estranhos. Numa entrevista \u00e0 Placar, em meados da d\u00e9cada de 70, o mineiro Totonho revelou que se alimentava com uma mistura de Coca-Cola e leite condensado.<\/p>\n<p><strong>Boz\u00f3<\/strong><br \/>\nEra provocador e invocadinho como ele s\u00f3. Futebol, que \u00e9 o que interessa, nem sombra. S\u00f3 fez a alegria da torcida santista quando, j\u00e1 atuando pelo Guarani, em 1979, conseguiu ser expulso minutos ap\u00f3s ter entrado num jogo em que o Peixe enfiou 4 a 1 no Bugre<\/p>\n<p><strong>Pa\u00eds<\/strong><br \/>\nEm 1977, a CBF divulgou uma extensa lista de jogadores que, por estarem sendo observados pelo t\u00e9cnico Cl\u00e1udio Coutinho, n\u00e3o poderiam ser vendidos ao exterior. Um deles era o arqueiro Pa\u00eds, do Am\u00e9rica carioca, que apesar do porte avantajado estava longe de ser um goleir\u00e3o. O cr\u00e9dulo Peixe contratou o jogador dois anos depois, para o del\u00edrio de muitos torcedores \u2013 especialmente os do Palmeiras, que comemoraram a atua\u00e7\u00e3o de Pa\u00eds num 5 a 1 imposto ao Santos. A galera peixeira s\u00f3 vibrou com o cidad\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte, quando, atuando pelo Sport, ele perseguiu alucinadamente Alu\u00edsio Guerreiro, ent\u00e3o no Santa Cruz, durante um cl\u00e1ssico pernambucano. Se tivesse colocado as m\u00e3os no sucessor de Juari, Pa\u00eds por certo gozaria de um conceito muito melhor junto aos alvinegros.<\/p>\n<p><strong>Tuca<\/strong><br \/>\nFormado na Portuguesa Santista, o lateral foi um dos s\u00edmbolos daquele que \u00e9 considerado por muitos o pior time da hist\u00f3ria do Santos, o do Brasileir\u00e3o de 1975. Eliminado da competi\u00e7\u00e3o, o Peixe foi \u00e0 Bahia disputar o Torneio da Fome, com outros grandes em desgra\u00e7a, levando um refor\u00e7o acima de qualquer ju\u00edzo ou coment\u00e1rio: Pel\u00e9, que atuou 45 minutos em um dos jogos. Apesar da curta participa\u00e7\u00e3o do Rei e da longa titularidade de Tuca, o Santos conquistou a ta\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Nei<\/strong><br \/>\nO Peixe chegou ao fundo do po\u00e7o no primeiro semestre de 1976 \u2013 menos de dois anos ap\u00f3s a despedida oficial de Pel\u00e9. Alijado do Paulist\u00e3o, promoveu alguns amistosos na Vila Belmiro. Em um deles, o zagueiro Nei acertou uma bomba de fora da \u00e1rea, no \u00e2ngulo, indefens\u00e1vel. Seria um gola\u00e7o, n\u00e3o estivesse ele tentando atrasar a bola para o goleiro \u2013 o do seu time, claro. O Santos perdeu por 1 a 0, mas engana-se quem imagina que a carreira do bec\u00e3o terminou ali. Nei jogou um bom tempo no S\u00e3o Paulo, e chegou at\u00e9 a defender a Sele\u00e7\u00e3o Paulista.<\/p>\n<p><strong>Terezo<\/strong><br \/>\nA Sele\u00e7\u00e3o Ol\u00edmpica de 1972 tinha, entre outros, Falc\u00e3o, Dirceu, Carlos Alberto Pintinho e o zagueir\u00e3o Abel. O Santos, no entanto, resolveu contratar justamente o lateral-direito daquele time, aqui escalado na esquerda porque, todos sabem, perna-de-pau \u00e9 como craque: joga nas 11. O futebol de Terezo era t\u00e3o sinistro que o Peixe, rapidinho, trouxe Nelsinho Baptista (e Gilberto Sorriso) do S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Anderson<\/strong><br \/>\nNa final do Paulist\u00e3o 2000, cometeu as duas faltas frontais \u00e0 \u00e1rea que resultaram nos gols do S\u00e3o Paulo. O jogo terminou empatado em 2 a 2, e o Tricolor ficou com o t\u00edtulo estadual. \u00c0 \u00e9poca, muitos s\u00e3o-paulinos criticaram a diretoria do clube por n\u00e3o ter entregue a faixa de campe\u00e3o e pago o \u201cbicho\u201d ao brucutu Anderson.<\/p>\n<p><strong>C\u00e9sar FERREIRA<\/strong><br \/>\nVice-campe\u00e3o mundial na Fran\u00e7a, em 1998, C\u00e9sar Sampaio carrega o sobrenome nas escala\u00e7\u00f5es devido a um atrapalhado xar\u00e1, com quem atuou no fim dos anos 80, defendendo o Peixe. Sampaio n\u00e3o foi o \u00fanico craque a tentar tabelar com C\u00e9sar Ferreira. S\u00f3crates viveu o mesmo drama. H\u00e1 at\u00e9 quem diga que o Santos contratou o Magr\u00e3o, j\u00e1 em final de carreira, s\u00f3 para obrig\u00e1-lo a jogar ao lado de Ferreira e Alu\u00edsio Guerreiro, como vingan\u00e7a pelos muitos gols que havia anotado no time de Urbano Caldeira quando atuava no Botafogo e no Corinthians.<\/p>\n<p><strong>Bab\u00e1<\/strong><br \/>\nVolta e meia, em noites de tempestade, o lance surge nos pesadelos dos santistas que foram ao est\u00e1dio Urbano Caldeira naquela melanc\u00f3lica tarde de 1975. O ponta-direita coloca a bola perto da bandeirinha, toma dist\u00e2ncia, corre, escorrega, cai sentado e, sem querer, toca na bola, que sai rolando pela linha de fundo. Tiro de meta. O vexame foi t\u00e3o grande que a torcida fiou muda, perplexa, anestesiada. Nesse dia, o pontinha Bab\u00e1 saiu de campo com um novo apelido: Baba.<\/p>\n<p><strong>Alu\u00edsio Guerreiro<\/strong><br \/>\nChegou \u00e0 Vila em 1980, para substituir Juari, vendido ao futebol mexicano. Falastr\u00e3o, fez incluir no contrato uma cl\u00e1usula prevendo um aumento substancial de sal\u00e1rio assim que fosse convocado para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Por sorte, n\u00e3o vinculou seus vencimentos aos gols marcados, pois teria morrido de inani\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Luiz\u00e3o<\/strong><br \/>\nNegro, alto e forte, lembrava o ex-campe\u00e3o mundial dos pesos pesados Sonny Liston. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. O problema era que Liston, se resolvesse trocar as luvas pelas chuteiras, certamente jogaria mais, muito mais que Luiz\u00e3o. O centroavante foi contratado por empr\u00e9stimo ao Bangu, em 1981, pelo cartola Rubens Marino, que queria refor\u00e7ar o seu time do cora\u00e7\u00e3o \u2013 o Corinthians, provavelmente.<\/p>\n<p><strong>Ferretti<\/strong><br \/>\nO Botafogo fez, em 1971, a mais vantajosa troca de que se tem not\u00edcia no futebol brasileiro. O clube carioca recebeu por empr\u00e9stimo Carlos Alberto Torres \u2013 ele mesmo, o capit\u00e3o que meses antes erguera a ta\u00e7a Jules Rimet, no M\u00e9xico \u2013, cedendo ao Santos o lateral Moreira, o ponta Rog\u00e9rio e o centroavante Ferretti. Perseguido \u00e0 \u00e9poca pela torcida e a Imprensa, Ferretti \u00e9 hoje reconhecido como um dos maiores atacantes da hist\u00f3ria do Peixe. Tinha 1,90 metro e 85 quilos.<\/p>\n<p><strong>Ferreira<\/strong><br \/>\nEstreou contra o Vasco, no \u00faltimo jogo do Peixe pelo Brasileir\u00e3o de 1971. Teve \u00f3tima atua\u00e7\u00e3o na goleada por 4 a 0, mas o seu futebol terminou ali. Tr\u00eas anos depois, devido a uma contus\u00e3o de Edu, ganhou um posto entre os titulares, tornando-se ent\u00e3o muito popular nos cultos de quimbanda e vodu realizados na Baixada Santista. Ferreira encerrou sua trajet\u00f3ria no Santos numa partida pelo Paulist\u00e3o de 1974, na Vila Belmiro. O Peixe deu a sa\u00edda, e a bola foi tocada rapidamente para o ponta-esquerda, que, apesar do esfor\u00e7o, a deixou sair pela lateral. Com segundos de jogo, Ferreira virou uma ruidosa unanimidade na torcida.<\/p>\n<p>Autor:Dario Palhares<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SANTOS Agnaldo Tricampe\u00e3o paulista (69), vencedor do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (68), dono das Recopas Sul-americana e Mundial (68\/69), o Santos do final dos anos 60 era um senhor time. Poucos advers\u00e1rios eram capazes de neutralizar a equipe de Carlos Alberto, Joel, Ramos Delgado, Clodoaldo, Lima, Pel\u00e9, Edu e cia. 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