{"id":12065,"date":"2010-11-09T13:20:33","date_gmt":"2010-11-09T15:20:33","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=12065"},"modified":"2010-11-09T13:30:34","modified_gmt":"2010-11-09T15:30:34","slug":"o-urso-do-david","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=12065","title":{"rendered":"O Urso do David"},"content":{"rendered":"<p>Armando Nogueira viu a Hungria jogar em 1954 e ficou maravilhado. S\u00f3 falava de Puskas, e Kocsis, e Czibor. Nelson Rodrigues deitava e rolava com o deslumbramento do amigo. \u201cArmando, como um time t\u00e3o bom perdeu para uma sele\u00e7\u00e3o cintura-dura?\u201d E ironizava, chamando os m\u00edticos magiares de  \u201ca Hungria do Armando\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_12066\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption alignright\"><a rel=\"attachment wp-att-12066\" href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?attachment_id=12066\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12066\" class=\"size-full wp-image-12066\" title=\"URSO1a\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/URSO1a.JPG\" alt=\"Laerte em a\u00e7\u00e3o\" width=\"268\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/URSO1a.JPG 268w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/URSO1a-192x300.jpg 192w\" sizes=\"auto, (max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12066\" class=\"wp-caption-text\">Laerte em a\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Quase ningu\u00e9m no Brasil viu a Hungria do Armando jogar, mas durante d\u00e9cadas se falou daquele tima\u00e7o assim, a Hungria do Armando. Lembrei disso ao ver David Coimbra afirmar no Reda\u00e7\u00e3o Sportv que o melhor centroavante do mundo foi Laerte, o Urso. <a href=\"http:\/\/wp.clicrbs.com.br\/davidcoimbra\/2010\/01\/01\/o-urso-5-capitulo\/\">David j\u00e1 escreveu sobre as qualidades de Laerte<\/a>, dentre as quais o chute mortal e a estatura de um metro e setenta e tr\u00eas, a altura dos craques. O \u00fanico sen\u00e3o de Laerte, diz David, era que s\u00f3 jogava com as vestes de Pr\u00f3spera e Crici\u00fama, os times da Capital do Carv\u00e3o. Bastava vestir outra camisa e perdia seus poderes, passava a ser um centroavante <a href=\"http:\/\/www.fpessoa.com.ar\/poesias.asp?Poesia=211\">f\u00fatil, cotidiano e tribut\u00e1vel<\/a>. Deixava de ser Laerte, o Urso, para ser Laerte, mais um na multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas pessoas devem ter se perguntado: \u201cSeria Laerte mais um dos personagens do David? Mais uma daquelas criaturas que das ruas do IAPI desvendam os mist\u00e9rios do mundo?\u201d Em verdade, vos digo: Laerte, o Urso, existiu. Eu o vi jogar e atropelar zagueiros com seu corpo urs\u00eddeo. Ele parece, mas n\u00e3o \u00e9 um personagem de David Coimbra.<\/p>\n<p>Laerte Aracy S\u00e9rgio nasceu em Urussanga, em 26 de agosto de 1957. Em 1978, ainda garoto, fez alguns jogos pelo Comerci\u00e1rio, que no 17 de mar\u00e7o daquele ano passou a se chamar Crici\u00fama Esporte Clube. Laerte, o Urso, fez o primeiro gol da hist\u00f3ria do Crici\u00fama que ainda n\u00e3o era Tigre, porque vestia azul. E foi fazendo gols, o Urso, de todos os jeitos. Quando deixou o est\u00e1dio Heriberto H\u00fclse, em 1981, era o maior artilheiro da hist\u00f3ria do Crici\u00fama, com 54 gols.<\/p>\n<p>A primeira vez que vi Laerte foi quando ele veio a Lages, enfrentar o Inter. J\u00e1 era o temido Urso. E no Inter de Lages tinha um zagueiro chamado Eduardo, cara de bandido e porte de xerife, morava no bairro Morro do Posto, e por isso era chamado de Eduardo, o Xerife do Morro do Posto.<\/p>\n<p>Foi o duelo anunciado, como dois pistoleiros que fossem se encontrar ao cair do sol. Laerte, o Urso, versus Eduardo, o Xerife do Morro do Posto.  \u201cN\u00e3o vai sobrar pedra sobre pedra\u201d, anunciava o narrador Aldo Pires de God\u00f3i na R\u00e1dio Clube, chamando o povo para est\u00e1dio Vidal Ramos. O povo foi. Eu fui. E vi.<\/p>\n<div id=\"attachment_12079\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a rel=\"attachment wp-att-12079\" href=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?attachment_id=12079\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12079\" class=\"size-medium wp-image-12079\" title=\"1\" src=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/11-300x225.jpg\" alt=\"Laerte, o \u00faltimo agachado, disfar\u00e7ado de ponta-esquerda no Crici\u00fama de 1978\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/11-300x225.jpg 300w, https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/11.JPG 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12079\" class=\"wp-caption-text\">Laerte, o \u00faltimo agachado, disfar\u00e7ado de ponta-esquerda no Crici\u00fama de 1978<\/p><\/div>\n<p>Foram vinte e quatro minutos intensos. Pernadas, pux\u00f5es nas camisas, cotoveladas. O Urso e o Xerife se engalfinhavam, ca\u00edam no ch\u00e3o, levantavam poeira. Vinte e quatro minutos um contra o outro, sem que nenhum dos dois tocasse na bola. Havia o jogo, l\u00e1 longe, e o duelo. Eu assistia ao duelo.<\/p>\n<p>De repente, Eduardo se viu sozinho. Olhava para os lados e n\u00e3o via o Urso, que sumira como num passe de m\u00e1gica. Ouviu um palavr\u00e3o berrado pelo goleiro Luiz Fernando Xixi e olhou para tr\u00e1s. Era o Urso, matando a bola no peito antes de estufar as redes coloradas no vig\u00e9simo quinto minuto da peleja. Ele ainda fez mais um, e o Inter s\u00f3 empatou em tr\u00eas as tr\u00eas porque era um bom time, liderado por Mikimba, tio do Ronaldinho Ga\u00facho que ainda nem pensava em nascer.<\/p>\n<p>Tergiverso. O assunto \u00e9 Laerte, o Urso. Se marcasse com qualquer camisa os gols que marcava pelos times de Crici\u00fama, teria jogado com Pel\u00e9 no Cosmos, com Falc\u00e3o na Roma, com Platini na Vecchia Signora do L\u00e9dio Carmona. Ali\u00e1s, se ele pudesse viajar no tempo e pegar a vaga de Puskas na Hungria de 1954, e se a Hungria jogasse com a camisa azul do Crici\u00fama, o mundo seria diferente hoje, e ningu\u00e9m faria tro\u00e7a com Armando Nogueira e David Coimbra. Aquela seria a Hungria de Laerte, o Urso, campe\u00e3 mundial de 1954.<\/p>\n<p><em>Obs.: Laerte, eterno nos cora\u00e7\u00f5es dos criciumenses e do David Coimbra, morreu em abril de 2004. Mais sobre o Crici\u00fama e sobre o Urso no Almaque do Crici\u00fama, a ser lan\u00e7ado pelo Jo\u00e3o Nassif no final do ano. Texto meu, originalmente publicado no <a href=\"http:\/\/colunas.sportv.globo.com\/lediocarmona\/2010\/10\/27\/o-urso-do-david\/\">blog do L\u00e9dio Carmona<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armando Nogueira viu a Hungria jogar em 1954 e ficou maravilhado. S\u00f3 falava de Puskas, e Kocsis, e Czibor. Nelson Rodrigues deitava e rolava com o deslumbramento do amigo. \u201cArmando, como um time t\u00e3o bom perdeu para uma sele\u00e7\u00e3o cintura-dura?\u201d E ironizava, chamando os m\u00edticos magiares de \u201ca Hungria do Armando\u201d. 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