{"id":1181,"date":"2008-06-04T16:00:10","date_gmt":"2008-06-04T19:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/06\/04\/campeonato-mineirouma-breve-historia-inicio-ate-a-segunda-guerra-mundial\/"},"modified":"2016-04-02T06:12:05","modified_gmt":"2016-04-02T09:12:05","slug":"campeonato-mineirouma-breve-historia-inicio-ate-a-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1181","title":{"rendered":"Campeonato Mineiro,uma breve hist\u00f3ria at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial!!!"},"content":{"rendered":"<p>Arco e Flexa, um jornalista esportivo de prest\u00edgio na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo, em Belo Horizonte, habituou-se ao gesto rom\u00e2ntico de comparecer, \u00e0 reda\u00e7\u00e3o algumas horas antes de cada jogo do Am\u00e9rica. Munido de pena e tinteiro, o cronista preparava um coment\u00e1rio de exalta\u00e7\u00e3o ao clube, indife<br \/>\nrente ao fato de o jogo n\u00e3o ter sequer come\u00e7ado. Ele deixava em branco apenas o espa\u00e7o para colocar os n\u00fameros de mais uma vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Foi assim ao longo de uma d\u00e9cada de 1916 a 1925. O Am\u00e9rica valia-se, naquele despertar do futebol mineiro, dos chutes de Jo\u00e3o Brito, t\u00e3o potentes como seriam, mais tarde, os petardos de Nelinho e \u00c9der. Kain\u00e7o aplicava dribles fatais, Francisco Matos fazia gols como se fossem esculpidos por Aleijadinho e Rato evidentemente tinha a formid\u00e1vel habilidade de &#8220;ladr\u00e3o de bola&#8221; .<br \/>\nComo se v\u00ea, Arco e Flexa jamais pecaria por falta de inspira\u00e7\u00e3o. Suas resenhas projetavam a id\u00e9ia de um Am\u00e9rica absoluto, que n\u00e3o temia os advers\u00e1rios. E as vit\u00f3rias se repetiam. As vezes, \u00e9 verdade, o resultado era apertado, por um gol. Havia ocasi\u00f5es, entretanto, em que o time chegava \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o. Em 1923, por exemplo, massacrou um certo Yale Atl\u00e9tico Clube por 10 x 0. Foi, de fato, uma fase de ouro.<\/p>\n<p>Em 1925, o insuper\u00e1vel Am\u00e9rica tornou-se decacampe\u00e3o e perpetuou uma proeza in\u00e9dita. E, at\u00e9 hoje, n\u00e3o alcan\u00e7ada por outro clube brasileiro em certames regionais.Quando aconteceu a conquista do decacampeonato, os inimigos j\u00e1 estavam totalmente liquidados. Ao fim da terceira rodada do primeiro turno, Atl\u00e9tico, Palestra, Sete de Setembro, Palmeiras, Calafate e Lusitano decidiram, em conjunto, retirar-se da competi\u00e7\u00e3o. A Liga Mineira de Desportos Terrestres resolveu, ent\u00e3o, declarar o Am\u00e9rica campe\u00e3o. A ultima partida do alviverde foi contra o Atl\u00e9tico. N\u00e3o teve gra\u00e7a: o Galo sofreu urna goleada por 4 x 1. Em 1925, a hist\u00f3rica equipe do Am\u00e9rica era formada por Salim: Tonico e Souza; Del Nero, Tango e Parruda; Leite. Bol\u00edvar S\u00e1tyro, Osvaldinho e Gauchinho.<br \/>\nO Atletico Mineiro, contudo, recuperou-se no ano seguinte. Deu o troco ao rival na decis\u00e3o do campeonato. M\u00e1rio de Castro, um dos maiores fen\u00f4menos do futebol brasileiro de todos os tempos, surgia para construir uma fugaz e fulminante carreira. Fez sua estr\u00e9ia na decis\u00e3o de 1926 e impediu o 11\u00b0 t\u00edtulo consecutivo do Am\u00e9rica. Na goleada de 6 x 3, ele assinalou tr\u00eas gols. E virou \u00eddolo. M\u00e1rio de Castro foi um astro do mesmo nivel de Tost\u00e3o. Mas bem menos respons\u00e1vel: estudante de Medicina, jogava quando queria e \u00e0s vezes entrava em campo b\u00eabado. Nunca se sabia quando era poss\u00edvel contar com ele. Nem gostava de futebol: preferia o basquete. Movido pelo esp\u00edrito amador da \u00e9poca, M\u00e1rio de Castro teve uma carreira curta. Em cinco anos de 1926 a 1931 realizou 100 jogos pelo Atl\u00e9tico e atingiu a extraordin\u00e1ria marca de 185 gols. At\u00e9 hoje, em Minas, s\u00f3 est\u00e1 atr\u00e1s de Reinaldo(310), Tost\u00e3o(276), Dirceu Lopes(201)e Dario (190) .<br \/>\nRelativamente, o velho M\u00e1rio de Castro \u00e9 o maior goleador mineiro de todos os tempos. &#8220;N\u00e3o me lembro de ter ficado uma partida sem fazer um gol. &#8221; Quem viu. n\u00e3o se esquece jamais. E conta: ele costumava driblar defesas inteiras antes de acertar as rides. Seus gols sa\u00edam sempre no segundo tempo. Em 1929, foi convocado para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Em vez de correr, euf\u00f3rico, para a apresenta\u00e7\u00e3o, quis antes saber se seria titular. A prefer\u00eancia, no entanto, era por Carvalho Leite, do Botafogo. E M\u00e1rio nem viajou.<br \/>\nOs dirigentes do Atl\u00e9tico ficaram aborrecidos. Para eles, tudo n\u00e3o passava de uma &#8220;car\u00efocada&#8221; . E desafiaram o Botafogo para um jogo.<br \/>\nSeria a oportunidade de colocar os dois jogadores frente a frente. N\u00e3o deu outra: Atl\u00e9tico 3 x Botafogo 0, com tr\u00eas gois de M\u00e1rio de Castro marcados no segundo tempo.<br \/>\nSua despedida do futebol foi dram\u00e1tica. Em 1931, na decis\u00e3o do certame, o Atl\u00e9tico jogou com o Villa Nova. Logo de inicio, perdia por 3 x 0. Visivelmente de ressaca, M\u00e1rio perambulava pelo gramado, sob vaias. No intervalo, vomitou, molhou a cabe\u00e7a e voltou pisando firme. Fez quatra gols, al\u00e9m de um quinto, anulado pelo juiz. Com a virada, o clima ficou pesado e perigoso. Num lance premeditado, M\u00e1rio chutou a bola para fora do est\u00e1dio e iniciou uma fuga pelos vesti\u00e1rios. Houve confus\u00e3o, briga e tiros de um diretor do Galo matou um torcedor, que o atacara armado de faca. O \u00eddolo ficou contrariado e n\u00e3o quis mais saber de futebol. Como Tost\u00e3o, trocou a bola por um consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>A essa altura, o outrora terr\u00edvel Am\u00e9rica n\u00e3o assustava ninguem.O clube n\u00e3o resistiu as mudan\u00e7as que, aos poucos, eram introduzidas no futebol mineiro. A partir de 1926, os primeiros sinais de profissionalismo j\u00e1 eram n\u00edtidos. Embora tivesse inaugurado o profissionalismo marrom em Minas Gerais, o alviverde passou a condenar sua pr\u00e1tica mais aberta. E parou no tempo: em 1933, quando acabou o amadorismo, os grandes clubes eram Atl\u00e9tico, Palestra It\u00e1lia (nome do Cruzei\u00acro at\u00e9 1942) e Villa Nova.O Am\u00e9rica queixou-se em v\u00e3o. Em sinal de protesto, trocou at\u00e9 sua tradicional cor verde pela vermelha nas camisas e na bandeira. O alviverde s\u00f3 reapareceu em 1947, um ano antes de seu primeiro t\u00edtulo do ciclo profissional.<br \/>\nSem moralismo, o Palestra aderiu ao profissionalismo marrom em 1928. Para impedir o tricampeonato atleticano (bi em 1927), vasculhou o mercado paulista e contratou jogadores como Morganti, Arnaldo,<br \/>\nOsto, Guti\u00e9rrez e Morgantinho. Assim, ficou mais f\u00e1cil. E a equipe da col\u00f4nia italiana de Belo Horizonte chegou ao primeiro tricampeonato, em 1930.<br \/>\nDe todo o modo, o tri foi conquistado sobretudo gra\u00e7as, a um dos g\u00eanios do futebol brasileiro de todos os tempos: Nig\u00ednho. Ele despontou ainda adolescente e tinha boa proced\u00eancia: vinha da fam\u00edlia Fantoni, que sempre fornecera craques ao Palestra.Fernando, Nininho, Nin\u00e3o(artilheiro de 1928), Orlando e Benito torciam pelo rapaz por uma simples raz\u00e3o. Ele era o melhor de todos.<\/p>\n<p>Lin\u00eddio Fantoni, o Niginho, permaneceu apenas tr\u00eas anos no Palestra. Aos 20 anos, transferiu-se para o Lazio, da It\u00e1lia, no qual j\u00e1 estavam Nininho e Nin\u00e3o. Tudo ia bem at\u00e9 que ele se recusou a lutar na guerra contra a Abiss\u00ednia e teve de retomar ao Brasil. Em 1940, seus gols evitaram que o Palestra entrasse no d\u00e9cimo ano sem t\u00edtulo.<br \/>\nCom a Segunda Guerra Mundial, os italianos que viviam no Brasil ficaram em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Em Belo Horizonte, eles mudaram nomes de casas comerciais e clubes. Em 1942, quando o Brasil declarou guerra \u00e0 Alemanha e \u00e0 It\u00e1lia, o presidente do Palestra, Enes Ciro Poni, tomou uma decis\u00e3o pessoal. E o Palestra virou Ypiranga. Com esse nome, ali\u00e1s, o time fez apenas um jogo e perdeu para o Atl\u00e9tico por 2 x 0. Dez dias depois, a diretoria convocou unia reuni\u00e3o em rep\u00fadio \u00e0 atitude solit\u00e1ria de Poni. E resolveu que o clube se chamaria definitivamente Cruzeiro.<\/p>\n<p>Fonte:Placar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arco e Flexa, um jornalista esportivo de prest\u00edgio na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo, em Belo Horizonte, habituou-se ao gesto rom\u00e2ntico de comparecer, \u00e0 reda\u00e7\u00e3o algumas horas antes de cada jogo do Am\u00e9rica. 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