{"id":1165,"date":"2008-05-21T09:14:52","date_gmt":"2008-05-21T12:14:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/05\/21\/guevara-e-o-esporte\/"},"modified":"2022-03-12T15:56:50","modified_gmt":"2022-03-12T18:56:50","slug":"guevara-e-o-esporte__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1165","title":{"rendered":"Guevara e o esporte"},"content":{"rendered":"<p>A lenda voltou a circular, nos \u00faltimos dias, em Buenos Aires. Por um lado, porque estamos recordando o quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio da morte de Che Guevara e, por outro, porque os argentinos, fan\u00e1ticos por futebol, parecem hoje enlouquecidos com o r\u00fagbi, um dos esportes favoritos do m\u00edtico guerrilheiro.<br \/>\nReza a lenda que, em agosto de 1961, o motorista do carro que conduziu Guevara \u00e0 sua reuni\u00e3o secreta com o ent\u00e3o presidente argentino, Arturo Frondizi, n\u00e3o sabia quem era o personagem que transportava, e tinha ordens de n\u00e3o lhe dirigir a palavra sobre pol\u00edtica. Mas Guevara, que estava maquiado, perguntou-lhe no trajeto se ele sabia &#8220;como tinham se sa\u00eddo o CASI e o SIC&#8221;. E que o motorista, assustado diante da situa\u00e7\u00e3o e por n\u00e3o saber o que essas siglas estranhas significavam, respondeu: &#8220;Sou motorista, senhor, de pol\u00edtica n\u00e3o sei nada, pe\u00e7o que me desculpe&#8221;.<br \/>\nReconstitui\u00e7\u00f5es posteriores pareceriam indicar que esta situa\u00e7\u00e3o jamais aconteceu, mas ela \u00e9 ainda assim considerada poss\u00edvel porque Che n\u00e3o s\u00f3 havia sido jogador e jornalista de r\u00fagbi mas tamb\u00e9m amou o xadrez, jogou futebol, t\u00eanis, golfe, pingue-pongue, basquete, beisebol, e praticou patina\u00e7\u00e3o, pesca, hipismo, tiro, alpinismo e remo; chegou a conquistar uma marca de 2,80m no salto com vara, em uma edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Universit\u00e1rios argentinos.<br \/>\nEm seu livro &#8220;Che, Periodista-Deportista, Pasi\u00f3n y Aventura&#8221;, o jornalista argentino Hern\u00e1n Santos Nicolini afirma que Guevara chegou a praticar 26 esportes. &#8220;Foi o esportista asm\u00e1tico mais c\u00e9lebre da hist\u00f3ria, ainda que sua notoriedade n\u00e3o proviesse nem do esporte e nem da asma&#8221;, escreveu por sua vez o colega Ariel Scher, no livro &#8220;La P\u00e1tria Desportista&#8221;, no qual dedica um cap\u00edtulo inteiro ao Guevara esportista.<br \/>\nFoi exatamente a asma de &#8220;Ernestito&#8221; que levou sua fam\u00edlia, de classe m\u00e9dia confort\u00e1vel, a deixar Buenos Aires e se instalar em Alta Gracia, C\u00f3rdoba, \u00e0 procura de um clima mais am\u00e1vel. E em Alta Gracia, mais por necessidade, para que a asma n\u00e3o o consumisse, Ernestito come\u00e7ou a se dedicar \u00e0 nata\u00e7\u00e3o, um esporte que herdou de sua m\u00e3e C\u00e9lia e que aprendeu com li\u00e7\u00f5es do campe\u00e3o argentino de estilo borboleta, Carlos Espejo.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito para que come\u00e7asse a praticar os saltos dos acrobatas de um circo japon\u00eas ao qual admirou em numerosas tardes de Alta Gracia, se interessasse pelo montanhismo nas serras de C\u00f3rdoba e aprendesse golfe, porque vivia a poucos metros de um campo de jogo e havia feito grande amizade com os caddies, segundo contou uma vez Ernesto Guevara de la Serna, seu pai. A nova casa em C\u00f3rdoba estava a metros de uma quadra de t\u00eanis, esporte que tamb\u00e9m aprendeu gra\u00e7as \u00e0s li\u00e7\u00f5es da filha do zelador das quadras, ao mesmo tempo em que praticava boxe e pingue-pongue.<br \/>\nArgentino at\u00e9 a raiz dos cabelos, Ernestito se apaixonou pelo rei futebol, mas quis se diferenciar de seus amigos, que eram f\u00e3s dos populares Boca Juniors ou River Plate, e por isso escolheu o Ros\u00e1rio Central, em homenagem a Ros\u00e1rio, sua cidade natal, na prov\u00edncia de Santa F\u00e9. Seu jogador favorito era Ernesto &#8220;Chueco&#8221; Garc\u00eda, apelidado de &#8220;o poeta da canhota&#8221;. A asma o condenou ao posto de goleiro, que honrou em sua primeira grande viagem fora da Argentina, na companhia do insepar\u00e1vel amigo Alberto Granados, aquela jornada de inicia\u00e7\u00e3o relatada no filme &#8220;Di\u00e1rios de Motocicleta&#8221;, do brasileiro Walter Salles, com o mexicano Gael Garc\u00eda Bernal encarnando um jovem Guevara.<br \/>\nChe ganhou dinheiro, casa, comida e transporte at\u00e9 Iquique jogando futebol no norte do Chile; jogou tamb\u00e9m com os leprosos da cidade de San Pablo, no norte do Peru, e chegou a viver um momento glorioso em Let\u00edcia, Col\u00f4mbia, quando agarrou um p\u00eanalti em uma final de campeonato, ainda que seu time, treinado por ele e Granados, terminasse perdendo o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Em Cuba ele \u00e9 conhecido e celebrado como grande impulsor do xadrez, e muitos de seus companheiros de guerrilha o recordam, na serra, sempre equipado de fuzil e tabuleiro. &#8220;O xadrez&#8221;, dizia Guevara, &#8220;\u00e9 um passatempo, mas \u00e9 tamb\u00e9m um educador do racioc\u00ednio, e os pa\u00edses que t\u00eam grandes equipes de enxadristas marcham tamb\u00e9m \u00e0 frente do mundo em outras esferas mais importantes&#8221;. Inaugurou torneios, competiu com seus colegas, jogou partidas simult\u00e2neas com grandes jogadores, como Victor Korchnoi, Mikhail Tal e Miguel Najdorf, e at\u00e9 se deu ao luxo de vencer o grande mestre nacional cubano Rogelio Ortega.<\/p>\n<p>Mas, na Argentina, a figura de Guevara como esportista est\u00e1 vinculada sobretudo ao r\u00fagbi. Ele aprendeu a jogar com seu amigo Granados em C\u00f3rdoba e, quando a fam\u00edlia retornou a Buenos Aires, entrou para o San Isidro Club (SIC), um dos clubes de r\u00fagbi mais poderosos do pa\u00eds. No entanto, sua passagem pelo time durou pouco, porque seu pai exerceu influ\u00eancia junto ao presidente do clube para que o proibisse de jogar, por causa da asma e de advert\u00eancias m\u00e9dicas de que poderia morrer em campo. Obstinado, Guevara continuou jogando por outros clubes, primeiro o Ypor\u00e1 e depois o Atalaya, nos quais se destacava pelo tackle dur\u00edssimo, o que lhe valeu o apelido de &#8220;Furibundo Serna&#8221;, pelo sobrenome de sua m\u00e3e.<br \/>\nA lembran\u00e7a de que ele foi tamb\u00e9m jogador de r\u00fagbi provocou nos \u00faltimos dias alguns protestos entre os setores mais conservadores desse esporte, hoje mais popularizado, mas historicamente vinculado com as classes abastadas, que simplesmente detestam o Guevara comunista. Mas Che, que tamb\u00e9m foi cronista esportivo e correu atr\u00e1s dos esportistas argentinos nos Jogos Pan-americanos do M\u00e9xico em 1955, e cujo rosto aparece nas tatuagens c\u00e9lebres de Diego Maradona ou Mike Tyson, \u00e9 hoje uma figura corrente nos campos de futebol, onde os torcedores costumam portar bandeiras e cartazes que mostram seu rosto.<br \/>\n[img:guevara.jpg,full,centralizado]<\/p>\n<p>Autor:Por: Ezequiel Fern\u00e1ndez Moores<br \/>\nInserido por Edu Cacella<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lenda voltou a circular, nos \u00faltimos dias, em Buenos Aires. Por um lado, porque estamos recordando o quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio da morte de Che Guevara e, por outro, porque os argentinos, fan\u00e1ticos por futebol, parecem hoje enlouquecidos com o r\u00fagbi, um dos esportes favoritos do m\u00edtico guerrilheiro. 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