{"id":11625,"date":"2010-10-23T08:25:43","date_gmt":"2010-10-23T10:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=11625"},"modified":"2010-11-18T02:18:11","modified_gmt":"2010-11-18T04:18:11","slug":"a-padronizacao-na-escalacao-dos-jogadores-nos-primordios-do-futebol-no-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=11625","title":{"rendered":"A padroniza\u00e7\u00e3o na escala\u00e7\u00e3o dos jogadores nos prim\u00f3rdios do futebol no Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O futebol no Maranh\u00e3o, assim como em outros lugares do pa\u00eds, teve seu in\u00edcio vinculado \u00e0s elites locais e, portanto, de acesso restrito e segregador. Um esporte de cunho t\u00e3o nobre quanto este, praticado por homens considerados verdadeiros cavalheiros, exigia certo padr\u00e3o nos nomes dos atletas, e esta influ\u00eancia \u00e9 notadamente estrangeira, nos quais se sobressa\u00edam os sobrenomes, mas n\u00e3o estranha aos brasileiros, j\u00e1 que este tamb\u00e9m foi um legado de nossa coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, a exemplo dos nomes dos intelectuais e pol\u00edticos a seguir: Gon\u00e7alves Dias, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, Castro Alves, Deodoro da Fonseca, Machado de Assis, Nina Rodrigues, Campos Sales, Rodrigues Alves, Coelho Netto, Paula Ney, Lima Barreto, Medeiros e Albuquerque, Cruz e Souza, Ara\u00fajo Porto Alegre, Barbosa de God\u00f3is, Gomes de Sousa, Monteiro Lobato, Veiga Miranda, Oliveira Lima, entre outros. No futebol local isto ocorria, mas a forma como eram nominados os atletas deixa clara a forte influ\u00eancia brit\u00e2nica. Basta ver algumas das interessantes escala\u00e7\u00f5es dos primeiros tempos, como as destas equipes do FAC (Fabril Athletic Club) e do Maranhense FC (1910):<\/p>\n<p>TEAM \u201cA\u201d<br \/>\nJ. M\u00e1rio, F. Machado, A. Gandra, F. Campos, A. Santos, J. Gomes, A. Faria, T. Downey, C. Reade, A. Figueiredo.<br \/>\nCapitain \u2013 J. Gomes.<\/p>\n<p>TEAM \u201cB\u201d<br \/>\nA. Lima, B. Queiroz, M. A. Santos, A. Vieira, Jos\u00e9 Ferreira, D. Rodrigues, J. Santos, sobrinho, L. Mello, J. S. Soldatt e C. E. Clissold.<br \/>\nCapitain \u2013 C. E. Clissold.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na composi\u00e7\u00e3o de times pequenos, como o Uni\u00e3o S. Club, a t\u00f4nica ainda predominava: \u201cJ. Marinho, J. Meireles, Bilio, Hilton, Francisco, Custodio, F. Guimar\u00e3es, Edgar, C. Martins, Carlos B. e J. Gomes. Rezervas: A. Valente e H. Gomes\u201d [sic].<br \/>\nO FAC, o mais influente clube de futebol da \u00e9poca, foi o respons\u00e1vel por uma mudan\u00e7a de iniciativa na padroniza\u00e7\u00e3o das escala\u00e7\u00f5es, modificando essa desnecess\u00e1ria rigidez e permitindo o uso de nomes mais simples (Reinaldo, Cl\u00e1udio, Euclides, Quincas) e at\u00e9 apelidos (Tot\u00f3, Cutuba, Coroca), e isto deve ser datado a partir de 1916, como nestas escala\u00e7\u00f5es dos times internos do clube:<\/p>\n<p>Os teams est\u00e3o organizados da seguinte forma: &#8211; Black &amp; White \u2013 Tavares (goal-keeper); Leite e Tot\u00f3 (full backs); Reinaldo, Claudio e Ferreira (half backs); Schloback, Fritz, Lebre, Anequim e Euclides (forwards). \u2013 Red &amp; White \u2013 Avefar (goal-keeper); Cutuba e Lisboa (full backs); Borjes, Paiva e Quincas (half backs); Novas, Galas, Coroca, Bessa e Travasso (forwards) [sic].<\/p>\n<p>Uma semana depois da partida citada, no jogo interno do FAC, j\u00e1 entre os teams White x Blue, a escala\u00e7\u00e3o do primeiro foi a seguinte: Torquatinho, Moleiro, Bananinha, Girafa, Cabo Z\u00e9, Camorim, Paraguai, Acari, Coutinho, Sepetiba e Terereca. Da\u00ed em diante, a nomenclatura dos atletas n\u00e3o mais se modificou, prevalecendo a utiliza\u00e7\u00e3o dos prenomes e apelidos.<br \/>\nCuriosamente, as fun\u00e7\u00f5es dos jogadores, os lances da partida, a terminologia do campo, as bolas, os gols, tudo ainda continuava sendo expresso \u00e0 inglesa, rigorosamente, criando um ambiente que relembrava as origens modernas do foot-ball. E isso perdurou ainda por muito tempo nos gramados do Maranh\u00e3o.<br \/>\nDe 1907 a 1930, o que se via nos jornais, n\u00e3o apenas na Pacotilha (uma das maiores refer\u00eancias jornal\u00edsticas do in\u00edcio do futebol maranhense), \u00e9 um desfilar de palavras em ingl\u00eas. At\u00e9 durante as partidas, carinhosamente chamadas de matchs, era poss\u00edvel ouvir as pessoas gritando \u201chip, hip, hurrah!\u201d, e outras express\u00f5es, como no jogo FAC 3&#215;4 Tiradentes (navio), quando a torcida n\u00e3o parou de gritar no velho e bom idioma bret\u00e3o, como relatam os peri\u00f3dicos da \u00e9poca.<br \/>\nComo \u00e9 de se imaginar, isso tudo devia soar muito estranhamente aos ouvidos dos que integravam as camadas mais populares, assim como o pr\u00f3prio futebol em si, ent\u00e3o um esporte novo, mas de acesso restrito aos cavalheiros de \u201cboa estirpe\u201d, caso tamb\u00e9m estivessem em dia com suas mensalidades nos clubes onde eram s\u00f3cios&#8230;<\/p>\n<p>FONTE:<br \/>\nClaun\u00edsio Amorim Carvalho<br \/>\n\u201cTerra, grama e paralelep\u00edpedos (os primeiros tempos do futebol em S\u00e3o Lu\u00eds: 1906-1930)\u201d, Ed. Caf\u00e9 &amp; L\u00e1pis, S\u00e3o Lu\u00eds, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol no Maranh\u00e3o, assim como em outros lugares do pa\u00eds, teve seu in\u00edcio vinculado \u00e0s elites locais e, portanto, de acesso restrito e segregador. 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