{"id":1122,"date":"2008-04-17T20:11:27","date_gmt":"2008-04-17T23:11:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/04\/17\/america-campeao-carioca-de-1913\/"},"modified":"2016-04-02T06:36:31","modified_gmt":"2016-04-02T09:36:31","slug":"america-campeao-carioca-de-1913","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1122","title":{"rendered":"Am\u00e9rica, campe\u00e3o carioca de 1913!!!"},"content":{"rendered":"<p>[img:Am__rica_1.jpg,full,centralizado]<\/p>\n<p>O ano de 1913 foi um ano agitado no Am\u00e9rica, com muitas alegrias e algumas decep\u00e7\u00f5es. O fato marcante foi a conquista do t\u00edtulo m\u00e1ximo, pela primeira vez na hist\u00f3ria do clube, assunto que merece, por isso, prioridade em nosso relato.<br \/>\nO campeonato foi dif\u00edcil e disputad\u00edssimo. Participaram, na ordem da classifica\u00e7\u00e3o final obtida, Am\u00e9rica, Botafogo e Flamengo, Paissandu, Fluminense, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Atl\u00e9tico Clube, Rio Cricket, Esporte Clube Americano, Bangu e Mangueira. Os tr\u00eas \u00faltimos, de acordo com a nova regulamenta\u00e7\u00e3o do certame, foram desclassificados ao fim do 1\u00b0 turno e n\u00e3o participaram da segunda etapa.<\/p>\n<p>Eis um ligeiro resumo da vitoriosa campanha:<\/p>\n<p>1\u00b0 jogo: Foi no s\u00e1bado 3 de maio que estreamos no campeonato, vencendo amplamente em Campos Sales ao Americano por 9 x 1. Nossa equipe estava formada por Marcos, Belfort e Lu\u00eds; Mendes, J\u00f4natas e Lincoln Soares; Witte, Jos\u00e9 Moreira da Silva (o Juquinha), Ojeda, \u00c1lvaro Cardoso e Celso Pedra Pires<br \/>\n(o Aleluia). Os tentos foram assinalados por \u00c1lvaro (3), Juquinha (3), Ojeda (2) e Aleluia. Como novidade, foi nessa partida adotado o sistema de separarem-se as torcidas dos dois contendores: a diretoria do Am\u00e9rica, para evitar os costumeiros desentendimentos entre assistentes, reservou um setor nas arquibancadas, isolado por grossas cordas, para os associados do clube. A medida teve excelente receptividade, tanto que foi imitada, a partir de ent\u00e3o, nos demais campos da cidade.<\/p>\n<p>2\u00b0 jogo: No dia 11 de maio, no campo do Fluminense, derrotamos ao Mangueira por 5 x 0. O placar dilatado n\u00e3o diz como foi dif\u00edcil a partida, sobretudo na primeira etapa, quando, ajudados pelo \u00e1rbitro, os mangueirenses opuseram tenaz resist\u00eancia, n\u00e3o nos permitindo obter mais do que a vantagem m\u00ednima. Na fase complementar \u00e9 que, melhor entrosado, o ataque rubro marcou os quatro tentos que consolidaram o triunfo. A equipe foi a mesma da semana anterior e os tentos foram consignados por Ojeda (2), Juquinha, Aleluia e \u00c1lvaro.<\/p>\n<p>3\u00b0 jogo: O S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o compareceu a Campos Sales credenciado por brilhante vit\u00f3ria, obtida na rodada anterior sobre o Flamengo. Mas n\u00e3o conseguiu resistir \u00e0 maior pujan\u00e7a do time americano. Vencemos, com tranq\u00fcilidade, por 7 x 1, a 18 de maio. No lugar de \u00c1lvaro, estreou Osman Medeiros, dono de possante canhota, que, comprovando suas qualidades de artilheiro, foi o autor de dois gols.<br \/>\nOs outros foram assinalados por Juquinha (3), J\u00f4natas e Witte.<\/p>\n<p>4\u00b0 jogo: Com a equipe completa (Gabriel reapareceu no lugar de Osman), pela primeira vez no campeonato, a 1\u00b0 de Junho, defrontamos o poderoso Fluminense, em seu pr\u00f3prio campo, \u00e0 Rua Guanabara. Foi um dos mais sensacionais confrontos do certame, e terminou com a vit\u00f3ria dos rubros por 3 x 1. Gabriel fez dois gois e Ojeda completou o escore.<\/p>\n<p>5\u00b0 jogo: Esse era um dos compromissos mais temidos, menos pelo valor t\u00e9cnico do Rio Cricket, do que pelo mal h\u00e1bito que os chamados &#8220;ingleses de Niter\u00f3i&#8221; tinham, de jogar sempre bem contra n\u00f3s.Realizou-se a 8 de junho, em nosso campo. De fato, com seu goleiro em dia de gra\u00e7a e ajudados pelas copiosas chuvas que alagaram o gramado, nossos advers\u00e1rios venderam caro a derrota, n\u00e3o nos permitindo ir al\u00e9m de um modesto 1 x 0. Gabriel foi o marcador. Osman jogou no lugar de Aleluia, na ponta esquerda.<\/p>\n<p>6\u00b0 jogo: Ao Botafogo coube quebrar nossa invencibilidade, derrotando-nos, em General Severiano, a 6 de julho, por 2 x 0. Jogamos completos, isto \u00e9, com Marcos, Lu\u00eds e Belfort; Mendes, J\u00f4natas e Lincoln; Witte, Juquinha, Ojeda, Ga\u00acbriel e Aleluia.<\/p>\n<p>7\u00b0 jogo: Em Campos Sales, a 3 de agosto, contra o Bangu. N\u00e3o tivemos maior dificuldade em sobrepujar o alvirrubro por 3 x 0, tentos de Ojeda, Lu\u00eds e Aleluia. Juquinha, lesionado, n\u00e3o jogou, sendo substitu\u00eddo por Osman. S\u00f3 na derradeira partida do certame, ali\u00e1s, voltamos a contar com a participa\u00e7\u00e3o do nosso dedicado meia-direita.<\/p>\n<p>8\u00b0 jogo: Ainda em Campos Sales, a 10 de agosto, sob forte temporal, vencemos ao Paissandu por 3 x 0. A equipe foi a mesma da semana anterior, cabendo a feitoria dos tentos a Gabriel (2) e Ojeda.<\/p>\n<p>9\u00b0 jogo: Encerrando o 1\u00b0turno, enfrentamos, no dia 31 de agosto, em Campos Sales, ao Flamengo, derrotando-o por 1 x 0. Foi uma das vit\u00f3rias mais dif\u00edceis, decidida gra\u00e7as a certeira cabe\u00e7ada de Ojeda. A sa\u00edda simb\u00f3lica, para o 2.\u00b0 tempo, foi dada pelo Dr. A. Irarrazagabal, Ministro do Chile, por convite especial dos litigantes.O certame foi, ent\u00e3o, interrompido, durante o m\u00eas de setembro, para que pud\u00e9ssemos hospedar a sele\u00e7\u00e3o chilena.<\/p>\n<p>Nossa primeira apresenta\u00e7\u00e3o, no returno, estava marcada para 5 de outubro, quando enfrentar\u00edamos o S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Acontece, entretanto, que o clube alvo indicou para local da partida o terreno p\u00fablico da ent\u00e3o Pra\u00e7a Marechal Deodoro, conhecido ainda hoje como Campo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Era um campo sem a menor seguran\u00e7a, onde, sete dias antes, se desenrolaram cenas lament\u00e1veis, com brigas, invas\u00e3o do gramado, etc.<br \/>\nO Am\u00e9rica, muito justificadamente, recusou-se a comparecer. At\u00e9 porque, a pr\u00f3pria Liga tinha por princ\u00edpio n\u00e3o aprovar campos que n\u00e3o fossem cercados, e n\u00e3o era certo abrir exce\u00e7\u00e3o em preju\u00edzo do Am\u00e9rica, a quem, em 1910, ela recusara referendar o campo da Rua Sergipe. A celeuma foi enorme e s\u00f3 tivemos ganho de causa devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica dos dirigentes rubros. Nova partida foi marcada para 23 de novembro, ao t\u00e9rmino do campeonato.<\/p>\n<p>10\u00b0 jogo: Foi contra o Fluminense, a 12 de outubro, em, Campos Sales. Fizemos um primeiro tempo avassalador, marcando ampla vantagem por 4 x 1. Na etapa final, entretanto, o advers\u00e1rio reagiu e, n\u00e3o fora a extraordin\u00e1ria atua\u00e7\u00e3o de Marcos, talvez a vit\u00f3ria at\u00e9 nos escapasse. O resultado final foi de 5 x 4, a nosso favor, gols de Osman (2), Ojeda, Gabriel e Witte. Segundo a opini\u00e3o geral dos jornais da \u00e9poca, o primeiro gol do Fluminense foi um presente do \u00e1rbitro, pois a bola n\u00e3o chegou a ultrapassar a \u00faltima linha.<\/p>\n<p>11\u00b0jogo: Outra vez, o Botafogo interrompeu nossa marcha vitoriosa, a 26 de outubro, derrotando-nos, em General Severiano, por 1 x 0. Marcos falhou no tento alvinegro, mas o peso da derrota deve ser repartido com o ataque, cuja produ\u00e7\u00e3o, nessa tarde, foi decepcionante. Nossa equipe foi a mesma da partida contra o Fluminense: Marcos, Lu\u00eds e Belfort; Mendes, J\u00f4natas e Lincoln; Witte, Gabriel, Ojeda, Osman e Aleluia.<\/p>\n<p>12\u00b0 jogo: Marcado para 1.\u00b0 de novembro, deixou de ser realizado, porque o advers\u00e1rio, o Paissandu, fez, antecipadamente, a entrega dos pontos.<\/p>\n<p>13\u00b0 jogo: N\u00e3o foi sem receio que atravessamos a Ba\u00eda de Guanabara, para enfrentar o Rio Cricket, a 9 de novembro. Chovia a c\u00e2ntaros, o que n\u00e3o era novidade. Pior \u00e9 que est\u00e1vamos desfalcados de J\u00f4natas e Aleluia. Seus substitutos foram, respectivamente, De Paiva e Paula Ramos, dois nomes que evocamos com a mais comovida emo\u00e7\u00e3o, s\u00edmbolos que vieram a se tornar do entusiasmo e do ardor na defesa do Am\u00e9rica. A duras penas, vencemos por 2 x 1, gois de Osman e Paula Ramos.<\/p>\n<p>14\u00b0 jogo: A 18 de novembro, no campo do Botafogo, sofremos a terceira derrota, na temporada. Ca\u00edmos diante do Flamengo por 1 x 0. Jogamos sem J\u00f4natas, que, ali\u00e1s, n\u00e3o disputou nenhuma outra partida nesse campeonato, sempre substitu\u00eddo por De Paiva.<\/p>\n<p>15\u00b0 jogo: Mesmo com a derrota para o Flamengo, continuamos na lideran\u00e7a e bastaria um empate, no derradeiro compromisso, para termos garantido o cobi\u00e7ado laurel de campe\u00f5es cariocas de 1913. Faltava-nos enfrentar o S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, em cumprimento \u00e0 partida transferida do dia 5 de outubro.<br \/>\nMas os grandes interessados eram o Flamengo e o Botafogo, que, distantes dois pontos do primeiro posto, que ocup\u00e1vamos, isolados, torciam para um descuido do Am\u00e9rica, que lhes permitiria igualarem-se a n\u00f3s, em um tr\u00edplice empate.<br \/>\nA partida foi jogada no campo do Botafogo, a 23 de Novembro. Sem Marcos, Lu\u00eds, Mendes, J\u00f4natas e Aleluia, que, por motivo que n\u00e3o tardaremos a revelar, deixaram de comparecer ao campo, tivemos de improvisar a equipe: C\u00e9sar Fagundes, Paula Ramos e Belfort; De Paiva, Lincoln e Berthelot; Witte, Juquinha, Ojeda, Osman e Gabriel. A derrota, por 1 x 0, nessas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o chegou a surpreender.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi o fim de nossas esperan\u00e7as. Essas ressurgiram, dois dias depois, ao ser comprovado que nossos advers\u00e1rios haviam inclu\u00eddo um jogador n\u00e3o registrado na Liga, Jos\u00e9 Amarante Camarinha Filho, fazendo-o passar por seu irm\u00e3o Artur, este, sim, legalmente inscrito. A diretoria americana agiu pronta e eficazmente na defesa dos interesses do clube. Impetrou en\u00e9rgico recurso, fundamentado em duas provas irretorqu\u00edveis: o testemunho do pr\u00f3prio presidente da Liga, a quem Jos\u00e9 Camarinha confessou a fraude; e a s\u00famula do jogo, rasurada, na calada da noite, com a anteposi\u00e7\u00e3o de um &#8220;A&#8221; ao nome do jogador, que o capit\u00e3o do time, conforme o costume, grafara abreviadamente, como &#8220;Camarinha&#8221; apenas.<\/p>\n<p>O julgamento foi marcado para a noite de 26. Segundo o Correio da Manh\u00e3, do dia seguinte, &#8220;uma verdadeira multid\u00e3o de desportistas interessados na solu\u00e7\u00e3o do caso acotovelava-se na pequena sala da LMSA e nos seus corredores&#8221;. Tamb\u00e9m na sede do Am\u00e9rica, a expectativa era imensa. Os debates foram acalorados, ap\u00f3s os quais ficou aprovada a anula\u00e7\u00e3o da partida, por 8 votos contra 2. Discordaram, apenas, o Vila Isabel Futebol Clube e o pr\u00f3prio Am\u00e9rica, que pleiteava, como direito l\u00edquido e certo, os dois pontos, conforme rezavam os estatutos da Liga.<br \/>\nA nova partida foi marcada para 30 do mesmo m\u00eas de novembro, no campo do Fluminense. Com as tribunas completamente lotadas, disputou-se, ent\u00e3o, renhido combate, \u00e0 altura de sua import\u00e2ncia. O Am\u00e9rica formou apenas sem J\u00f4natas: Marcos, Lu\u00eds e Belfort; Mendes, Lincoln e Berthelot; Witte, Gabriel, Ojeda, Juquinha e Aleluia. Aos 8 minutos do primeiro per\u00edodo, Gabriel marcou o \u00fanico tento do cotejo, dando a vit\u00f3ria e, mais do que ela, o t\u00edtulo de campe\u00e3o carioca de 1913 ao Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Fonte:Campos Salles,118<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[img:Am__rica_1.jpg,full,centralizado] O ano de 1913 foi um ano agitado no Am\u00e9rica, com muitas alegrias e algumas decep\u00e7\u00f5es. O fato marcante foi a conquista do t\u00edtulo m\u00e1ximo, pela primeira vez na hist\u00f3ria do clube, assunto que merece, por isso, prioridade em nosso relato. O campeonato foi dif\u00edcil e disputad\u00edssimo. 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