{"id":1064,"date":"2008-03-21T08:56:13","date_gmt":"2008-03-21T11:56:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/21\/clubes-de-futebol-e-a-segunda-guerra-mundial\/"},"modified":"2016-04-02T07:19:16","modified_gmt":"2016-04-02T10:19:16","slug":"clubes-de-futebol-e-a-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1064","title":{"rendered":"Clubes de futebol e a Segunda Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p>Clubes de futebol foram alvo da vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia pol\u00edtica durante a Segunda Guerra Mundial<br \/>\nMedidas influenciadas pela pol\u00edtica nacionalista do Estado Novo obrigaram clubes a expulsar associados de origem estrangeira. Reuni\u00f5es de diretoria s\u00f3 podiam ser realizadas com autoriza\u00e7\u00e3o da DEOPS<\/p>\n<p>Pesquisa do historiador Alfredo Oscar Salun aponta que na \u00e9poca da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942, Corinthians e Palmeiras foram for\u00e7ados a expulsar cerca de 150 s\u00f3cios de origem estrangeira, inclusive alguns de seus dirigentes. Os dois clubes estavam entre as entidades atingidas pela legisla\u00e7\u00e3o repressora do Estado Novo, especialmente de 1941 at\u00e9 1945, quando aumentou o rigor na vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia pol\u00edtica aos grupos estrangeiros e seus descendentes.<br \/>\nEquipes mais populares da \u00e9poca, Palestra It\u00e1lia (antigo nome do Palmeiras) e Corinthians atra\u00edam grande n\u00famero de torcedores de origem imigrante, muitos dos quais oper\u00e1rios, caracterizando-os como times populares. &#8220;Quando o Brasil declarou guerra \u00e0 It\u00e1lia, Alemanha e Jap\u00e3o, a vigil\u00e2ncia aos estrangeiros pela Delegacia de Ordem Pol\u00edtica e Social (DEOPS) aumentou, devido a suspeitas de espionagem&#8221;, conta Salun.<\/p>\n<p>&#8220;No Palestra It\u00e1lia, predominavam os italianos, e no Corinthians havia tamb\u00e9m italianos, al\u00e9m de espanh\u00f3is, alem\u00e3es e at\u00e9 \u00e1rabes&#8221;, explica o historiador, que pesquisou os efeitos das medidas de nacionaliza\u00e7\u00e3o para sua tese de doutorado no N\u00facleo de Estudos de Hist\u00f3ria Oral (NEHO) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP.<br \/>\nAp\u00f3s a entrada do Brasil na guerra, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixou uma s\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es para o esporte, em acordo com o projeto nacionalista do regime do Estado Novo (1937-1945). &#8220;Os clubes de futebol foram atingidos, tendo que expulsar dirigentes e associados estrangeiros, principalmente os ligados aos pa\u00edses do Eixo, rotulados como &#8216;S\u00faditos do Eixo&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Vigil\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nA desobedi\u00eancia \u00e0s normas de nacionaliza\u00e7\u00e3o poderia levar ao fechamento dos clubes. &#8220;No caso do Palestra It\u00e1lia, isso gerou rumores n\u00e3o confirmados de que dirigentes do S\u00e3o Paulo manobravam nos bastidores para tomar seu patrim\u00f4nio&#8221;, relata Alfredo Salun. &#8220;Os boatos e a mudan\u00e7a de nome para Palmeiras, em 1942, tornaram o epis\u00f3dio marcante na hist\u00f3ria do clube e dos seus torcedores, ao contr\u00e1rio dos fatos ocorridos no Corinthians.&#8221;<br \/>\nA aplica\u00e7\u00e3o das leis levou a destitui\u00e7\u00e3o do presidente do Corinthians Manuel Correncher, espanhol de nascimento. &#8220;O clube conquistou v\u00e1rios t\u00edtulos na gest\u00e3o de Correncher, considerado uma figura folcl\u00f3rica, comparada a de Vicente Matheus&#8221;, conta Salun. &#8220;A presid\u00eancia foi assumida por Mario de Almeida, interventor indicado pelo CND, que ocupou o cargo por alguns meses, at\u00e9 o clube escolher um novo presidente.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Em um clube \u00e9 uma hist\u00f3ria conhecida e celebrada e no outro, silenciada e apagada&#8221;, destaca o historiador. Nesse aspecto, o pesquisador desenvolve um trabalho em Hist\u00f3ria Oral, com torcedores, jogadores e dirigentes. &#8220;Esses clubes n\u00e3o foram os \u00fanicos na capital paulista que foram alvos da repress\u00e3o, mas tinham maior torcida e prest\u00edgio.&#8221;<br \/>\nReuni\u00f5es de diretoria dos dois clubes s\u00f3 eram feitas com autoriza\u00e7\u00e3o da DEOPS e a presen\u00e7a de um agente do \u00f3rg\u00e3o. &#8220;Os clubes tamb\u00e9m precisavam de permiss\u00e3o oficial para jogos fora de S\u00e3o Paulo, especialmente no litoral, devido a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica das regi\u00f5es costeiras na Segunda Guerra Mundial.&#8221;<br \/>\nAp\u00f3s as expuls\u00f5es, Corinthians e Palmeiras realizaram uma &#8220;campanha de nacionaliza\u00e7\u00e3o&#8221; para atrair novos s\u00f3cios, nascidos no Brasil. &#8220;A imprensa da \u00e9poca viu essa iniciativa como uma prova de patriotismo&#8221;, diz Salun. &#8220;Os estrangeiros expulsos come\u00e7aram a retornar aos clubes ap\u00f3s 1945, como reflexo do final da Guerra, de medidas liberalizantes adotadas pelo governo de Get\u00falio Vargas e o fim da persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8216;quinta-coluna&#8217;, espi\u00f5es e os &#8216;S\u00faditos do Eixo&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte:USP-Julio Bernardes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clubes de futebol foram alvo da vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia pol\u00edtica durante a Segunda Guerra Mundial Medidas influenciadas pela pol\u00edtica nacionalista do Estado Novo obrigaram clubes a expulsar associados de origem estrangeira. 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