{"id":1032,"date":"2008-03-04T11:42:26","date_gmt":"2008-03-04T14:42:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.soccerlogos.com.br\/2008\/03\/04\/sangue-e-festa-na-noite-da-paixao\/"},"modified":"2016-04-02T11:25:25","modified_gmt":"2016-04-02T14:25:25","slug":"sangue-e-festa-na-noite-da-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/?p=1032","title":{"rendered":"Sangue e Festa na Noite da Paix\u00e3o!!!!!"},"content":{"rendered":"<p>A derrota de 50 ainda estava atravessada na garganta do torcedor brasileiro, que exigia uma vingan\u00e7a<br \/>\ncompleta contra os uruguaios.<br \/>\nEla tardou,mas veio afinal.<\/p>\n<p>O futebol brasileiro jamais p\u00f4de se esquecer da trag\u00e9dia de 16 de julho de 1950.<br \/>\nPassaram-se os anos, surgiram novos jogadores, velhos \u00eddolos se retiraram da cena, torcedores nasceram e morreram, o Flamengo foi tricampe\u00e3o no Rio, o Corinthians conquistou o t\u00edtulo do IV Centen\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, Get\u00falio Vargas matou-se com um tiro no peito, Marta Rocha de mai\u00f4 arrancou suspiros do mundo, os primeiros carros nacionais sa\u00edram pela estrada afora, Bras\u00edlia come\u00e7ou a ser constru\u00edda, Pel\u00e9 virou rei, Bellini ergueu a ta\u00e7a de ouro em Estocolmo e o pa\u00eds continuava esperando a vingan\u00e7a contra os uruguaios.<\/p>\n<p>Houve, \u00e9 certo, os 4 a 2 no Pan-Americano de Santiago, em 1952. Mas isto, aos olhos de todos, parecia pouco. O Brasil queria mais. Bem mais. Queria suor, l\u00e1grimas e sangue.<br \/>\nFoi preciso aguardar o Sul-Americano de 1959, em Buenos Aires. A vingan\u00e7a definitiva, que p\u00f4s fim a um padecimento que parecia eterno, come\u00e7ou na noite da Quinta-Feira Santa. Terminou na madrugada da Sexta-Feira da Paix\u00e3o. Existiria no calend\u00e1rio do futebol (da vida?) data mais apropriada para se expiarem tantas culpas e pecados?<\/p>\n<p>Brasil e Uruguai entraram em Nunez com o aparente objetivo de jogar bola.<br \/>\nA partida, por\u00e9m, tinha implica\u00e7\u00f5es de maior profundidade. E elas afloraram quando, no final do primeiro tempo, o explosivo atacante Almir se desentendeu com o duro zagueiro Davoine.<br \/>\nIniciava-se, ali, uma das grandes batalhas da hist\u00f3ria do futebol. Praticamente todos brigaram. Em certo momento, at\u00e9 o treinador uruguaio, Hector &#8220;Manco&#8221; Castro, de 60 anos, maneta, centroavante campe\u00e3o do mundo em 1930, resolveu bater em quem via pela frente com o toco de seu bra\u00e7o esquerdo. Al\u00e9m de &#8220;Manco&#8221;, o Uruguai tinha respeit\u00e1veis peleadores: seu bravo capit\u00e3o William Martinez, 1,82 m, 83 kg; Nestor Gon\u00e7alves, do alto de seu 1,85 m; o terr\u00edvel Sas\u00eda, capaz de desferir os golpes mais trai\u00e7oeiros no inimigo; e o valente crioulo Escalada.<\/p>\n<p>[img:IMG_00025.jpg,full,centralizado]<\/p>\n<p>No batalh\u00e3o brasileiro, al\u00e9m dos jogadores que comprovaram ser not\u00e1veis brigadores Didi, Almir, Orlando, Bellini e outros,destacaram-se o peso-pesado Paulo Amaral e o antigo boxeador M\u00e1rio Am\u00e9rico. Ningu\u00e9m morreu, mas os feridos lotaram a enfermaria de Nunez: Castilho com os superc\u00edlios cortados, Orlando com os l\u00e1bios abertos, Bellini, Didi, Almir, Gilmar e Pel\u00e9 com escoria\u00e7\u00f5es generalizadas, Martinez com um dente a menos e carecendo de tr\u00eas pontos na cabe\u00e7a, Sas\u00eda com o olho esquerdo sangrando, Roque Fernandez com profundas feridas nos ombros.<\/p>\n<p>Depois de meia hora de conflito, 50 minutos de futebol. O Uruguai marcou o primeiro gol, gra\u00e7as a um chute violent\u00edssimo de Escalada (e seria justo imaginar que ele o faria de outra?), mas o Brasil reagiu. Paulinho Valentim, centroavante que entrou no lugar do lateral Coronel a essa altura os times estavam reduzidos a nove jogadores, com duas expuls\u00f5es de cada lado,revelou-se t\u00e3o bom na bola como no bra\u00e7o. E fez tr\u00eas gois, dois deles em cima de Martinez.<\/p>\n<p>Seria esta a noite da derradeira vingan\u00e7a n\u00e3o houvesse o encontro de Guadalajara, na Copa do M\u00e9xico,11 anos mais tarde.<\/p>\n<p>[img:5.jpg,full,centralizado]<\/p>\n<p><strong>CAMPEONATO SUL-AMERICANO BRASIL 3 X URUGUAI<\/strong><\/p>\n<p>Local: Monumental de Nunez &#8211; Buenos Aires. Juiz: Carlos Robles &#8211; Chile. Gols: Escalada, 42 do 7 .\u00b0; Paulinho Valentim, 17, 35 e 44 do 2.\u00b0. Expuls\u00f5es: Almir, Orlando, Davoine e Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Brasil: Castilho (Gilmar), Djalma Santos, Bellini, Coronel (Paulinho Valentim), Formiga, Orlando, Garrincha (Dorval), Didi, Almir, Pel\u00e9 e Chinesinho.<br \/>\nUruguai: Leiva, Davoine, William Martinez, Silveira, Gon\u00e7alves, Mes\u00edas, Borges (Roque Fernandez), Demarco, Douksas, Sas\u00eda e Escalada (Aguilera).<\/p>\n<p>Fonte:PLACAR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A derrota de 50 ainda estava atravessada na garganta do torcedor brasileiro, que exigia uma vingan\u00e7a completa contra os uruguaios. Ela tardou,mas veio afinal. O futebol brasileiro jamais p\u00f4de se esquecer da trag\u00e9dia de 16 de julho de 1950. Passaram-se os anos, surgiram novos jogadores, velhos \u00eddolos se retiraram da cena, torcedores nasceram e morreram, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,68],"tags":[],"class_list":["post-1032","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eduardo-cacella","category-blog-historia-do-futebol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1032"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1032\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2951,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1032\/revisions\/2951"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/historiadofutebol.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}