Os irmãos Carvalheiras!!!!

Depois da conquista do campeonato de 1934, pelo Náutico, a fama dos Carvalheiras (Zezé, Fernando e Artur), três unidos irmãos fora e dentro do campo, que compunham o ataque do time alvirrubro, começou a atravessar fronteiras e penetrou no Rio de Janeiro, mais precisamente dentro do Fluminense, onde o pernambucano e alvirrubro, Antonio Vicente Filho, se encarregava de decantar em prosa e verso o maravilhoso futebol dos
Carvalheiras, especialmente do mais jovem, Artur, que tinha 17 anos.

No Recife, o experiente técnico do Náutico, Umberto Cabelli, não fazia por menos. Quem quer que o perguntasse qual o melhor jogador pernambucano, no momento, respondia sem pestanejar: Artur Carvalheira. Artur era um meia consciente, aplicado, objetivo arquiteto das grandes vitórias do Náutico que no campeonato de 1935 tinha feito 79 gols, 31 dos quais assinalado pelo irmão de Artur, Fernando, artilheiro da equipe e da temporada.
Em setembro de 1936, acontecia a consagração de Artur.
Um telegrama passado do Rio pelo influente Antonio Vicente Filho pedia que embarcassem o atacante alvirrubro para o Rio deJaneiro, a fim de jogar pelo Fluminense. A notícia explodiu como uma bomba nos meios esportivos, deixando torcedores e dirigentes alvirrubros vaidosos e cheios de orgulho.
Artur viajou muito satisfeito e empolgado pelo fato de ser o primeiro jogador pernambucano a sair daqui direto para jogar num centro evoluído como o Rio, e pelo Fluminense, um clube de categoria. Ao seu embarque, compareceram não só dirigentes e torcedores do Náutico, mas também de outros clubes.

Com menos de uma semana, ele começava a se decepcionar com os novos colegas e ambiente. Só se falava em “bichos”, farras e outras coisas que Artur, como amador autêntico, não admitia e no Náutico não estava acostumado a ver. Porém, ele não queria voltar sem antes mostrar seu futebol, sua categoria. Cada treino que dava, os elogios aumentavam.
O Fluminense estava em francos preparativos para o grande “Fla-Flu” e Artur passou a ser olhado pelos dirigentes do tricolor carioca como uma arma secreta para o grande clássico.
Quando o Fluminense entrou em campo (13.9.1936), a torcida do clube “pó de arroz” ficou meio desconfiada, embora já tivesse tido conhecimento, através dos jornais, do bom futebol do jogador pernambucano.

Artur confirmou tudo que se dizia dele, sendo inclusive responsável pelo gol do empate em 1×1, quando o Fluminense perdia de 1×0. Foi derrubado dentro da área no momento em que ia deixar sua marca nas malhas do Flamengo. 0 pênalti foi cobrado com sucesso, estabelecendo-se o empate, resultado final do encontro.
Dois dias após, os jornais recifenses transcreveram em suas página esportivas matérias sobre a partida em que a imprensa carioca fazia os melhores elogios a atuação do atacante pernambucano. Os torcedores do Náutico vibraram como se fosse uma vitória do seu clube. Muitos deles recortaram as páginas dos jornais que destacavam as escalações do Fluminense e Flamengo. Era uma lembrança inolvidável da passagem de Artur Carvalheira pelo futebol carioca.
As equipes jogaram assim:

Fluminense – Batatais; Guimarães e Machado; Marcial, Brant e Orozimbo; Sobral, Russo, Romeu, Carvalheira e Hércules.

Flamengo – Yustrich; Domingos e Marin; Médio, Fausto e Oto; Sá, Leônidas, Alfredo, Angel e Jarbas.

A volta de Artur foi apoteótica. Ele retornou no dia 28 de setembro pelo navio “Oceania” e foi saudado no cais do porto por banda de música e uma salva de 21 tiros. Aos repórteres, teve que contar várias vezes como ocorreu a jogada do pênalti que originou o gol de empate do Fluminense. Revelou ter recebido convite do clube carioca para assinar contrato de profissional, porém recusou porque não queria mesmo fazer do futebol profissão.

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Fonte:A Historia do Futebol PE

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